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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Jorge Vieira (1922-1998)

sem título (1954, MNAC)
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Touro (CAM-FCG)
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Jorge Vieira nasceu a 16 de Novembro de 1922, em Lisboa. Frequentou a Escola de Belas-Artes de Lisboa, entre 1944 e 1953, inicialmente inscrito em Arquitectura, mas mais tarde seguindo o curso de Escultura, tornando-se aluno de Simões de Almeida (tio) e de Leopoldo de Almeida. A sua aprendizagem complementou-se nos ateliers dos escultores António Duarte, Francisco Franco, António da Rocha e do arquitecto Frederico Jorge. No ano de 1948, realizou uma viagem a Paris e Londres, e em 1950 viajou até à Itália. A sua primeira exposição individual realizou-se em 1949, na Sociedade Nacional de Belas-Artes. Em 1953 Jorge Vieira participou num concurso internacional de escultura patrocinado pelo Institut of Contemporary Arts de Londres, com um projecto para o monumento O prisioneiro político desconhecido, que viria a ser seleccionado e exposto na Tate Gallery. Essa obra, apenas veio a ser executada algumas décadas mais tarde, erigida em 1994, na cidade de Beja. No ano de 1954 instalou-se em Londres e inscreveu-se na Slade School, onde trabalhou com Reginald Butler, F. E. McWilliam e Henry Moore. Em 1958 participou na Feira Internacional de Bruxelas, seleccionado para figurar na exposição “50 Ans d’Art Modern”. Em 1976, tornou-se Assistente na Escola de Belas-Artes do Porto, transitando em 1981 para a Escola de Belas-Artes de Lisboa, onde permaneceu até 1992. No ano de 1982, adquiriu uma casa nos arredores de Estremoz, onde passou a residir. Entretanto, continuou a conceber esculturas para espaços públicos: grupo de baixos-relevos para o Bloco das Águas Livres (1956); uma Varina em bronze colocada na Avenida Infante Santo, em Lisboa (1957); uma escultura abstracta em cimento e em bronze para o Tribunal do Redondo (1965); uma peça em aço para o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (1972); uma escultura dedicada a Aquilino Ribeiro, em Soutosa (1981); o Monumento ao mineiro, em Aljustrel (1986-1988); ou as Joaninhas colocadas em frente aos paços do concelho de Lisboa (1998). O trabalho de Jorge Vieira não se insere num estilo ou “escola” específicos, estando as suas obras ligadas a influências variadas, como o surrealismo ou a arte primitiva, com aproximações à abstracção. O período final da carreira do escultor é marcado pela inauguração de uma importante retrospectiva da sua obra no Museu do Chiado (1995) e pela encomenda feita para a Expo’98, que lhe proporcionou uma maior visibilidade pública (Homem-sol, 1998). O escultor faleceu nesse ano em Estremoz.
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Exte texto é o resumo da biografia do Matriznet.
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Jorge Vieira was born on 16 November 1922, in Lisbon. He attended the School of fine arts of Lisbon, between 1944 and 1953, initially enrolled in architecture, but later following the course of sculpture, becoming a pupil of Simões de Almeida (uncle) and Leopoldo de Almeida. His learning was complemented in the “ateliers” of the sculptors António Duarte, Francisco Franco, Antonio da Rocha and the architect Frederick George. In the year 1948, undertook a trip to Paris and London, and in 1950 travelled to Italy. His first solo exhibition was held in 1949, at the National Society of Fine Arts. In 1953 Jorge Vieira took part in an international sculpture contest sponsored by the Institute of Contemporary Arts in London, with a project for the monument the unknown political prisoner, who would go on to be selected and exhibited in the Tate Gallery. This work, only came to be executed a few decades later, erected in 1994, in the city of Beja. In the year of 1954 he settled in London and enrolled at the Slade School, where he worked with Reginald Butler, F. E. McWilliam and Henry Moore. In 1958 he participated in the international fair of Brussels, selected to be shown in the exhibition "50 Ans D'art Modern." During the year of 1976, he became an Assistant at the School of Fine Arts of Oporto, transiting in 1981 to the School of Fine Arts of Lisbon, where he remained until 1992. In the year 1982 he acquired a house on the outskirts of Estremoz. Meanwhile, he designed sculptures for public spaces: Group of bas-reliefs for the Free water Block (1956); a Varina in bronze placed on Avenida Infante Santo, in Lisbon (1957); an abstract sculpture in cement and in bronze for the Redondo Court (1965); a steel piece to the national laboratory of Civil Engineering (1972); a sculpture dedicated to Aquilino Ribeiro, Soutosa (1981); the monument to the miner, in Aljustrel (1986-1988); or the Ladybugs placed in front of the Town Hall of Lisbon (1998). The work of Jorge Vieira is not a specific school or style, and his sculptures are connected with varied influences, like surrealism or primitive art, with approaches to abstraction. The late sculptor's career is marked by the opening of a major retrospective of his work at the Museum do Chiado (1995) and by the order made for Expo ' 98, which gave him greater public visibility (Man-Sun, 1998). The sculptor died that year in Estremoz

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Vieira da Silva (1908-1992)

Composition (Composição) (1936, CAM, Lisboa).
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L'oranger (1954, CAM, Lisboa).
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Les Degrés (Os Degraus) (1964, CAM, Lisboa).
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Atlantide (1973, CAM, Lisboa).
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Maria Helena Vieira da Silva nasceu em Lisboa em 13 de Junho de 1908. O seu pai morreu cedo (em 1911), sendo a sua vida muito marcada pela presença da mãe, com quem viveu em Lisboa - até 1926, em casa do avô que fora fundador do jornal O Século. Na companhia materna fez viagens e assistiu a espectáculos, visitou museus e exposições, destacando-se uma estadia em Londres em 1913 e o visionamento dos «Bailados Russos» em Lisboa, em 1917. Desde criança que teve acesso a um bom ambiente cultural, com aulas de desenho dadas por Emília Santos Braga, de pintura dadas por Armando de Lucena, complementadas com a aprendizagem de música. Interessou-se também pela escultura e frequentou aulas de anatomia na Faculdade de Medicina.
Em 1928, foi para Paris, onde estudou na Academia da Grande Chaumière e na Academia Escandinava. Frequentou depois os ateliês de artistas, incluindo o de Fernand Léger, Antoine Bourdelle e Stanley William Hayter  Entretanto, em 1930, casou-se com Arpad Szenes, pintor húngaro. Em 1933, a galerista Jeanne Bucher organizou a primeira exposição individual consagrada à artista e, em 1935, em Lisboa, foi a vez de António Pedro lhe organizar uma exposição na Galeria UP. Em 1937, um dos seus quadros foi adquirido para a colecção Guggenheim, importante momento que marcou o seu reconhecimento internacional. 
No ano de 1940, Vieira da Silva foi com o marido para o Brasil e foi nesta época que pintou O Metropolitano, evocando os ataques a Paris durante a IIª Guerra Mundial. Nesta altura, algumas das suas obras chegaram a aproximar-se do surrealismo, como é o caso de História Trágico-marítima (1944). Finda a Guerra (1945), em 1947, a artista regressou a Paris. O Estado francês adquiriu-lhe a obra A partida de xadrez (1943) e Pierre Descargues dedicou-lhe uma monografia. Nos anos cinquenta inniciou-se o período de afirmação e consolidação da carreira e a pintora tornou-se num nome de referência da segunda geração da «Escola de Paris». No ano de 1956, recebeu a nacionalidade francesa, pois tinha perdido a nacionalidade portuguesa quando se casou com Arpad. Entretanto, em Portugal, o trabalho da artista começava a ser reconhecido: no ano de 1956, o o Museu do Chiado adquiriu dois dos seus guaches e em 1958, José-Augusto França publicou uma monografia sobre a pintora. Vieira da Silva recebeu o Grand Prix National des Arts in 1966, uma importante honra concedida pelo Governo Francês. 
Em 1970, fez-se uma grande exposição da sua obra na Fundação Calouste Gulbenkian e a artista, feliz com a Revolução de 25 de Abril de 1974, concebeu um conjunto de pinturas evocativas do acontecimento. Em 1977, foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago e Espada e, em 1978, o realizador José Álvaro de Morais dedicou-lhe um filme intitulado Ma femme chamada Bicho, com relatos do marido e por isso evocando a alcunha carinhosa que este dava à sua mulher. No final da década, em 1979, o Governo francês condecorou-a com a Legião de Honra (sendo oficial da mesma Ordem em 1991) e a artista foi aceite como membro do Comité de Honra contra o Racismo e pela Amizade entre os Povos. No ano de 1983, foi convidada a fazer a decoração da estação de metro da Cidade Universitária, em Lisboa. 
Para desgosto da artista, o seu marido Arpad morreu em 1985, mas ela ainda assim continuou a trabalhar, sendo alvo de múltiplas homenagens. Na década de 1990 começou a tratar-se da criação da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, cujo museu inaugurou em 1994, tendo a artista falecido em 1992, dois anos antes. Para além da sua obra pictórica, cujo valor é inegável, quer em termos estéticos, quer em termos de originalidade, deixou escrito um testamento poético, que iremos aqui recordar:

Eu lego aos meus amigos
Um azul cerúleo para voar alto.
Um azul cobalto para a felicidade.
Um azul ultramarino para estimular o espírito.
Um vermelhão para o sangue circular alegremente.
Um verde musgo para apaziguar os nervos.
Um amarelo ouro: riqueza.
Um violeta cobalto para o sonho.
Um garança para deixar ouvir o violoncelo.
Um amarelo barife: ficção científica e brilho; resplendor.
Um ocre amarelo para aceitar a terra.
Um verde veronese para a memória da primavera.
Um anil para poder afinar o espírito com a tempestade.
Um laranja para exercitar a visão de um limoeiro ao longe.
Um amarelo limão para o encanto.
Um branco puro: pureza.
Terra de siena natural: a transmutação do ouro.
Um preto sumptuoso para ver Ticiano.
Um terra de sombra natural para aceitar melhor a melancolia negra.
Um terra de siena queimada para o sentimento de duração.
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Bibliografia: Joana Baião, Vieira da Silva, Quidnovi, 2010.
Link: http://fasvs.pt/
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Maria Helena Vieira da Silva (June 13, 1908 – March 6, 1992) was a Portuguese-French abstractionist painter. She was born in Lisbon, Portugal. At the age of eleven she had begun seriously studying drawing and painting at that city's Academia de Belas-Artes. In her teen years she studied painting with Fernand Léger, sculpture with Antoine Bourdelle, and engraving with Stanley William Hayter, all masters in their respective fields. By 1930 Vieira da Silva was exhibiting her paintings in Paris; that same year she married the Hungarian painter Árpád Szenes. After a brief sojourn back in Lisbon and a period spent in Brazil during World War II (1940–1947), Vieira da Silva lived and worked in Paris the rest of her life. She adopted French citizenship in 1956. Vieira da Silva received the French government's Grand Prix National des Arts in 1966, the first woman so honored. She was named a Chevalier of the Legion of Honor in 1979. She died in Paris, France on March 6, 1992.
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sábado, 1 de setembro de 2012

Júlio Pomar (n. 1926)

Gadanheiro (1945, MNAC - Link).
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Maio 68 (CRS-SS) (1969, Colecção Jorge de Brito, Cascais).
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«Nasceu em 1926, em Lisboa, e instalou-se em Paris em 1963. Actualmente vive e trabalha em Paris e Lisboa. Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio e as Escolas de Belas-Artes de Lisboa e Porto, tendo participado em 1942 numa primeira mostra de grupo, em Lisboa, e realizado a primeira exposição individual em 1947, no Porto. Dedicou-se especialmente à pintura, mas o seu trabalho inclui também obras de desenho, gravura, escultura e «assemblage», ilustração, cerâmica, tapeçaria e cenografia para teatro. Realizou, igualmente, obras de decoração mural em azulejo para a Estação Alto dos Moinhos do Metropolitano de Lisboa, (1983-84), o Circo de Brasília (Gran’Circolar, 1987), a Estação Jardin Botanique do Metropolitano de Bruxelas (1992), o Tribunal da Moita («Justiça de Salomão», 1993) e a estação de combóios de Corroios (1998). Participou na Bienal de São Paulo de 1953 e, igualmente, nas edições de 1975 e 1985. A Fundação Gulbenkian organizou em 1978 a primeira retrospectiva da sua obra, que foi exibida em Lisboa, Porto e Bruxelas. Em 1986, uma nova exposição retrospectiva foi apresentada pela Fundação Gulbenkian em museus de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e também na sua sede, em Lisboa. Outras mostras antológicas de âmbito temático tiveram lugar em 1990, com obras de temas brasileiros, em Rio de Janeiro, São Paulo e Lisboa; em 1991, com pinturas e desenhos sobre temas literários e retratos de escritores («Pomar et la Littérature»), em Charleroi, Bélgica; em 1997, com trabalhos sobre o tema de D. Quixote, em Cascais, e pinturas sobre os Índios do Brasil, em Biarritz, França. Outras antologias de pintura foram apresentadas, em 1999 e 2000, em Macau e Pequim; em 2001, em Aveiro (Pinturas Recentes) e, em 2003, em Istambul. Publicou, em 2002, o volume de ensaios «Então e a Pintura?» e, em 2003, o poema «TRATAdoDITOeFeito». Expôs novas pinturas («Méridiennes - Mères Indiennes»), em 2004, na Galeria Patrice Trigano, em Paris, e o Sintra Museu de Arte Moderna – Colecção Berardo apresentou uma retrospectiva da sua obra organizada por Marcelin Pleynet sob o título «Autobiografia», onde foram expostas as primeiras peças de uma série de esculturas em bronze. Ainda em 2004, o CCB expôs uma antologia de obras recentes intitulada «Comédia Humana». Os dois primeiros volumes do catálogo «raisonné» da obra de pintura, escultura em ferro e assemblages foram publicados, em 2001 e 2004, pelas Éditions de la Difference, em Paris».
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Julio Pomar (born in Lisbon, 10 January 1926) is a Portuguese painter. He studied painting in both Lisbon and Porto Academy of Fine Arts, in this last he one he joined the group of other fellow artists called Independents. He joined the neo-realist movement, from 1945 to 1957, and he painted some of the most memorable images of the current. He latter started to paint in a sort of neo-expressionist style.
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sábado, 2 de junho de 2012

Ângelo de Sousa (1938-2011)

Pintura (1972, MNAC)
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Pintura (1974, CAM)
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Pintura (1983, CFIP)
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86-3-15Q (1986, CAM)
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1-II-5-G (CFIP)
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Ângelo César Cardoso de Sousa nasceu em Lourenço Marques (Moçambique), em 2 de Fevereiro de 1938. Com 17 anos foi para o Porto e, em 1955, matriculou-se na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, no curso de Pintura. Depois de terminar os estudos foi convidado a integrar o corpo docente e em 1963 tornou-se assistente da Escola. Expôs publicamente pela primeira vez, em 1959, na Galeria Divulgação, no Porto, ao lado de Almada Negreiros. No ano de 1964 foi um dos entusiastas e fundadores da Cooperativa Árvore. No final dessa mesma década (1967-68) viveu uma temporada em Londres, enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e do British Council, frequentando a Slade School of Art e a Saint Martin's School of Fine Art. Em 1968, formou o grupo de Os Quatro Vintes, assim denominado pelo facto de todos os seus elementos terem alcançado a classificação máxima na licenciatura. No ano de 1995, tornou-se professor catedrático da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, aposentando-se cinco anos depois. Caracterizado como «artista vanguardista, experimentalista e minimal», utilizou diferentes técnicas e suportes: desenho, pintura (recusando molduras), escultura, fotografia, filme, vídeo e cenografia. De entre as exposições individuais que fez podem destacar-se a exposição Ângelo - Escultura e Desenho (Porto, 1970), as retrospectivas em Serralves (1993 e 2001) e a exposição sobre desenho, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (2003). Participou na XIII Bienal de São Paulo (1975) e  na Bienal de Veneza (1978). Em 2010, estreou o filme Ângelo de Sousa – Tudo o que sou capaz do encenador e realizador Jorge da Silva Melo (2010). Ângelo de Sousa morreu na sua casa do Porto, aos 73 anos de idade, no dia 29 de Março vítima de cancro.
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Resumo do texto «Ângelo de Sousa» do site da Universidade do Porto.
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Ângelo César Cardoso de Sousa (February 2, 1938 – March 29, 2011) was a Portuguese painter, sculptor, draftsman and professor, better known for continuously experimenting new techniques in his works. He was seen as a scholar of light and colour who explored minimalism. He was born in Lourenço Marques (now Maputo) in 1938 and in 1955 he moved to Porto where he enrolled in the School of Fine Artes. It was there that he received his degree in painting with the highest mark, 20. His academic excellence led him to become part of a group known as Os Quatro Vintes (Portuguese for "The Four Twenties"). De Sousa lived and worked in Porto, where he lectured in the School of Fine Arts (now the Faculty of Fine Arts of the University of Porto) from 1962 until 2000, when he retired as a Full Professor. Prior to teaching, de Sousa had his first solo exhibition in 1959 and since then his works have been shown worldwide. In 1975 he received the International Prize of the 13th São Paulo Art Biennial and in 2007 the Calouste Gulbenkian Foundation presented him with the Gulbenkian Prize. He died in his home, at the age of 73, after battling with cancer for several months.
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From Wikipedia

terça-feira, 1 de maio de 2012

Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918)

Lévriers / Os Galgos (1911, CAM)
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Mucha (1915, CAM)
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«Amadeo de Souza-Cardoso nasce a 14 de Novembro de 1887 em Manhufe, no concelho de Amarante, e morre em Espinho a 25 de Outubro de 1918, vítima de gripe Pneumónica. Filho de proprietários rurais, Amadeo passa a infância na quinta da família, em Manhufe, faz o liceu em Coimbra, e, concluído o primeiro ano de Arquitectura na Escola de Belas Artes de Lisboa, decide partir para Paris no dia do seu 19º aniversário, com o desejo de prosseguir os estudos na capital francesa. Em Paris integra uma colónia artística portuguesa de que fazem parte pintores como Francisco Smith (1881-1961), Manuel Bentes (1885-1961), ou Eduardo Viana (1881-1967), e cedo decide abandonar a Arquitectura em favor da prática da caricatura, chegando a publicar alguns desenhos na imprensa portuguesa. A partir de 1908, Amadeo vai-se concentrar exclusivamente na sua pintura, com declarada oposição familiar, sobretudo do pai, que mais tarde acabará por aceitar. A partir de 1909, começa a assistir regularmente às aulas do pintor espanhol Anglada-Camarasa (1871-1959) na Academia Vitti, vai-se interessando nos museus por arte primitiva e medieval, e aproxima-se de artistas como Constantin Brancusi (1876-1957) e sobretudo Amedeo Modigliani (1884-1920), com quem irá expor no seu próprio atelier em 1911. Nesse ano e no seguinte, anos intensos de trabalho, o artista participa em importantes exposições da vanguarda parisiense, como os XXVII e XXVIII Salons des Indépendants, ou o X Salon d’Automne, e em 1912 publica o álbum XX Dessins, com prefácio crítico de Jerôme Doucet, fundamental nos anos seguintes para a divulgação internacional da sua obra. É nessa época que conhece o casal de pintores Robert (1885-1941) e Sonia (1885-1979) Delaunay, que o irão ajudar a estabelecer uma rede de contactos no meio artístico parisiense, decisiva na concretização de importantes exposições em que participa no ano seguinte, na Alemanha e nos EUA. É em Nova Iorque que Amadeo conhece o maior êxito comercial e crítico da sua carreira, apresentando 8 obras na célebre exposição International Exhibition of Modern Art, conhecida como o Armory Show, que traz a arte moderna aos EUA. Foi um sucesso absoluto, com várias menções na imprensa, tendo sido dos artistas que mais venderam na exposição, ao lado de consagrados como Signac, Derain ou Duchamp; consegue assim entrar em importantes colecções norte-americanas, sendo fundamental na sua promoção o crítico norte-americano Walter Pach. No mesmo ano, participa no importante Erster Deutscher Herbstsalon (Primeiro Salão de Outono Alemão), expondo com os futuristas italianos e o grupo Der Blaue Reiter, e no princípio de 1914 expõe o álbum XX Dessins, e provavelmente os desenhos originais, na Escola de Artes e Ofícios de Hamburgo. É decisiva para a sua entrada no circuito expositivo alemão a amizade que estabelece desde 1912 com o pintor Otto Freundlich (1878-1943), que conhecera através de Modigliani. Em Agosto de 1914, Amadeo é surpreendido pelo início da Grande Guerra em Barcelona, onde conhece o arquitecto Gaudì, seguindo depois para o Porto, cidade onde se casa com Lucie Pecetto, sua companheira de Paris. No Outono, instala-se em Manhufe, no atelier da Casa do Ribeiro, que seu pai mandara construir em 1910. Apesar de sucessivas tentativas, não mais regressará à capital francesa. Em 1915-1916 colabora com o casal Delaunay, que então vivia em Vila do Conde, com Eduardo Viana e Almada Negreiros (1893-1970) na formação do grupo Corporation Nouvelle, que tinha o projecto de realizar exposições itinerantes de arte moderna em cidades europeias como Barcelona e Estocolmo, as Expositions mouvantes, que não seriam concretizadas numa Europa em guerra. No final do ano de 1916, Amadeo realiza as suas únicas exposições individuais em Portugal, primeiro no Porto (Salão de Festas do Jardim Passos Manuel, 1 a 12 de Novembro) e depois em Lisboa (Liga Naval, 4 a 18 de Dezembro). A surpresa é total, do público e crítica portugueses, perante a novidade radical da sua pintura. Dá importantes entrevistas a periódicos nacionais como O Dia e o Jornal de Coimbra, onde expõe com escândalo as suas ideias artísticas, atacando com irreverência futurista a arte académica e fazendo a apologia da originalidade. Almada Negreiros distribui um manifesto da exposição de Lisboa, apresentando Amadeo como “a primeira descoberta de Portugal na Europa do século XX”. Em 1917, em estreita colaboração com este último, Amadeo concebe o grafismo da edição do poema futurista de Almada K4 O Quadrado Azul, a si dedicado, e pinturas suas são reproduzidas na revista Portugal Futurista, apreendida pelas autoridades da época. A partir desse ano, a pesquisa formal do artista intensifica-se, e produz isolado em Manhufe as suas últimas obras, até ao início de 1918, com soluções de radical originalidade no contexto europeu, integrando na sua pintura colagens de vários materiais e objectos do quotidiano, ou sinalizando-a com letreiros inspirados na publicidade, antecipando assim práticas que serão desenvolvidas no imediato pós-guerra, sobretudo por artistas de filiação dadaísta».
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«He was born in Mancelos, a parish of Amarante. At the age of 18, he entered the Superior School of Fine Arts of Lisbon and one year later (on his 19th birthday) he went to Paris, where he intended to continue his studies but soon quit the architecture course and started to study painting. In Montparnasse, he experimented with Impressionism and later with Expressionism and Cubism, and dedicated himself exclusively to painting. His first experience was drawing, especially caricatures. In 1908, he installed himself in number fourteen of the Cité de Falguière. There, he went to ateliers in theAcadémie des Beaux-Arts and the Viti Academy of the Catalan painter Anglada Camarasa. In 1910 he stayed for some months in Brussels and, in 1911, he displayed works in the Salon des Indépendants. He became close with artists and writers such as Gertrude Stein, Juan Gris, Amedeo Modigliani, Alexander Archipenko, Max Jacob, the couple Robert Delaunay and Sonia Delaunay, and Constantin Brâncuşi, as well as the German artist Otto Freundlich. He was also befriended by the Italian Futurists Gino Severini and Umberto Boccioni.
In 1913, Amadeo de Souza Cardoso participated in two seminal exhibitions: the Armory Show in the USA, that travelled to New York City, Boston, and Chicago, and the Erste Deutsche Herbstsalon at the Galerie Der Sturm in Berlin, Germany, directed by Herwarth Walden. Both exhibitions showed modern art to a public that was still not used to it. Amadeo was among the most commercially successful of the exhibitors at the Armory Show, as he sold seven of the eight works he showed there.
Amadeo met with Antoni Gaudí in Barcelona in 1914, and then left for Madrid, where the shock of World War I was already underway. His friend Amedeo Modigliani showed sculptures in his Paris studio. Amadeo returned then to Portugal where he married Lucie Meynardi Peccetto. He maintained contact with other Portuguese artists and poets such as Almada Negreiros, Santa-Rita Pintor and Teixeira de Pascoaes. On October 25, 1918, at the age of 30, he died in Espinho, of Spanish flu.
His early works, under the tutelage of the Spanish painter Anglada Camarasa, were stylistically close to impressionism. Around 1910, influenced both by cubism and by futurism, he became one of the first modern Portuguese painters. His style is aggressive and vivid both in form and colour and the compositional structure of his works may seem random or chaotic at first sight but are clearly defined and balanced. His more innovative paintings, like "Trou de la Serrure" look like collages, and seem to pave the way to abstractionism or even dadaism.
In 1912 he published an album with twenty drawings and, after that, he copied the story of Gustave Flaubert, “La Légende de Saint Julien to l'Hospitalier”, which were ignored by appreciators of art. In 1913 he exhibited eight works in the Armory Show in the USA, some of which are now in American museums. The following year, he returned to Portugal and initiated a great and meteoric career in the experimentation of new forms of expression.
In 1915 Amadeo and other artists such as Santa-Rita, Fernando Pessoa and Mário de Sá-Carneiro joined to shape Orpheu, a magazine which had only two editions and is considered by many to be the exponent of Portuguese modernism. Amadeo also participated in another magazine, Portugal Futurista, which had only one edition published. In 1916, he displayed in Oporto 114 artworks with the heading “Abstraccionism”, that also was displayed in Lisbon, one and another with newness and some scandal. Cubism was in expansion throughout Europe and was an important influence in his analytical cubism. Amadeo de Souza Cardoso explored expressionism and in his last works he tried new techniques and other forms of plastic expression.
In 1925, a retrospective exhibition in France of the painter’s artwork was well received by the public and critics. Ten years later in Portugal, an award was created to distinguish modern painters: the Souza-Cardoso prize.
Amadeo de Souza Cardoso's ink drawings, decorative but always figurative, bear a relationship to those of Aubrey Beardsley. After his death, his work remained almost unknown until 1952, when a room dedicated to his paintings in Amarante Museum gained the public's attention».
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Eduardo Viana (1881-1967)

Louça de Barcelos (1915, MNSR).
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Pousada de Ciganos (c. 1923, MNAC).
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Composição (1947, Museu José Malhoa).
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Nascido em Lisboa, Eduardo Viana fez fez o curso das Belas-Artes, onde se matriculaou em 1896, tendo como mestre Veloso Salgado. Partiu depois para Paris (1905), onde foi discípulo de J. P. Laurens. Durante alguns anos frequentou as Academias Livres e viajou pela Inglaterra, Holanda e Bélgica (1910). Apesar de ainda estar em Paris, fez parte da Exposição Livre de 1911, só regressando a Portugal com o eclodir da Primeira Grande Guerra (1914). Inspirando-se inicialmente em Cézanne, foi sob a influência do casal Delaunay que efectuou as obras de maior modernidade, interessando-se então por temáticas populares. Realizou três exposições individuais (1920, 1921 e 1923) e organizou o primeiro Salão de Outono (1925). Além de temas figurativos, pintou paisagens que se destacam pela forma modernizante com que foram executadas, salientando-se A Pousada dos Ciganos. Também representou vistas de Sintra, do Algarve e do Porto. Voltou depois a Paris, onde residiu, passando pela Bélgica, até 1940. De novo em Portugal, mais uma vez devido à Guerra, dedicou-se sobretudo ao tema da natureza-morta.
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As a rather reluctant student at the old-fashioned Academy of Fine Arts in Lisbon, it was only in Paris – where he moved in 1905 – that Eduardo Viana found his vocation as a painter. In Paris, he attended the Académies Libres and travelled to England, Holland and Belgium (1910), before returning to Portugal at the outbreak of the First World War. Initially finding inspiration in Cézanne, it was under the influence of Sonia and Robert Delaunay that he painted his most modern works, particularly during the period he lived with the artists at Vila do Conde in northern Portugal. In the 1920s, he perfected his own style, characterised by a wealth of colours and distortions of perspective, again under the influence of Cézanne. Having been one of the leading landscape painters of the first wave of Portuguese modernism, his later work focused on still-life paintings which were very elaborate in terms of composition, attempting not to represent the objects accurately, but rather their pictorial equivalents.
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Bibliografia / Bibliography:
Fernando Dias, Ecos Expressionistas na Pintura Portuguesa (1910-1940), FCSH-UNL, 1996; José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XX, 1911-1961, Lisboa, Bertrand Editora, 1991; Rui Mário Gonçalves, 100 Pintores Portugueses do Século XX, Lisboa, Publicações Alfa, 1986; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. XXXIV, Lisboa e Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Lda, [1956], p. 894; Raquel Henriques da Silva, «Sinais de Ruptura: “Livres e Humoristas”», in História da Arte Portuguesa, Do Barroco à Contemporaneidade, Temas e Debates, 1995, pp. 369-405.