domingo, 19 de maio de 2024

Fernando Lemos (1926-2019)

Eu (Auto-Retrato) (1949, Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Lisboa)
Luz Teimosa (1949, Colecção Berardo)
-
Série 1 - n.º 8 (1960, Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Lisboa)
-
Série Memórias n.º 9 (1983, Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Lisboa)
-
Sem Título (1997, fot. Horst Merkel, in Enciclopédia Itaú Cultural)
-
José Fernandes de Lemos nasceu, em Lisboa, em 1926, e morreu a 18 de dezembro de 2019 em São Paulo, no Brasil. A sua atividade abarcou diversas áreas de expressão artística, como a pintura, desenho, fotografia, gravura, artes gráficas e poesia. Estudou pintura e litografia na Escola de Artes Decorativas António Arroio e, depois, pintura na Sociedade Nacional de Belas Artes, de Lisboa. Aos 18 anos começou a trabalhar como desenhador de publicidade. A sua actividade na fotografia decorreu sobretudo a partir de 1946, recorrendo a processos utilizados na fotografia surrealista (sobreposição, dupla exposição, manipulação do negativo, solarização, entre outros). Expôs pela primeira vez na Casa Jalco (1952), em Lisboa, conjuntamente com Marcelino Vespeira e Fernando Azevedo;  em 1953, na Galeria de Março, também em Lisboa, expôs individualmente o seu trabalho fotográfico na mostra Fotografia de Várias Coisas. Em 1953, descontente com o regime salazarista, mudou-se para São Paulo (Brasil), naturalizando-se brasileiro cerca de 1960.  Dedicou-se então à pintura, ilustração, tapeçaria e ao design. Em 1955, ganhou o prémio viagem da Fundação Bienal de São Paulo (3.a Bienal) e viajou pela Europa. Em 1962, recebeu uma bolsa de estudos para o Japão, patrocinada pela Fundação Calouste Gulbenkian. Na sua atividade como poeta e escritor integrou a redação do jornal Portugal Democrático, dedicado aos exilados políticos no Brasil, entre 1955 e 1975. Dedicou se, também, à escrita de poesia e, em 1985, publicou o livro intitulado Cá & Lá. Na pintura, evoluiu do abstracionismo geométrico (anos 70) para uma pintura enraizada na fantasia e no lirismo. Auferiu o Prémio Anual de Fotografia, concedido pelo Centro Português de Fotografia (Porto), em 2001. Representado em diversas colecões nacionais e internacionais, «permanecerá na história da arte portuguesa do século XX, como um dos seus representantes mais vanguardista, multifacetado e talentoso» (Emília Tavares).
-
Porto Editora – Fernando Lemos na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2024-05-19 10:59:40]. Disponível em https://www.infopedia.pt/$fernando-lemos; Emília Tavares, in MNAC, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado [http://www.museuartecontemporanea.gov.pt/pt/artistas/ver/84/artists]
-
José Fernandes de Lemos was born in Lisbon in 1926 and died on December 18, 2019 in São Paulo, Brazil. His activity encompassed several areas of artistic expression, such as painting, drawing, photography, engraving, graphic arts and poetry. He studied painting and lithography at the Escola de Artes Decorativas António Arroio and, later, painting at the Sociedade Nacional de Belas Artes, in Lisbon. At the age of 18 he began working as an advertising designer,. His activity in photography took place mainly from 1946 onwards, using processes used in surrealist photography (superimposition, double exposure, negative manipulation, solarization, among others). He exhibited for the first time at Casa Jalco (1952), in Lisbon, together with Marcelino Vespeira and Fernando Azevedo. In 1953, at Galeria de Março, also in Lisbon, he exhibited his photographic work individually in the Photography of Various Things exhibition. Also in 1953, unhappy with the Salazar regime, he moved to São Paulo (Brazil), becoming a naturalized Brazilian around 1960. He then dedicated himself to painting, illustration, tapestry and design. In 1955, he won the São Paulo Biennial Foundation's travel prize (3rd Biennale) and traveled across Europe. In 1962, he received a scholarship to Japan, sponsored by the Calouste Gulbenkian Foundation. In his activity as a poet and writer, he was part of the editorial staff of the newspaper Portugal Demático, dedicated to political exiles in Brazil, between 1955 and 1975. He also dedicated himself to writing poetry and, in 1985, published the book entitled Cá & Lá. In painting, he evolved from geometric abstractionism (70s) to a painting rooted in fantasy and lyricism. He won the Annual Photography Prize, granted by the Portuguese Photography Center (Porto), in 2001. Represented in several national and international collections, «he will remain in the history of Portuguese art of the 20th century, as one of its most avant-garde, multifaceted and talented representatives » (Emília Tavares).

domingo, 28 de abril de 2024

José Pacheko (1885-1934)

Sem Título (1913, Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa)
-
Sem Título (1913, Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa)
-
Capa do n.º 1 da revista Orpheu (1915)
-
Capa do livro Céu em fogo, de Mário de Sá Carneiro (1915)
-
Projeto para Igreja de Santo António do Monte (Murtosa) (Atlântida, n.º 18, 15 de Abril de 1917)
-
José Rosa dos Santos Pacheco (José Pacheko, 1885-1934), nasceu em Lisboa em 24 de Abril de 1885.  Fez o curso de arquitectura na Escola de Belas-Artes de Lisboa e foi aluno de um curso livre ministrado pelo arquiteto Norte Junior. Residiu em Paris entre 1911 e 1913 e, de novo, em 1914, com sua esposa (Maria Etelvina Lobo dos Santos e Silva), em casa do pintor Amadeo de Souza-Cardoso. Com uma obra que se liga ao Modernismo, coloborou em jornais e revistas como ilustrador, desde O Ocidente (1915.1917), tendo dirigido artisticamente a revista monárquica A Ideia Nacional (1916); em 1915, participou no primeiro número da revista Orpheu, desenhando a capa. Em 1917, no número único da revista Portugal Futurista, assinou, juntamente com Almada Negreiros e Ruy Coelho um manifesto de apresentação dos Bailados Russos de Diaghilev. Entre 1922 e 1926, dirigiu a revista Contemporânea. Participou em exposições, desde 1915, na Exposição de Humoristas e Modernistas (Porto), e em 1920 na III Exposição dos Humoristas (Lisboa). Em 1916, expôs na Galeria das Artes no Salão Bobone (Lisboa). Em 1925 e 1926, teve um papel preponderante na escolha dos artistas convidados a decorar o café a A Brasileira (onde ele próprio participou com uma pintura) e o Bristol Club (Lisboa). Participou no I Salão de Outono, organizado por Eduardo Viana (1925) e organizou o II Salão, em 1926, em nome da Contemporânea. Participou no I Salão dos Independentes (1930). Exerceu igualmente como arquitecto, tendo elaborado projectos para diversos edifícios, e participado em concursos para monumentos.
-
Fonte: «José Pacheko», in Wikipédia [https://pt.wikipedia.org/wiki/José_Pacheko]. Cf. também: Rui Mãrio Gonçalves, «José Pacheco (1885-1934)», in Modernismo [https://modernismo.pt/index.php/j/225-jose-pacheco-1885-1934].
-
José Rosa dos Santos Pacheco (José Pacheko, 1885-1934), was born in Lisbon on April 24, 1885. He studied architecture at the Lisbon School of Fine Arts and was a student on a free course taught by the architect Norte Junior. He lived in Paris between 1911 and 1913 and, again, in 1914, with his wife (Maria Etelvina Lobo dos Santos e Silva), in the house of the painter Amadeo de Souza-Cardoso. With a work linked to Modernism, he collaborated in newspapers and magazines as an illustrator, since O Ocidente (1915.1917), having artistically directed the monarchical magazine A Ideia Nacional (1916); In 1915, he participated in the first issue of the Orpheu magazine, designing the cover. In 1917, in the single issue of the magazine Portugal Futurista, he signed, together with Almada Negreiros and Ruy Coelho, a manifesto presenting Diaghilev's Russian Ballets. Between 1922 and 1926, he directed the magazine Contemporânea. He participated in exhibitions, since 1915, at the Exhibition of Humorists and Modernists (Porto), and in 1920 at the III Exhibition of Humorists (Lisbon). In 1916, he exhibited at the Galeria das Artes in Salão Bobone (Lisbon). In 1925 and 1926, he had a leading role in choosing the artists invited to decorate the café A Brasileira (where he himself participated with a painting) and the Bristol Club (Lisbon). He participated in the I Salão de Outono, organized by Eduardo Viana (1925) and organized the II Salão, in 1926, in the name of Contemporânea, participated in the 1st Salão dos Independentes (1930). He also worked as an architect, having drawn up projects for various buildings, and participated in competitions for monuments.

domingo, 7 de abril de 2024

Graça Morais

Sem título (1978, CAM-FCG, Lisboa)

Série Couleurs de la Terre (1997, Galeria O Rastro, Figueira da Foz)

-
-
-
Graça Morais nasceu a 17 de Março de 1948, em Vieiro (Trás-os-Montes). Em 1966-1967, começou o curso  curso de pintura da Escola Superior de Belas Artes do Porto, concluído em 1971. Em 1970, fez uma viagem pela Europa, onde visitou Londres, Amesterdão, Roterdão e Paris, tendo desenvolvido o seu apreço por Van Gogh e Rembrandt, descobrindo também Francis Bacon - interesses artísticos que depois se foram alargando a autores de outras épocas e culturas. A sua experiência como professora, nomeadamente de Educação Visual, em Guimarães, contribu´ram também para que se interessasse pela arte infantil. Fez a primeira exposição individual em 1974, no Museu Alberto Sampaio, em Guimarães. Em 1976-1978, com oito artistas e um crítico de arte, fundou o Grupo Puzzle, com o qual, realizou exposições de pintura, instalações e performances, destacando-se a exposição no Salon de la Jeune Peinture, em Paris, em 1977. Viveu depois em Paris, omo bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo, em 1978 realizado uma exposição sobre “A Caça” no Centro Cultural Português (Paris). Em 1979, no Vieiro, aprofundou o seu interesse pelos mitos e rituais do mundo rural. Em 1983, começou a sua relação profissional com o colecionador e galerista Manuel de Brito, realizando, na Galeria 111, em Lisboa, uma exposição de pinturas e desenhos de rostos de mulheres e perdizes, com citações da Guernica de Picasso. No ano seguinte, 1984, realizou vinte pinturas/desenhos de grandes dimensões sobre lona, que viriam a ser expostas no Museu de Arte Moderna de S. Paulo, no Brasil, com o título de Mapas e o Espírito da Oliveira. Em 1986, começou a construir um atelier no Vieiro; mas a sua vida não se fixou num único lugar, tendo trabalhado em Londres, com Paula Rego (1987) e em Cabo Verde (1988); tendo ainda atelier em Lisboa. Expôs em diversos locais, dentro e fora de Portugal, incluindo, em 1992, nos Estados Unidos da América (Washington e Nova Iorque). Em 1994 e 1997 realizou duas exposições antológicas, a primeira na Galeria da Mitra, a segunda na Culturgest, em Lisboa. Ainda em 1997, inauguraram os painéis de azulejos que fez para a estação de metropolitano Bielorrússia, em Moscovo. Em 1999, a sua filha Joana Morais produziu e realizou o documentário Na cabeça de uma mulher está a história de uma aldeia, sobre a vida e obra de Graça Morais. Em 2004, a artista concebeu painéis de azulejos para a estação de Metro da Amadora e para a central eléctrica de Vilar de Frades. Três anos depois, em 2007, foi apresentado, no Porto, no Café Guarany, o livro As Metamorfoses, coautoria Agustina Bessa-Luís e Graça Morais. No ano seguinte, 2008, foi inaugurado em Bragança o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, cujo edifício é da autoria do arquiteto Eduardo Souto Moura.
-
Cf. Centro de Arte Contemporânea Graça Morais [https://centroartegracamorais.cm-braganca.pt/pages/135]
-
Graça Morais was born on March 17, 1948, in Vieiro (Trás-os-Montes). In 1966-1967, she began the painting course at the Escola Superior de Belas Artes of Porto, completed in 1971. In 1970, she took a trip to Europe, where she visited London, Amsterdam, Rotterdam and Paris, where she developed her appreciation for Van Gogh and Rembrandt, also discovering Francis Bacon - artistic interests that later spread to authors from other eras and cultures. Her experience as a teacher, namely Visual Education, in Guimarães, also contributed to her interest in children's art. She had her first solo exhibition in 1974, at the Alberto Sampaio Museum, in Guimarães. In 1976-1978, with eight artists and an art critic, she founded the Puzzle Group, with which she held painting exhibitions, installations and performances, highlighting the exhibition at the Salon de la Jeune Peinture, in Paris, in 1977. She then lived in Paris, as a fellow at the Calouste Gulbenkian Foundation, and in 1978 held an exhibition on “The Hunt” at the Portuguese Cultural Center (Paris). In 1979, in Vieiro, she deepened her interest in the myths and rituals of the rural world. Four years later, 1983, she began her professional relationship with the collector and gallerist Manuel de Brito, holding, at Galeria 111, in Lisbon, an exhibition of paintings and drawings of women's faces and partridges, with quotes from Picasso's Guernica. The following year, 1984, she created twenty large paintings/drawings on canvas, which would be exhibited at the São Paulo Museum of Modern Art, in Brazil, with the title Maps and the Spirit of the Olive Tree. In the year of 1986, she started building a studio in Vieiro; but her life was not fixed in one place, having worked in London, with Paula Rego (1987) and in Cape Verde (1988); she also has a studio in Lisbon. She exhibited in several locations, inside and outside Portugal, including, in 1992, in the United States of America (Washington and New York). In 1994 and 1997 she held two anthological exhibitions, the first at Galeria da Mitra, the second at Culturgest, in Lisbon. Still in 1997, the tile panels she made for the Belarusian metro station in Moscow were inaugurated. In 1999, her daughter Joana Morais produced and directed the documentary In the head of a woman is the story of a village, about the life and work of Graça Morais. In 2004, the artist designed tile panels for the Amadora Metro station and the Vilar de Frades power station. Three years later, in 2007, the book As Metamorfoses, co-authored by Agustina Bessa-Luís and Graça Morais, was presented in Porto, at Café Guarany. The following year, 2008, the Graça Morais Contemporary Art Center was opened in Bragança, in a building designed by architect Eduardo Souto Moura.
-
Cf. Centro de Arte Contemporânea Graça Morais [https://centroartegracamorais.cm-braganca.pt/pages/135#]

domingo, 10 de março de 2024

Leandro Braga (1839-1897)

Cadeira da Presidência da Câmara dos Pares (1866, Assembleia da República)
-
Aparador monumental (1879, Sala de Jantar da Rainha, Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa*)
-
Escultura para o restaurante Leão de Ouro (1885, Rua 1.º de Dezembro, Lisboa - cf. https://www.pl7885.dev/LPIX85)
-
Sala de Jantar da época Luís XIV (1891, Palácio Foz, Lisboa - cf. https://www.flickr.com/photos/biblarte/)
-
Fogão de Sala (c. 1894, Casa Biester, Sintra*)
-
Leandro de Sousa Braga nasceu em Braga a 22 de março de 1839, e faleceu em Lisboa a 6 de abril de 1897. Era filho de André de Sousa Braga, armador de igrejas. Desde criança que mostrava vocação para a escultura, acompanhando o seu pai às igrejas onde este trabalhava. Foi para Lisboa em 1853, com catorze anos de idade, entrando como aprendiz na oficina de entalhador Inácio Caetano, tornando-se oficial ao fim de três anos de aprendizagem. Foi nessa época que executou a decoração da tribuna do teatro de S. Carlos. Em 1862, passou para o atelier do escultor Anatole Calmels, que então trabalhava na execução do Arco Triunfal da Praça do Comércio, onde Leandro Braga colaborou. Nesta época estava a ser construída a sala da Câmara dos Pares, e sendo o escultor Calmels encarregado do modelo para o dossel do trono, a execução em madeira foi realizada por Leandro Braga. Depois executou por modelo próprio a cadeira presidencial do trono. Abriu um atelier na calçada do Combro, que foi visitado pelo rei D. Fernando, que lhe encomendou alguns trabalhos. Desde essa época, executou obras de talha de grande importância, como a decoração da casa de jantar, do Palácio da Ajuda, encomenda de D. Maria Pia, que também lhe encomendou a obra de talha do seu atelier e do seu boudoir. Nas festas do centenário de Camões, em 1880, decorou o carro das Ciências, e no do marquês de Pombal, em 1882, o das Artes. Por ocasião do casamento de D. Carlos, decorou algumas salas do palácio de Belém, e executou o leito nupcial, em estilo Luís XV. Também foi o autor das decorações e da mobília da casa de jantar, estilo século XVI, do conde de Cabral; do chalé dos duques de Palmela em Cascais; da escada e gabinete Renascença, da sala de baile e da sala Luís XVI do palácio Foz; bem como, do salão, da casa de jantar, dum gabinete e da capela do chalé de Frederico Biester em Sintra. Em companhia do marquês da Foz, percorreu a França e a Inglaterra, visitando palácios e museus, aperfeiçoando os seus conhecimentos de arte, delineando o plano de decoração do palácio da Avenida, que conseguiu que fosse confiado a artistas portugueses.
-
Bibl. Portugal, Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Vol. II, Lisboa, João Romano Torres - Editor, 1906 [https://www.arqnet.pt/dicionario/braga_leandro.html]; * Pedro Bebiano Braga e Maria Helena Mendes Pinto, Leandro Braga e as Artes Decorativas (1839-1997), Instituto da Comunicação Social, 1997.
-
Leandro de Sousa Braga was born in Braga on March 22, 1839, and died in Lisbon on April 6, 1897. He was the son of André de Sousa Braga, a church builder. Since he was a child, he showed a vocation for sculpture, accompanying his father to the churches where he worked. He went to Lisbon in 1853, at the age of fourteen, entering as an apprentice in the workshop of carver Inácio Caetano, becoming an officer after three years of apprenticeship. It was at this time that he decorated the tribune of the S. Carlos theater. In 1862, he moved to the studio of the sculptor Anatole Calmels, who was then working on the execution of the Triumphal Arch in Praça do Comércio, where Leandro Braga collaborated. At this time, the Chamber of Peers room was being built, and with the sculptor Calmels in charge of the model for the throne's canopy, the wooden execution was carried out by Leandro Braga. He then created the presidential throne chair on his own model. He opened a studio on the Combro street, which was visited by King Fernando, who commissioned some works from him. Since that time, he carried out carving works of great importance, such as the decoration of the dining room at Palácio da Ajuda, commissioned by the Queen Maria Pia, who also commissioned him to carry out the carving work for her studio and her boudoir. At Camões' centenary celebrations, in 1880, he decorated the Sciences car, and at the Marquis of Pombal's, in 1882, the Arts car. On the occasion of D. Carlos's wedding, he decorated some rooms in the Belém palace, and created the wedding bed, in the Louis XV style. He was also the author of the decorations and furniture for the 16th century style dining house of the Count of Cabral; the Dukes of Palmela chalet in Cascais; the Renascença staircase and cabinet, the ballroom and the Luís XVI room of the Foz palace; as well as the hall, the dining room, an office and the chapel of Frederico Biester's chalet in Sintra. In the company of the Marquis of Foz, he traveled through France and England, visiting palaces and museums, improving his knowledge of art, outlining the decoration plan for the Avenida palace, which he managed to entrust to Portuguese artists.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Bruno José do Vale (f. 1780)

Sagrada Família (1775, Igreja de Santo António, Lisboa)
-
Martírio de São Sebastião (Igreja de Santa Isabel, Lisboa)
-
Piedade (Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha, Lisboa)
-
Alegoria à Pátria Portuguesa e sua Organização (detalhe) (Tecto da Sala D. Maria II, Museu Militar, Lisboa, in José-Augusto França, Museu Militar, 1996)
-
Bruno José do Vale (f. 1780) foi um pintor natural de Lisboa, que foi discípulo de José da Costa Negreiros. Trabalhou temas sagrados, alegóricos e retratos. Entre as suas obras conta-se o tecto da escada do Arsenal do Exército (Museu Militar de Lisboa), um quadro de S. Sebastião, para a Igreja de Santa Isabel, e outro na Igreja de Santo António da Sé.
-
Bibl.: Portugal, Dicionário Histórico [https://www.arqnet.pt/dicionario/valebruno.html]; A. Raczynski, Dictionnaire du Portugal, Paris, 1847, p. 292; Sousa Viterbo, Notícia de Alguns Pintores Portugueses, 3.ª série, 1911, p. 164.
-
Bruno José do Vale (f. 1780) was born in Lisbon, being a disciple of José da Costa Negreiros. He worked on sacred and allegorical themes, and portraits. Among his works are the ceiling of the stairs of the Army Arsenal (Military Museum of Lisbon), a painting of S. Sebastião for the Church of Santa Isabel, and another in the Church of Santo António da Sé.

domingo, 14 de janeiro de 2024

Thomaz de Mello (1906-1990)

Figurino para "Anjo Bom" - Teatro do Povo (1940, Museu Nacional do Teatro e da Dança, Lisboa)
-
Viloa da ilha da Madeira (miniatura) (década de 40, Museu de Arte Popular, Lisboa)
-
Projeto (1937-1942, Museu Nacional do Azulejo, Lisboa)
-
-
New York (1950, Centro de Arte Moderna - Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa)
-
Thomaz de Mello (Tom) nasceu no Rio de Janeiro, a 11 de janeiro de 1906, tendo vindo para Portugal em 1926, com a companhia de teatro de Leopoldo Fróis. Tendo-se integrado entre os modernistas portugueses, entre 1935 e 1951, participou em todas as Exposições de Arte Moderna do S.P.N./S.N.I., recebendo o Prémio Francisco de Holanda em 1945. Dirigiu, com António Pedro, a Galeria UP, ao Chiado, que foi a primeira galeria comercial de arte de Lisboa, inaugurada em Março de 1933. A partir de 1937 integrou, juntamente com Carlos Botelho, Bernardo Marques, Fred Kradolfer e José Rocha, a equipa de decoradores do S.P.N. (Sociedade de Propaganda de Portugal), ficando encarregues da realização dos pavilhões de Portugal nas Exposições Internacionais de Paris (1937), Nova Iorque e S. Francisco (1939). Em 1937, obteve o Grande Prémio de Decoração e de Artesanato, na Exposição de Artes e Técnicas de Paris. Colaborou com a Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio, com cenários e figurinos para o bailado Passatempo (Teatro Nacional de D. Maria II, 1941). Em 1948 integrou a equipa de artistas decoradores do Museu de Arte Popular, realizando murais no vestíbulo e nas salas de Entre-Douro-e-Minho e Algarve. Como ilustrador trabalhou em várias publicações, entre as quais a revista Panorama e a Ilustração. Em 1973, o SNI (Secretariano Nacional de Informação) organizou, no Palácio Foz, em Lisboa, uma exposição retrospetiva da sua obra. Faleceu em Lisboa, a 7 de janeiro de 1990.
-
Fonte: Wikipédia.
-
Thomaz de Mello (Tom) was born in Rio de Janeiro, on January 11, 1906, and came to Portugal in 1926, with Leopoldo Fróis' theater company. Having integrated himself among the Portuguese modernists, between 1935 and 1951, he participated in all the Modern Art Exhibitions of the S.P.N./S.N.I., receiving the Francisco de Holanda Prize in 1945. He directed, with António Pedro, the UP Gallery, in Chiado, which was the first commercial art gallery in Lisbon, opened in March 1933. From 1937 onwards, together with Carlos Botelho, Bernardo Marques, Fred Kradolfer and José Rocha, he was part of the team of decorators at S.P.N. (Propaganda Society of Portugal), being responsible for creating the Portuguese pavilions at the International Exhibitions in Paris (1937), New York and S. Francisco (1939). In 1937, he won the Grand Prize for Decoration and Crafts at the Paris Arts and Techniques Exhibition. He collaborated with the Portuguese Ballet Company Verde Gaio, with sets and costumes for the ballet Passatempo (National Theatre D. Maria II, 1941). In 1948 he joined the team of decorating artists at the Museum of Popular Art, creating murals in the lobby and rooms of Entre-Douro-e-Minho and Algarve. As an illustrator he worked in several publications, including the magazines Panorama and Ilustração. In 1973, the SNI (National Secretary of Information) organized a retrospective exhibition of his work at Palácio Foz in Lisbon. He passed away in Lisbon, on January 7, 1990.

domingo, 24 de dezembro de 2023

André Soares (1720-1769)

-
-
Palácio do Raio (c. 1754, Braga)
-
Igreja de Santa Maria Madalena (1753-1757, Falperra)
-
-
André Soares nasceu em Braga, no dia 20 de Novembro de 1720. Filho de um mercador, supõe-se que possuía uma situação finceira desafogada. Em 1737, iniciou os estudos com o objectivo de se tornar clérigo, mas que não foram concluídos, não se sabendo onde terá feito a aprendizagem do desenho, arquitetura ou talha. Ligado ao estilo tardo-barroco e rococó, teve inicialmente a protecção do arcebispo D. José de Bragança, que o convidou a desenhar o novo Paço Arquiepiscopal de Braga. A sua obra está espalhada pelo Norte de Portugal, sobretudo nas imediações de Braga. Em arquitectura, são sobretudo conhecidos o Palácio do Raio e a Igreja de Santa Maria Madalena, em escultura destaca-se a talha do Mosteiro de Tibães. Morreu no dia 26 de Novembro de 1769.
-
-
André Soares was born in Braga, on November 20, 1720. Son of a merchant, it is assumed that he had a comfortable financial situation. In 1737, he began studies with the aim of becoming a clergyman, but they were not completed, and it is not known where he learned drawing, architecture or carving. Linked to the late-baroque and rococo style, he initially had the protection of Archbishop José de Bragança, who invited him to design the new Archbishop's Palace of Braga. His work is spread across the North of Portugal, especially around Braga. In architecture, some of his best works are the Raio Palace and the Church of Santa Maria Madalena; in sculpture the carvings of the Monastery of Tibães stand out. He died on November 26, 1769.

domingo, 26 de novembro de 2023

Manuel Maria Bordalo Pinheiro (1815-1880)

D. Jaime (Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado)
-
Ilustração para a obra Miragaia de Almeida Garrett (1844)
-
D. Pedro V (1855, Museu Nacional dos Coches, Lisboa)
-
-
Luiz de Camões (Jardim Luís de Camões, Macau)
-
Nascido em Lisboa em 28 de Novembro de 1815, em 1835 assentou praça como voluntário no Batalhão Nacional Fixo e fez parte do Exército Libertador. Nesse mesmo ano tornou-se Oficial na Secretaria da Câmara dos Pares do Reino, cargo que conservou quase até ao fim da vida. Após a fundação da Academia Real de Belas Artes foi um dos seus primeiros Alunos Extraordinários, sendo discípulo (mesmo fora da escola) de António Manuel da Fonseca e de Luís Pereira de Resende. Em 1849, foi incumbido por D. Fernando para ir a Madrid, fazer estudos de pintura e copiar quadros de Velásquez; em 1851, foi a Paris (onde copiou Ingres, Delacroix, Meissonier e Van Dick) e passou por Londres, onde visitou a Exposição Universal. Como representante do romantismo português, foi autor de pequenas telas com apontamentos da vida quotidiana, de inspiração na arte flamenga e pinturas de costumes num naturalismo incipiente. Expôs desde 1840, na primeira Exposição Trienal da Academia de Belas-Artes, sendo o único concorrente à medalha de ouro com o quadro histórico Os Conspiradores de 1640 perante a Duquesa de Mântua, concorrendo depois a outras exposições da Academia. Em 1862 apresentara-se na primeira Exposição da Sociedade Promotora das Belas-Artes, onde expôs o quadro Leitura duma sentença, tendo posteriormente raramente faltado às exposições dessa sociedade. Fez também os retratos régios de D. Fernando, D. José, D. Maria I e D. Pedro V. Como escultor, tendo sido discípulo de Feliciano José Lopes, executou um busto de Camões para a gruta de Macau, mas também são relevantes outros bustos, como o de D. Pedro IV e Henriques Nogueira. Desenvolveu em Portugal a gravura para jornais ilustrados, colaborando com o Jornal de Belas-Artes, o Panorama, entre outras publicações. Faleceu em Alcolena (Belém), em 31 de Janeiro de 1880.
-
Bibl.: Gulherme de Azevedo, «Manuel Maria Bordallo Pinheiro», O António Maria, n.º 36, 7/2/1880, p. 46; José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XIX, Vol. I, Lisboa, Bertrand Editora, 1990, pp. 272, 279 e 280; Diogo de Macedo, Cadernos de Arte - V - João Cristino da Silva e Manuel Maria Bordalo Pinheiro, Lisboa, Edições Excelsior, 1952; O Ocidente, n.º 52, 15/2/1880, p. 27; Fernando de Pamplona, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses, Vol. I, Barcelos, Livraria Civilização Editora, 1987, pp. 221-223.
-
Born in Lisbon on November 28, 1815, in 1835 he became a volunteer in the Fixed National Battalion and was part of the Liberation Army, after the Civil War. That same year he became an Officer in the Secretariat of the Chamber of Peers of the Kingdom, a position he held almost until the end of his life. After the founding of the Royal Academy of Fine Arts, he was one of its first Extraordinary Students, being a disciple (even outside of school) of António Manuel da Fonseca and Luís Pereira de Resende. In 1849, he was commissioned by the king Fernando to go to Madrid, carry out painting studies and copy paintings by Velásquez; in 1851, he went to Paris (where he copied Ingres, Delacroix, Meissonier and Van Dick) and went to London, where he visited the Universal Exhibition. As a representative of Portuguese romanticism, he was the author of small canvases with notes from everyday life, inspired by Flemish art and paintings of customs in an incipient naturalism. He exhibited since 1840, at the first Triennial Exhibition of the Academy of Fine Arts, being the only competitor for the gold medal with the historical painting The Conspirators of 1640 before the Duchess of Mantua, later competing in other exhibitions at the same Academy. In 1862 he appeared at the first Exhibition of the Sociedade Promotora das Belas-Artes, where he exhibited the painting Reading of a Sentence, and subsequently rarely missed other exhibitions of this art society. He also made royal portraits of the kings José I, Maria I and Pedro V, as well as Fernando II. As a sculptor, having been a disciple of Feliciano José Lopes, he created a bust of Camões for the Macau cave, but also other busts are relevant, such as that of the king Pedro IV and Henriques Nogueira. He developed engraving for illustrated newspapers in Portugal, collaborating with Jornal de Belas-Artes and Panorama, among other publications. He died in Alcolena (Belém), on January 31, 1880.

domingo, 15 de outubro de 2023

Leitão de Barros (1896-1967)

Capela de São Martinho em Óbidos (1926, Museu Grão Vasco, Viseu)
-
Igreja Matriz de Viana do Castelo (Museu Grão Vasco, Viseu)
-
-
Peça “Avó Lisboa” /Cª Rey Colaço Robles Monteiro/ T. Nac. D. Maria II ( (1926, Museu Nacional do Teatro e da Dança, Lisboa)
-
A Severa (cartaz) (1931, via IMDB)
-
Nascido em Lisboa, a 22 de Outubro de 1896, José Júlio Leitão de Barros frequentou a Faculdade de Ciências e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Depois de concluir um curso da Escola Normal Superior de Lisboa, foi professor do ensino secundário (de desenho e matemática). Tirou também o curso de arquitectura na Escola de Belas-Artes, tendo exposto várias obras de pintura em Portugal, em Espanha e no Brasil. Casou em 17 de Agosto de 1923, com Helena Roque Gameiro, artista plástica e filha do aguarelista Alfredo Roque Gameiro, com quem teve dois filhos, José Manuel e Maria Helena. Foi também dramaturgo, cenógrafo e jornalista, tendo dirigido o Domingo Ilustrado (1925-1927) e a revista Notícias Ilustrado (1928-1935). Foi o principal impulsionador da construção dos estúdios da Tobis Portuguesa, concluídos em 1933. Organizou, a partir de 1934, vários cortejos históricos e marchas populares das Festas da Cidade de Lisboa. Foi ainda secretário-geral da Exposição do Mundo Português (1940) e responsável pela organização da ‘’Feira Popular’’ de Lisboa (1943). Tendo ficado conhecido sobretudo como cineasta, realizou maioritariamente filmes sobre temas de evocação histórica ou de crónica anedótica. Entre os seus filmes contam-se A Severa (1931), que foi o primeiro filme sonoro português. Faleceu em Lisboa, em 29 de Junho de 1967.
-
-
Born in Lisbon, on October 22, 1896, José Júlio Leitão de Barros attended the Faculty of Sciences and the Faculty of Letters of the University of Lisbon. After completing a course at the Lisbon Normal School, he was a secondary school teacher (teaching drawing and mathematics). He also took an architecture course at the School of Fine Arts, having exhibited several works of painting in Portugal, Spain and Brazil. He married on August 17, 1923, to Helena Roque Gameiro (artist and daughter of the watercolorist Alfredo Roque Gameiro), with whom he had two children, José Manuel and Maria Helena. He was also a playwrighter, set designer and journalist, having directed Domingo Ilustrado (1925-1927) and the magazine Notícias Ilustrado (1928-1935). He was the main booster of the construction of the Tobis Portuguesa studios, completed in 1933. He organized, from 1934 onwards, several historic processions and popular marches for the Lisbon City Festivals. He was also general secretary of the Portuguese World Exhibition (1940) and responsible for organizing the ‘’Feira Popular’’ in Lisbon (1943). Having become known above all as a filmmaker, he mainly made films on subjects of historical evocation or anecdotal chronicle. His films include A Severa (1931), which was the first Portuguese sound film. He passed away in Lisbon, on June 29, 1967.

domingo, 24 de setembro de 2023

D. Carlos de Bragança (1863-1908)

-
Charneca dos Almos (Alentejo) (1898, MNAC, Lisboa)
-
O Sobreiro (1905, Fundação da Casa de Bragança)
-
Arribas da Guia à Tarde (1906, Museu Histório e Diplomático - Palácio do Itamaraty, Rio de Janeiro)
-
Praia de Cascais (1906, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa)
-
Nascido em 28 de Setembro de 1863, era filho do rei D. Luís I e da rainha D. Maria Pia de Saboia. Foi rei de Portugal desde 1889, até ao seu assassinato em 1 de Fevereiro de 1908. Foi um notável pintor, que se distinguiu sobretudo no pastel e na aguarela, tendo sido discípulo de António Manuel da Fonseca, Miguel Ângelo Lupi e Enrique Casanova. Ficaram célebres as suas marinhas, tendo sido «um dos mais fortes intérpretes do mar português» (Pamplona, 1987). São também de grande qualidade as suas representações das paisagens alentejanas e cenas da vida ribatejana. Próximo dos artistas do seu tempo, amigo de Carlos Reis (que auxiliou durante os estudos), participou em exposições colectivas, desde 1888, na Exposição Industrial de Lisboa. Também figurou nas exposições do Grémio Artístico, da Sociedade Nacional de Belas-Artes e na Exposição Universal de Paris de 1900. Foi também fotógrafo, pintor ceramista e escultor-barrista.
-
Bibl.: Fernando de Pamplona, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses, Vol. II, Barcelos, Livraria Civilização Editora, 1987, pp. 43-46. Cf. também «Carlos I de Portugal», in Wikipédia.
-
Born on September 28, 1863, he was the king of Portugal from 1889, until his assassination on February 1, 1908. He was a notable painter, who distinguished himself especially in pastel and watercolor, having been a disciple of António Manuel da Fonseca, Miguel Ângelo Lupi and Enrique Casanova. His marine paintings became famous, having been «one of the strongest interpreters of the Portuguese sea» (Pamplona, 1987). His representations of Alentejo landscapes and scenes of Ribatejo life are also of high quality. Close to the artists of his time, a friend of Carlos Reis (who helped him during his studies), he participated in group exhibitions, since 1888, at the Lisbon Industrial Exhibition. He also appeared in the exhibitions of the Grémio Artístico, the National Society of Fine Arts and the Paris Universal Exhibition of 1900. He was also a photographer, ceramic painter and sculptor.