segunda-feira, 11 de abril de 2011

Domingos Sequeira (1768-1836)

São Bruno em Oração (1799-1800, MNAA).
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Coroação da Virgem (c. 1830, MNAA).
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Domingos António do Espírito Santo nasceu em Belém, em 1768. O nome Domingos Sequeira  foi adoptado com cerca de dezassete anos de idade e vinha de um padrinho rico que tinha esse apelido. Frequentou, em Lisboa, a Aula de Desenho "do Rocha" e pintou tectos de palacetes. Foi protegido pela família Marialva, conseguindo de João António Pinto da Silva, guarda-jóias da rainha, uma pensão para ir a Roma, em 1788. Nessa cidade foi aluno de Cavallucci, Della Picola e Domenico Corvi. Em 1793, foi admitido como académico de mérito na Academia de São Lucas. No regresso a Portugal, viajou por Florença, Milão e Veneza, onde apreciou as obras de Tiépolo e Veronese. Chegou a Portugal entre 1795 e 1796, onde recebeu algumas encomendas, entre as quais os desenhos para o Álbum da Sopa de Arroios. Contudo estava desalentado com o pouco apreço que recebia, entrando como noviço no Convento das Laveiras, da Ordem dos Cartuxos, onde ficou durante três anos. Em 1802 saiu do Convento e foi nomeado «primeiro pintor da camara e da corte», passando a dirigir as pinturas da Ajuda. Em 1805, foi nomeado para a direcção da Academia portuense, mas foi forçado a regressar a Lisboa devido às invasões francesas. Aderiu ao liberalismo e depois da Revolução Liberal fez o retratos dos constituintes e uma Alegoria à Constituição. Contudo, com o regresso ao absolutismo, decidiu abandonar Portugal, viajando para Londres e Paris. Em 1825, foi para Roma onde acabou por falecer, cerca de dez anos depois.
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Bibliografia: José Fernandes Pereira, «O Neoclássico», in História da Arte Portuguesa, Vol. III, Temas & Debates, 1995.
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For the biography in english, please follow the link to Wikipedia.

domingo, 20 de março de 2011

Vieira Lusitano (1699-1783)





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Francisco Vieira de Matos, conhecido como Vieira Lusitano, foi o terceiro filho de Francisco Vieira de Matos (fabricante de meias) e de Antónia Maria. Frequentou a Quinta da Boa Vista (Carnide), onde funcionavam algumas academias literárias. Nessa quinta conheceu Inês Helena de Lima e Melo, que seria a sua mulher. Entretanto, em Lisboa estudou humanidades e pintura, talvez com André Gonçalves. No Paço Real, em 1711, conheceu o marquês de Fontes, D. Rodrigo Annes de Sá, que seria seu protector e que o levou para Roma, em 1712, inserido numa embaixada. Em Roma, teve aulas com Benedetto Lutti e Francesco Trevisani. Em 1719, regressou a Lisboa e ingressou na irmandade de S. Lucas, sendo contratado por D. João V. O casamento com Inês Helena teve a oposição da família da noiva, realizando-se em segredo, em 1720. A noiva foi enclausurada no convento de Santa Ana e o pintor acabou por rapta-la em 1728. Em 1732-1733 foi a Sevilha onde trabalhou para Filipe V e, em 1733, foi nomeado pintor régio de D. João V, passando a viver em Mafra, com a mulher. Recebeu a ordem de cavaleiro de S. Tiago, no ano de 1744. Abandonou a pintura em 1774, depois da morte da mulher, mas, em 1780, ainda foi nomeado director da Academia do Nu. Ingressou no convento do Beato a Xabregas, escrevendo uma autobiografia. Vieira Lusitano foi um pintor prolixo e correcto, seguindo o modelo clássico italiano.
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Francisco Vieira de Matos, known as Vieira Lusitano was one of the most important portuguese painters of the XVIII century, whose work is not very creative, but numerous and correct. He studied in Lisbon and in Rome, with Benedetto Lutti and Francesco Trevisani. In Portugal, he worked for the  king D. João V.
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Bibliografia / Bibliography: José Fernandes Pereira, «O barroco do século XVIII», in Paulo Pereira (Dir.), História da Arte Portuguesa, Vol. III, Temas & Debates, 1995, pp. 135-137.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Cristovão de Figueiredo (séc. XVI)


 


Deposição no Túmulo (1525-1535, MNAA) - Cristo Deposto da Cruz (c. 1530, Patriarcado, Lisboa) - Ecce Homo (1520-1530, MNAA)  - Santíssima Trindade (c. 1530, MNSR) - O Imperador Heráclio com a Santa Cruz ou Exalçamento da Santa Cruz (1522-1530, MNMC)
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Segundo a Infopédia: «Pintor do século XVI do qual se têm referências documentais de 1515 a 1643. Trabalhou a mando do cardeal-infante D. Afonso e celebrizou-se por pintar quadros sacros ricos em colorido e dramatismo. Influenciado pelas correntes estéticas florentinas e flamengas, trouxe para a pintura portuguesa uma opulência inusitada. Dos seus quadros destacam-se A Deposição de Cristo no Túmulo e A Invenção da Cruz (retábulo da Igreja de Santa Cruz), os retábulos do Infante Santo (Mosteiro da Batalha) e o de Ferreirim. Especializou-se na reconstituição dos passos da Paixão, onde os rostos ganham expressividade notável. Por isso, é considerado um dos melhores retratistas portugueses». 
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Cristóvão de Figueiredo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-02-20]
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Cristovão de Figueiredo (died c.1540) was a Portuguese Renaissance painter. Like many other important painters of the time, was a pupil of Jorge Afonso, in Lisbon. He later worked together with Francisco Henriques, Garcia Fernandes and Gregório Lopes in executing various altarpieces in Lisbon. Between 1522 and 1533, worked in the Santa Cruz Monastery in Coimbra and, in 1533,  joined Garcia Fernandes and Gregório Lopes in painting altarpieces for the Monastery of Ferreirim, (near Lamego). Many of his paintings are now in the National Museum of Ancient Art (Lisbon) and the Machado de Castro Museum (Coimbra).
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sábado, 22 de janeiro de 2011

Baltazar Gomes Figueira (1604-1674)

Natureza-morta (1640-1650, Museu Grão Vasco)
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 Círculo de Baltazar Gomes Figueira, Natureza-morta com peixes e camarões (Museu de Évora)
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Nature morte au poisson (Museu do Louvre, Paris)
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Calvário (1636, Igreja da Santa Casa da Misericórdia
Peniche)
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Descanso na fuga para o Egipto (Palácio nacional de Sintra)
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Baltazar Gomes Figueira, pai de Josefa de Óbidos, foi  famoso no seu tempo como pintor de naturezas-mortas (os chamados bodegones) e de paisagens (ao tempo denominados países). Beneficiou de uma educação artística em Sevilha, onde o convívio com Herrera el Viejo, Francisco de Zurbarán, Juan del Castillo, Francisco Pacheco e outras notoriedades do tempo lhe permitiram aprofundar conhecimentos e exercitar-se em géneros picturais onde cedo se tornaria um verdadeiro especialista. O seu nome surgiu no tratado de Félix da Costa Meesen, que o elogiou como «o sevilhano que nos paizes foi famozo».
Sabe-se que Baltazar foi funcionário da Casa de Bragança, instalando-se amiúde na corte de D. João IV e de D. Afonso VI, aí prestando serviços diversos e exercendo a sua arte. Ele serviu o rei como «funcionário do Estado de Bragança», ocupando-se, para além da pintura, com funções de vistoria nos Paços Reais e de inventariação dos seus recheios.
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Texto baseado na biografia que se encontra no site do Município de Óbidos.
Para saber mais, ver ainda o artigo: Vera Valentim, Baltasar Gomes Figueira volta à “sua” vila medieval.
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Baltazar Gomes Figueira, father of the painter Josefa de Óbidos, was a great painter of the seventeenth century. He studied in Sevilla with Herrera el Viejo, Francisco de Zurbarán, Juan del Castillo and Francisco Pacheco, becoming a specialist in the genre of still lifes and landscapes. When he returned to Portugal, he lived in Óbidos, but he also worked for the portuguese kings D. João IV and D. Afonso V.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Josefa de Ayala, dita Josefa de Óbidos (1630-1684)

O Menino Jesus Salvador do Mundo (c. 1660-1679, MNAA).
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Anunciação (1676, MNAA).
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Cordeiro Pascal (c. 1660-70, Museu Regional Évora).
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Josefa de Óbidos, nascida Josefa de Ayala Figueira (Sevilha, Fevereiro de 1630 - Óbidos, 22 de Julho de 1684), foi uma pintora nascida na Espanha que viveu e produziu em Portugal. Era filha de Baltazar Gomes Figueira, pintor português natural de Óbidos, com obra em Évora, que fora trabalhar em Sevilha, onde veio a desposar D. Catarina de Ayala Camacho Cabrera Romero, natural da Andaluzia. Josefa foi apadrinhada pelo pintor Francisco Herrera, El Viejo. Em 1634, quando tinha apenas quatro anos de idade, os pais de Josefa regressam a Portugal, onde se vieram a estabelecer na Quinta da Chapeleira, em Óbidos, quando ela já tinha seis anos de idade. Ali se educou, manifestando desde cedo, vocação para a pintura e para a gravura em metal, em lâminas de cobre e prata, num género denominado como pontinho. Em 1653, aos 19 anos de idade, fez a gravura da edição dos Estatutos de Coimbra. Trabalhou em seguida como pintora para diversos conventos e igrejas. Ficou sobretudo conhecida pelas pinturas religiosas, nomeadamente algumas que figuram o Menino Jesus, mas também pelas naturezas mortas, mostrando uma clara inspiração na pintura tenebrista do seu tempo.
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Josefa de Óbidos (1630–1684) was a Spanish-born, Portuguese painter from the seventeenth century. Her birth name was Josefa de Ayala Figueira, but she signed her work as, "Josefa em Óbidos" or, "Josefa de Ayalla". She was born in Seville, Spain. Her father, Baltazar Gomes Figueira, was a Portuguese painter from the village of Óbidos. He went to Seville in the 1620s to improve his painting technique and, while there, married Catarina de Ayala y Cabrera, a native Andalusian, who would become the mother of Josefa. The family returned to Portugal in 1634. They first settled in Peniche, where Baltazar continued his work as a painter. It is known that by 1644, at the age of fourteen, Josefa, was in Coimbra in the Convent of The Grace (Convento da Graça), where her father painted the main altarpiece of the church. Josefa's first known works are engravings, executed in 1646. Sometime before 1653, she and her family left Coimbra and settled in Óbidos. While in Óbidos, she drew an allegory of Wisdom for the Book of Rules of the University of Coimbra, which was being decorated by her father. Highly esteemed as a painter by that time, her father Baltazar is considered to be the main influence upon her. He possessed a great number of engravings among his collection that made Josefa familiar with the art of her time.
During the decades that followed, Josefa executed several religious altarpieces for churches and convents in central Portugal, as well as, paintings of portraits and still-life for private customers. Among her chief religious works are the five panels for the Saint Catherine altarpiece of the Church of the Holy Mary (Santa Maria) in Óbidos, in 1661. During 1672-1673 she painted the altarpiece of Saint Theresa of Ávila for the Carmelite Convent of Cascais. In 1679 she completed an altarpiece for the Church of the Mercy of Peniche. Her best known portrait is that of Faustino das Neves, dated c.1670, which is in the Municipal Museum of Óbidos. Many of her still-life paintings, considered her specialty, are among other works by her that are now in the National Museum of Ancient Art in (Lisbon). Her work appears in several other museums and as well as in private collections.
In Wikipedia

Para saber mais:
Vítor Serrão, «Josefa de Ayala ou o Elogio da Inocência».

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mário Eloy (1900-1951)

Auto-retrato (1928, MNAC).
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Lissabon (1930-1931, CAM).
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Bailarico no Bairro (c. 1936, MNAC).
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«Mário Eloy (1900 – 1951 Mário Eloy de Jesus Pereira), justamente considerado como um dos artistas portugueses mais marcantes do século XX, nasceu a 15 de Março de 1900, em Algés, Lisboa. (...) Em 1913, abandonou o Liceu e matriculou-se na Escola de Belas-Artes de Lisboa, onde apenas permaneceu dois anos, insatisfeito com o ensino tradicional que aí se ministrava.
(...) Nos finais de 1918, ou princípios de 1919, Eloy, rebelando-se contra a imposição familiar de um emprego como bancário (o irmão, Raul, fora indigitado para “cuidar dos oiros” da Casa Eloy de Jesus) fugiu para Madrid onde, no Museu do Prado, encontrou um universo artístico que o desassossegou ao ponto de decidir o seu futuro: ser artista. (...) Augusto Pina, cenógrafo amigo da família, convenceu-o a voltar, prometendo-lhe trabalho no atelier do Teatro D. Maria II, em Lisboa, onde se exercitou nas técnicas do desenho. O contacto com o meio teatral, que lhe era familiar e que possuía uma enorme vitalidade criativa, convinha às suas ambições artísticas, (chegou a representar com Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro na peça “A Ribeirinha” que estreou no Politeama em 1923) (...). As suas primeiras experiências como pintor foram retratos de amigos, como a actriz Maria Helena Andrade, (...). 
Em 1924 expôs pela primeira vez, juntamente com Alberto Cardoso, no Salão de Ilustração Portuguesa do jornal O Século e, em 1925, participou no 1º Salão de Outono da Sociedade Nacional das Belas com obras onde eram ainda visíveis a influência de Columbano, de Zuloaga e do seu mentor Eduardo Viana. Nessa altura entrou em contacto com António Ferro, (...) que, em 1925, criou o “Teatro Novo”, no salão de chá do novo cinema Tivoli, tendo encomendado o pano a Mário Eloy. A decoração foi entregue a Pacheko e os cenários a Leitão de Barros. No mesmo ano, Eloy pintou um retrato de Ferro e fez desenhos de amigos e pessoas importantes e influentes, no panorama cultural português. O controverso retrato do bailarino Francis (1925) foi apresentado no I Salão dos Independentes de 1930, onde estavam incluídos os artistas da aventura modernista portuguesa e cujo catálogo tinha capa desenhada por Almada Negreiros.
Em 1925, Eloy abandonou Portugal e partiu para Paris (...). Em 1927 expôs em conjunto com a artista russa Hélène Puciatieka e com o austríaco Erwin Singer na galeria Au Sacre du Printemps. A exposição foi repetida na Chez Fast, a título individual. (...) Em Paris, Eloy teve contacto com o Cubismo de Braque e Picasso, foi comparado a Van Dongen e profundamente influenciado pela corrente Expressionista mas não chegou a ser tocado pelo Surrealismo que, tendo começado por ser um movimento literário, estava a contaminar rapidamente outras manifestações artísticas como as Artes Plásticas e o Cinema.
No final de 1927, Mário deixou Paris, rumo a Berlim. Nesta cidade – onde foi escolhido para a Sociedade de Artistas Plásticos, tendo-se tornado o único estrangeiro inscrito – conheceu Theodora Elfriede Laura Severin, (Dora), com quem casou no dia 31 de Janeiro de 1929, poucos dias depois do nascimento do filho, Mário António Horslt Eloy Jesus Pereira. A família instalou-se na Kurfurstendam Strasse, nº 141, enquanto o pintor trabalhava num atelier na Shuter Strasse, 25 (...).
Algumas das obras que produziu nesse tempo foram enviadas para Lisboa e expostas no Sindicato dos Profissionais de Imprensa, em 1928. (...) Em 1930 expôs oito obras, quatro pinturas e quatro desenhos no I Salão dos Independentes em cujo catálogo professava o seu desejo de “ter na cabeça pincéis em vez de cabelos”, o que seria a situação ideal para “não desvirtuar a intenção no acto de pintar”, na “procura da síntese na forma”. O pintor transmitia assim a sua ansiedade quanto ao desejo de um imediatismo e de uma pureza do gesto, no acto criador.
(...) Entretanto, Mário colaborou na revista Der Querschnitt que contava, nas suas fileiras, com Picasso, Jean Cocteau e Grosz.  
Sempre inquieto e insatisfeito, Eloy viajou entre Berlim e Lisboa várias vezes e, em 1933 regressou a Portugal de vez. Retomou os seus hábitos lisboetas e reatou uma antiga relação com a actriz Beatriz Costa. Dora (que nunca se adaptou a Portugal) e o filho continuaram a viver na Alemanha (...).
Durante os anos trinta, Mário Eloy atingiu o seu apogeu como artista. Experimentou formas e cores, desenvolveu novas técnicas e revelou uma inclinação para temas marcados pela alegoria (“Amor” – 1935, “A Fuga” - 1938-39  e “O Poeta” - 1938). Retratou personalidades do meio artístico português como Abel Manta, António Pedro, Diogo de Macedo e João Gaspar Simões, pintou bailarinas russas e desenhou cenas do quotidiano, bailes populares, o casario de Lisboa e bordéis, lugares de eleição de artistas que aí se sentiam à vontade, longe dos constrangimentos familiares e sociais.
Data de 1934 a sua única obra abstracta conhecida, um óleo sobre tela intitulado “Komposição” (Natureza-Morta).  
A partir de 1938 e agravada em 1939, a temática de Eloy evoluiu para um inclinação ferozmente crítica, catastrófica e decadente, a prenunciar tempos sombrios, marcados pela doença de Huntington (ou Coreia), que lhe foi diagnosticada em 1940. O deflagrar da Guerra na Europa foi outro factor de grande instabilidade psicológica. Em 1939 Dora e o filho tiveram de fugir para a Checoslováquia e depois para a Holanda onde se acolheram em casa da mãe de Dora, após a invasão do território checo pelas tropas alemãs.
A esperança pareceu, então, abandonar Eloy. Pintou violinistas e anjos como Chagall (que passou por Lisboa tal como Léger, Lipchitz, Zadkine e Kisling entre 1940 e 1941) e mostrou um lado obscuro de Lisboa, com os seus pobres a pedir e burgueses gordos e ridículos, como as imagens caricaturais de Grosz. (...) 
Até ao internamento no Hospital do Telhal, em 1942, os sinais de uma degradação gradual são bem visíveis. Eloy pintava pouco e quando o fazia era com a intenção expressa de ganhar dinheiro. Sempre carente de fundos, recorreu ao desenho quando não tinha dinheiro para telas, pincéis e tintas mas continuou sempre a afirmar, orgulhosamente, a sua condição de artista. (...) Morreu a 5 de Setembro de 1951, depois de uma agonia em que, gradualmente, todas as faculdades o foram abandonando, mal se apercebendo de que, no ano anterior, duas das suas obras, “Auto-Retrato” e “Jeune Homme” tinham sido escolhidas para a Bienal de Veneza (no ano da sua morte foi escolhido para a Bienal de S. Paulo). Não chegou a conhecer a fama que procurava. (...)
Mário Eloy foi um autodidacta como Amadeo, Cristiano Cruz, Almada, Viana, Botelho e Bernardo Marques.(...)»
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«Mário Eloy (15 March 1900 – 5 September 1951) was a Portuguese expressionist painter.
Eloy was born in Lisboa. His style shows the influence of painters like van Gogh, Picasso and, mostly, from the German expressionist painting, that he admired during his staying in Germany, from 1927 to 1932, specially Carl Hofer.
After returning to Portugal, he become the best representative from expressionism in the Portuguese painting. Some of his latter works, like "Enterro" (c. 1940), in his references, seems to anticipate the surrealism painting in Portugal.
He had to leave painting due to a serious mental disease, in 1944, and he spent the rest of his life in a mental institution at Rio do Mouro, where he died».
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domingo, 7 de novembro de 2010

Miguel Ângelo Lupi (1826-1883)


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Miguel Ângelo Lupi foi um pintor português de ascendência italiana pela parte paterna. Frequentou o curso de pintura da Academia de Belas-Artes de Lisboa, onde foi discípulo de António Manuel da Fonseca. Apesar de ter participado em 1843 na segunda exposição trienal da Academia, foi desviado da arte por imposição familiar. Frequentou então a Escola Politécnica e, entre 1849 e 1860, trabalhou no funcionalismo público. Mesmo durante este tempo, Lupi continuou a pintar, recebendo em 1860 uma encomenda que lhe trouxe o êxito: um retrato de D. Pedro V, para o Tribunal de Contas. Foi depois disso que, com a protecção do Marquês de Sousa Holstein, obteve uma bolsa de estudo para Roma, onde ficou até 1863, dedicando-se à pintura de História. No regresso a Lisboa passou por Paris, cidade  onde voltou em 1867. Entretanto foi nomeado professor de desenho da Academia de Belas-Artes (1864) e depois colocado interinamente como professor de pintura de História (1867), cargo do qual veio a ser provido definitivamente em 1868. O seu ensino mostrou-se renovado numa forma eclecticamente actualizada.
Em 1878, Delfim Guedes, vice-inspector em substituição de Sousa Holstein, foi encarregado pelo ministro José Luciano de Castro a apresentar um projecto de reforma da Academia. Este consultou os professores e Lupi compôs um projecto, que publicou em 1879, intitulado de Indicações para a reforma da Academia Real de Belas Artes de Lisboa, onde se salientava a importância pedagógica dos Museus no ensino artístico. Tratava-se de um documento  que previa três graus de ensino: elementar, de aplicação à indústria e superior, e ainda a criação de estudos teóricos de história da arte e de estética. Segundo a sua proposta, era na escola superior que se encontravam os estudos de arquitectura, escultura e pintura.
Lupi teve o momento alto da sua carreira nos anos de 1870, tendo exposto na Sociedade Promotora das Belas-Artes, no Salon de Paris (1866, 1867 e 1875), em Londres (1867), Madrid (1871) e Rio de Janeiro (1879). Foi condecorado coma Grã-Cruz da Ordem de Santiago e de Cristo. Cultivou a pintura de História, mas foi no retrato que mais se destacou. A paisagem também foi abordada, mas com pouco êxito, pintando ainda cenas de interior e temas de trabalho.
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Miguel Ângelo Lupi (Lisbon, May 8, 1826 - Lisbon, February 26, 1883) was a Portuguese Romantic painter. He was a professor of historical painting at the Academy of Fine Arts in Lisbon.
In some of his finest portraits, like the Portrait of the Duke of Ávila and Bolama (1880), at the Chiado Museum, in Lisbon, his work, probably because of his knowledge of the French Realist and Naturalist painters, like Courbet, deviate from his Portuguese contemporaries, approaching the new trends of his time. Despite the fundamental lines of his work, focusing on the portrayal of the rich and famous, Lupi also painted interior scenes, scenes of family life and themes of historic nature, as the Marquis de Pombal at work examining the project of reconstruction of Lisbon. (Wikipedia)
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Bibl. 
Miguel Ângelo Lupi, Evocação no Centenário da sua Morte nas colecções do museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa, 1983.
FRANÇA, José-Augusto, A Arte em Portugal no Século XIX, 3.ª ed., 2 volumes, Lisboa, Bertrand Editora, 1990.
SILVEIRA, Maria de Aires, TAVARES, Cristina Azevedo, Miguel Ângelo Lupi – 1826 / 1883, Lisboa, Museu do Chiado, (28/2-26/5) 2002.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

José Simões de Almeida (1844-1926)





D. Sebastião (1877, MNAC) - Puberdade (1877, MNAC) - O Malmequer (1872, MNAC) - Estátua do Duque da Terceira (1877, Cais do Sodré, Lisboa).
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José Simões de Almeida foi um escultor português que foi aluno de Vítor Bastos. Em 1866, tornou-se no primeiro pensionista de escultura em Paris, juntamente com Soares dos Reis, frequentando o curso de Jouffroy e as aulas de Mercié. Passou também por Roma, regressando a Portugal, em 1872. Foi professor de desenho da Escola de Belas-Artes de Lisboa e posteriormente tornou-se professor de escultura da mesma Escola. Participou na exposição de Paris de 1878 e nas exposições do Grémio Artístico, onde recebeu uma medalha de honra em 1894.
A sua obra pode inserir-se num pré-naturalismo, sendo o autor de D. Sebastião, obra que o tornou famoso em 1874. Colaborou com Alberto Nunes no monumento aos Restauradores, tendo sido ele o autor do Génio da Liberdade. Em 1887, trabalhando em colaboração com o arquitecto José António Gaspar, foi o autor da Estátua do Duque da Terceira. Fez também grupos escultóricos para a fachada do Palácio Castelo Melhor.
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José Simões de Almeida was a Portuguese artist that studied with Vítor Bastos. In 1866, he went to Paris to study sculpture, becoming a pupil of Jouffroy and Mercié. Spending some time in Rome, he returned to Portugal in 1872. He worked at the Lisbon Academy of Art, where e teached drawing and sculpture. One of his best works is D. Sebastião (1874).
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Bibliografia / Bibliography:
José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XIX, Vol. I e II, Lisboa, Bertrand Editora, 1990.