domingo, 11 de fevereiro de 2024

Bruno José do Vale (f. 1780)

Sagrada Família (1775, Igreja de Santo António, Lisboa)
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Martírio de São Sebastião (Igreja de Santa Isabel, Lisboa)
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Piedade (Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha, Lisboa)
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Alegoria à Pátria Portuguesa e sua Organização (detalhe) (Tecto da Sala D. Maria II, Museu Militar, Lisboa, in José-Augusto França, Museu Militar, 1996)
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Bruno José do Vale (f. 1780) foi um pintor natural de Lisboa, que foi discípulo de José da Costa Negreiros. Trabalhou temas sagrados, alegóricos e retratos. Entre as suas obras conta-se o tecto da escada do Arsenal do Exército (Museu Militar de Lisboa), um quadro de S. Sebastião, para a Igreja de Santa Isabel, e outro na Igreja de Santo António da Sé.
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Bibl.: Portugal, Dicionário Histórico [https://www.arqnet.pt/dicionario/valebruno.html]; A. Raczynski, Dictionnaire du Portugal, Paris, 1847, p. 292; Sousa Viterbo, Notícia de Alguns Pintores Portugueses, 3.ª série, 1911, p. 164.
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Bruno José do Vale (f. 1780) was born in Lisbon, being a disciple of José da Costa Negreiros. He worked on sacred and allegorical themes, and portraits. Among his works are the ceiling of the stairs of the Army Arsenal (Military Museum of Lisbon), a painting of S. Sebastião for the Church of Santa Isabel, and another in the Church of Santo António da Sé.

domingo, 14 de janeiro de 2024

Thomaz de Mello (1906-1990)

Figurino para "Anjo Bom" - Teatro do Povo (1940, Museu Nacional do Teatro e da Dança, Lisboa)
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Viloa da ilha da Madeira (miniatura) (década de 40, Museu de Arte Popular, Lisboa)
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Projeto (1937-1942, Museu Nacional do Azulejo, Lisboa)
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New York (1950, Centro de Arte Moderna - Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa)
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Thomaz de Mello (Tom) nasceu no Rio de Janeiro, a 11 de janeiro de 1906, tendo vindo para Portugal em 1926, com a companhia de teatro de Leopoldo Fróis. Tendo-se integrado entre os modernistas portugueses, entre 1935 e 1951, participou em todas as Exposições de Arte Moderna do S.P.N./S.N.I., recebendo o Prémio Francisco de Holanda em 1945. Dirigiu, com António Pedro, a Galeria UP, ao Chiado, que foi a primeira galeria comercial de arte de Lisboa, inaugurada em Março de 1933. A partir de 1937 integrou, juntamente com Carlos Botelho, Bernardo Marques, Fred Kradolfer e José Rocha, a equipa de decoradores do S.P.N. (Sociedade de Propaganda de Portugal), ficando encarregues da realização dos pavilhões de Portugal nas Exposições Internacionais de Paris (1937), Nova Iorque e S. Francisco (1939). Em 1937, obteve o Grande Prémio de Decoração e de Artesanato, na Exposição de Artes e Técnicas de Paris. Colaborou com a Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio, com cenários e figurinos para o bailado Passatempo (Teatro Nacional de D. Maria II, 1941). Em 1948 integrou a equipa de artistas decoradores do Museu de Arte Popular, realizando murais no vestíbulo e nas salas de Entre-Douro-e-Minho e Algarve. Como ilustrador trabalhou em várias publicações, entre as quais a revista Panorama e a Ilustração. Em 1973, o SNI (Secretariano Nacional de Informação) organizou, no Palácio Foz, em Lisboa, uma exposição retrospetiva da sua obra. Faleceu em Lisboa, a 7 de janeiro de 1990.
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Fonte: Wikipédia.
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Thomaz de Mello (Tom) was born in Rio de Janeiro, on January 11, 1906, and came to Portugal in 1926, with Leopoldo Fróis' theater company. Having integrated himself among the Portuguese modernists, between 1935 and 1951, he participated in all the Modern Art Exhibitions of the S.P.N./S.N.I., receiving the Francisco de Holanda Prize in 1945. He directed, with António Pedro, the UP Gallery, in Chiado, which was the first commercial art gallery in Lisbon, opened in March 1933. From 1937 onwards, together with Carlos Botelho, Bernardo Marques, Fred Kradolfer and José Rocha, he was part of the team of decorators at S.P.N. (Propaganda Society of Portugal), being responsible for creating the Portuguese pavilions at the International Exhibitions in Paris (1937), New York and S. Francisco (1939). In 1937, he won the Grand Prize for Decoration and Crafts at the Paris Arts and Techniques Exhibition. He collaborated with the Portuguese Ballet Company Verde Gaio, with sets and costumes for the ballet Passatempo (National Theatre D. Maria II, 1941). In 1948 he joined the team of decorating artists at the Museum of Popular Art, creating murals in the lobby and rooms of Entre-Douro-e-Minho and Algarve. As an illustrator he worked in several publications, including the magazines Panorama and Ilustração. In 1973, the SNI (National Secretary of Information) organized a retrospective exhibition of his work at Palácio Foz in Lisbon. He passed away in Lisbon, on January 7, 1990.

domingo, 24 de dezembro de 2023

André Soares (1720-1769)

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Palácio do Raio (c. 1754, Braga)
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Igreja de Santa Maria Madalena (1753-1757, Falperra)
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André Soares nasceu em Braga, no dia 20 de Novembro de 1720. Filho de um mercador, supõe-se que possuía uma situação finceira desafogada. Em 1737, iniciou os estudos com o objectivo de se tornar clérigo, mas que não foram concluídos, não se sabendo onde terá feito a aprendizagem do desenho, arquitetura ou talha. Ligado ao estilo tardo-barroco e rococó, teve inicialmente a protecção do arcebispo D. José de Bragança, que o convidou a desenhar o novo Paço Arquiepiscopal de Braga. A sua obra está espalhada pelo Norte de Portugal, sobretudo nas imediações de Braga. Em arquitectura, são sobretudo conhecidos o Palácio do Raio e a Igreja de Santa Maria Madalena, em escultura destaca-se a talha do Mosteiro de Tibães. Morreu no dia 26 de Novembro de 1769.
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André Soares was born in Braga, on November 20, 1720. Son of a merchant, it is assumed that he had a comfortable financial situation. In 1737, he began studies with the aim of becoming a clergyman, but they were not completed, and it is not known where he learned drawing, architecture or carving. Linked to the late-baroque and rococo style, he initially had the protection of Archbishop José de Bragança, who invited him to design the new Archbishop's Palace of Braga. His work is spread across the North of Portugal, especially around Braga. In architecture, some of his best works are the Raio Palace and the Church of Santa Maria Madalena; in sculpture the carvings of the Monastery of Tibães stand out. He died on November 26, 1769.

domingo, 26 de novembro de 2023

Manuel Maria Bordalo Pinheiro (1815-1880)

D. Jaime (Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado)
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Ilustração para a obra Miragaia de Almeida Garrett (1844)
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D. Pedro V (1855, Museu Nacional dos Coches, Lisboa)
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Luiz de Camões (Jardim Luís de Camões, Macau)
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Nascido em Lisboa em 28 de Novembro de 1815, em 1835 assentou praça como voluntário no Batalhão Nacional Fixo e fez parte do Exército Libertador. Nesse mesmo ano tornou-se Oficial na Secretaria da Câmara dos Pares do Reino, cargo que conservou quase até ao fim da vida. Após a fundação da Academia Real de Belas Artes foi um dos seus primeiros Alunos Extraordinários, sendo discípulo (mesmo fora da escola) de António Manuel da Fonseca e de Luís Pereira de Resende. Em 1849, foi incumbido por D. Fernando para ir a Madrid, fazer estudos de pintura e copiar quadros de Velásquez; em 1851, foi a Paris (onde copiou Ingres, Delacroix, Meissonier e Van Dick) e passou por Londres, onde visitou a Exposição Universal. Como representante do romantismo português, foi autor de pequenas telas com apontamentos da vida quotidiana, de inspiração na arte flamenga e pinturas de costumes num naturalismo incipiente. Expôs desde 1840, na primeira Exposição Trienal da Academia de Belas-Artes, sendo o único concorrente à medalha de ouro com o quadro histórico Os Conspiradores de 1640 perante a Duquesa de Mântua, concorrendo depois a outras exposições da Academia. Em 1862 apresentara-se na primeira Exposição da Sociedade Promotora das Belas-Artes, onde expôs o quadro Leitura duma sentença, tendo posteriormente raramente faltado às exposições dessa sociedade. Fez também os retratos régios de D. Fernando, D. José, D. Maria I e D. Pedro V. Como escultor, tendo sido discípulo de Feliciano José Lopes, executou um busto de Camões para a gruta de Macau, mas também são relevantes outros bustos, como o de D. Pedro IV e Henriques Nogueira. Desenvolveu em Portugal a gravura para jornais ilustrados, colaborando com o Jornal de Belas-Artes, o Panorama, entre outras publicações. Faleceu em Alcolena (Belém), em 31 de Janeiro de 1880.
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Bibl.: Gulherme de Azevedo, «Manuel Maria Bordallo Pinheiro», O António Maria, n.º 36, 7/2/1880, p. 46; José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XIX, Vol. I, Lisboa, Bertrand Editora, 1990, pp. 272, 279 e 280; Diogo de Macedo, Cadernos de Arte - V - João Cristino da Silva e Manuel Maria Bordalo Pinheiro, Lisboa, Edições Excelsior, 1952; O Ocidente, n.º 52, 15/2/1880, p. 27; Fernando de Pamplona, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses, Vol. I, Barcelos, Livraria Civilização Editora, 1987, pp. 221-223.
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Born in Lisbon on November 28, 1815, in 1835 he became a volunteer in the Fixed National Battalion and was part of the Liberation Army, after the Civil War. That same year he became an Officer in the Secretariat of the Chamber of Peers of the Kingdom, a position he held almost until the end of his life. After the founding of the Royal Academy of Fine Arts, he was one of its first Extraordinary Students, being a disciple (even outside of school) of António Manuel da Fonseca and Luís Pereira de Resende. In 1849, he was commissioned by the king Fernando to go to Madrid, carry out painting studies and copy paintings by Velásquez; in 1851, he went to Paris (where he copied Ingres, Delacroix, Meissonier and Van Dick) and went to London, where he visited the Universal Exhibition. As a representative of Portuguese romanticism, he was the author of small canvases with notes from everyday life, inspired by Flemish art and paintings of customs in an incipient naturalism. He exhibited since 1840, at the first Triennial Exhibition of the Academy of Fine Arts, being the only competitor for the gold medal with the historical painting The Conspirators of 1640 before the Duchess of Mantua, later competing in other exhibitions at the same Academy. In 1862 he appeared at the first Exhibition of the Sociedade Promotora das Belas-Artes, where he exhibited the painting Reading of a Sentence, and subsequently rarely missed other exhibitions of this art society. He also made royal portraits of the kings José I, Maria I and Pedro V, as well as Fernando II. As a sculptor, having been a disciple of Feliciano José Lopes, he created a bust of Camões for the Macau cave, but also other busts are relevant, such as that of the king Pedro IV and Henriques Nogueira. He developed engraving for illustrated newspapers in Portugal, collaborating with Jornal de Belas-Artes and Panorama, among other publications. He died in Alcolena (Belém), on January 31, 1880.

domingo, 15 de outubro de 2023

Leitão de Barros (1896-1967)

Capela de São Martinho em Óbidos (1926, Museu Grão Vasco, Viseu)
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Igreja Matriz de Viana do Castelo (Museu Grão Vasco, Viseu)
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Peça “Avó Lisboa” /Cª Rey Colaço Robles Monteiro/ T. Nac. D. Maria II ( (1926, Museu Nacional do Teatro e da Dança, Lisboa)
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A Severa (cartaz) (1931, via IMDB)
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Nascido em Lisboa, a 22 de Outubro de 1896, José Júlio Leitão de Barros frequentou a Faculdade de Ciências e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Depois de concluir um curso da Escola Normal Superior de Lisboa, foi professor do ensino secundário (de desenho e matemática). Tirou também o curso de arquitectura na Escola de Belas-Artes, tendo exposto várias obras de pintura em Portugal, em Espanha e no Brasil. Casou em 17 de Agosto de 1923, com Helena Roque Gameiro, artista plástica e filha do aguarelista Alfredo Roque Gameiro, com quem teve dois filhos, José Manuel e Maria Helena. Foi também dramaturgo, cenógrafo e jornalista, tendo dirigido o Domingo Ilustrado (1925-1927) e a revista Notícias Ilustrado (1928-1935). Foi o principal impulsionador da construção dos estúdios da Tobis Portuguesa, concluídos em 1933. Organizou, a partir de 1934, vários cortejos históricos e marchas populares das Festas da Cidade de Lisboa. Foi ainda secretário-geral da Exposição do Mundo Português (1940) e responsável pela organização da ‘’Feira Popular’’ de Lisboa (1943). Tendo ficado conhecido sobretudo como cineasta, realizou maioritariamente filmes sobre temas de evocação histórica ou de crónica anedótica. Entre os seus filmes contam-se A Severa (1931), que foi o primeiro filme sonoro português. Faleceu em Lisboa, em 29 de Junho de 1967.
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Born in Lisbon, on October 22, 1896, José Júlio Leitão de Barros attended the Faculty of Sciences and the Faculty of Letters of the University of Lisbon. After completing a course at the Lisbon Normal School, he was a secondary school teacher (teaching drawing and mathematics). He also took an architecture course at the School of Fine Arts, having exhibited several works of painting in Portugal, Spain and Brazil. He married on August 17, 1923, to Helena Roque Gameiro (artist and daughter of the watercolorist Alfredo Roque Gameiro), with whom he had two children, José Manuel and Maria Helena. He was also a playwrighter, set designer and journalist, having directed Domingo Ilustrado (1925-1927) and the magazine Notícias Ilustrado (1928-1935). He was the main booster of the construction of the Tobis Portuguesa studios, completed in 1933. He organized, from 1934 onwards, several historic processions and popular marches for the Lisbon City Festivals. He was also general secretary of the Portuguese World Exhibition (1940) and responsible for organizing the ‘’Feira Popular’’ in Lisbon (1943). Having become known above all as a filmmaker, he mainly made films on subjects of historical evocation or anecdotal chronicle. His films include A Severa (1931), which was the first Portuguese sound film. He passed away in Lisbon, on June 29, 1967.

domingo, 24 de setembro de 2023

D. Carlos de Bragança (1863-1908)

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Charneca dos Almos (Alentejo) (1898, MNAC, Lisboa)
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O Sobreiro (1905, Fundação da Casa de Bragança)
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Arribas da Guia à Tarde (1906, Museu Histório e Diplomático - Palácio do Itamaraty, Rio de Janeiro)
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Praia de Cascais (1906, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa)
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Nascido em 28 de Setembro de 1863, era filho do rei D. Luís I e da rainha D. Maria Pia de Saboia. Foi rei de Portugal desde 1889, até ao seu assassinato em 1 de Fevereiro de 1908. Foi um notável pintor, que se distinguiu sobretudo no pastel e na aguarela, tendo sido discípulo de António Manuel da Fonseca, Miguel Ângelo Lupi e Enrique Casanova. Ficaram célebres as suas marinhas, tendo sido «um dos mais fortes intérpretes do mar português» (Pamplona, 1987). São também de grande qualidade as suas representações das paisagens alentejanas e cenas da vida ribatejana. Próximo dos artistas do seu tempo, amigo de Carlos Reis (que auxiliou durante os estudos), participou em exposições colectivas, desde 1888, na Exposição Industrial de Lisboa. Também figurou nas exposições do Grémio Artístico, da Sociedade Nacional de Belas-Artes e na Exposição Universal de Paris de 1900. Foi também fotógrafo, pintor ceramista e escultor-barrista.
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Bibl.: Fernando de Pamplona, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses, Vol. II, Barcelos, Livraria Civilização Editora, 1987, pp. 43-46. Cf. também «Carlos I de Portugal», in Wikipédia.
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Born on September 28, 1863, he was the king of Portugal from 1889, until his assassination on February 1, 1908. He was a notable painter, who distinguished himself especially in pastel and watercolor, having been a disciple of António Manuel da Fonseca, Miguel Ângelo Lupi and Enrique Casanova. His marine paintings became famous, having been «one of the strongest interpreters of the Portuguese sea» (Pamplona, 1987). His representations of Alentejo landscapes and scenes of Ribatejo life are also of high quality. Close to the artists of his time, a friend of Carlos Reis (who helped him during his studies), he participated in group exhibitions, since 1888, at the Lisbon Industrial Exhibition. He also appeared in the exhibitions of the Grémio Artístico, the National Society of Fine Arts and the Paris Universal Exhibition of 1900. He was also a photographer, ceramic painter and sculptor.

domingo, 20 de agosto de 2023

Laranjeira Santos (n. 1930)

Lazer I (1967)

Sem Título (1960-1970, Núcleo de Arte Contemporânea Laranjeira Santos, Figueira da Foz)


Rita (1995)

Turra-turra-turra (2001, Núcleo de Arte Contemporânea Laranjeira Santos, Figueira da Foz)
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Laranjeira Santos nasceu em Lisboa, em 24 de Setembro de 1930. Depois de ter estudado na Escola António Arroio, ingressou, em 1951, na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, concluindo a licenciatura em Escultura em 1955, tendo sido discípulo de Leopoldo de Almeida. Entre 1952 e 1953, passou pelo atelier de António Duarte, acompanhado por João Cutileiro, de quem era amigo. Em 1955, recebeu uma bolsa para uma missão estética na Figueira da Foz, onde teve como guia o Professor António Victor Guerra (director do Museu e da Biblioteca), com cuja filha, Maria José Guerra, viria a casar em 1959. Em 1956, viajou por Inglaterra e França, onde contactou com a obra  de Henry Moore, Butler, Picasso e Brancusi. Em 1961, com uma bolsa de estudo da Fundação Calouste Gulbenkian, foi para Itália onde permaneceu até 1963, concluindo outra licenciatura em Escultura na Accademia di Belle Arti di Roma, tendo sido aluno de Marino Marini e Manzu. De regresso a Portugal, retomou a atividade de Professor (iniciada em 1956). Em 1971 integrou a Escola Luís de Camões, onde permaneceu cerca de 20 anos. Paralelamente, deu seguimento à sua produção artística, trabalhando entre o seu atelier dos Coruchéus e o atelier de Sintra. No ano de 1986 foi seleccionado, com mais dois escultores, num concurso público da Câmara Municipal de Lisboa para a realização do Monumento a Fernando Pessoa, posteriormente interrompido. Participou em várias exposições em Portugal e no estrangeiro. Ao longo da sua carreira artística foi galardoado com diversas destinções das quais se destaca, em 2002, o Prémio de Aquisição – Academia Nacional de Belas Artes. A sua obra escultórica iniciou por uma linha figurativa com elevada simplificação das formas, adoptando volumes mais arredondados na década de 60. Nos anos 70 deu-se uma maior estilização e, no final da década de 80, passou a utilizar o poliuretano, entre outros materiais. As suas esculturas tenderam a apresentar cores saturadas, em formas imaginárias, por vezes lúdicas.
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Laranjeira Santos was born in Lisbon, on September 24, 1930. After studying at the António Arroio School, he entered the Lisbon Superior School of Fine Arts in 1951, completing a degree in Sculpture in 1955, having been a disciple of Leopoldo de Almeida. Between 1952 and 1953, he visited António Duarte's atelier, accompanied by João Cutileiro, with whom he was a friend. In 1955, he received a scholarship for an aesthetic mission in Figueira da Foz, where he was guided by Professor António Victor Guerra (director of the Museum and Library), whose daughter, Maria José Guerra, he would marry in 1959. In 1956, traveled through England and France, where he came into contact with the work of Henry Moore, Butler, Picasso and Brancusi. In 1961, with a scholarship from the Calouste Gulbenkian Foundation, he went to Italy where he stayed until 1963, completing another degree in Sculpture at the Accademia di Belle Arti di Roma, having been a student of Marino Marini and Manzu. Back in Portugal, he resumed his activity as Professor (begun in 1956). In 1971 he joined the Luís de Camões School, where he remained for about 20 years. At the same time, he continued his artistic production, working between his atelier in Coruchéus and the atelier in Sintra. In 1986, he was selected, along with two other sculptors, in a public competition held by the Lisbon City Council to create the Monument to Fernando Pessoa, which was subsequently discontinued. He participated in several exhibitions in Portugal and abroad. Throughout his artistic career he was awarded with several distinctions, of which, in 2002, the Acquisition Prize – Academia Nacional de Belas Artes stands out. His sculptural work began with a more figurative with a high simplification of shapes, adopting more rounded volumes in the 60s. In the 1970s, greater styling took place and, at the end of the 1980s, polyurethane began to be used, among other materials. His sculptures tended to feature saturated colors in imaginary, sometimes playful, forms.

Bibliografia:

Luísa Alexandra, «Espaços de intimidade, espaços de construção de identidade : o escultor Laranjeira Santos : uma história de vida», in Arte teoria, Nº6 (2005), p. 198-215 [https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/11496/2/ULFBA_PER_ARTE%20TEORIA_N6_2005_LUISA%20ALEXANDRA.pdf]
«Laranjeira Santos», in Município da Figueira da Foz [https://www.cm-figfoz.pt/pages/1297]
«Laranjeira Santos», in Centro Português de Serigrafia [https://www.cps.pt/pt/artistas/laranjeira-santos]

domingo, 2 de julho de 2023

Querubim Lapa (1925-2016)

Feirantes (1948, MNAC, Lisboa)
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Sem Título (1956, Centro de Arte Moderna - Gulbenkian, Lisboa)
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Placa (Cabeça de mulher-caracol) (1970, Museu Nacional do Azulejo, Lisboa)
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Placa / Baixo Relevo (1994, Museu Nacional do Azulejo, Lisboa)
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Terraço (1994, Avenida 24 de Julho, Lisboa)
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Querubim Lapa nasceu em Portimão, em 1925, tendo falecido em Lisboa em 2 de Maio de 2016. Artista plástico multifacetado, foi pintor, desenhador, gravador, fez trabalhos de tapeçaria, ficando sobretudo conhecido como ceramista. Começou por ser aluno do pintor Trindade Chagas, e, entre 1942 e 1946, fez o curso da Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde foi aluno de Lino António. Entre 1947 e 1950, frequentou o curso de escultura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa (ESBAL), onde foi aluno de Leopoldo de Almeida. Passou depois pela Escola do Porto (ESBAP) (onde foi aluno de Barata Feio), terminando o curso em Lisboa, em 1953. Em 1978 concluiu, na ESBAL, o curso de pintura. Iniciou a actividade de ceramista na Fábrica da Viúva Lamego, em 1953, onde desenvolveu painéis que foram integrados em obras de arquitetura de Raúl Chorão Ramalho (Centro Comercial do Restelo) e Francisco da Conceição Silva (Armazéns do Minho, Moçamedes, Angola). Em 1955 iniciou a docência na Escola António Arroio. Esteve envolvido no projeto da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, onde realizou, em 1960, a sua primeira exposição individual. Em 1978 e 1991, paricipou em exposições coletivas promovidas pelo Museu Nacional do Azulejo; em 1981 e 1982, em exposições coletivas promovidas pela Fundação Calouste Gulbenkian. No Museu Nacional do Azulejo fez um a exposição retrospectiva, em 1994. Esteticamente, a sua obra começou por se ligar ao Neorrealismo, passando depois para a Abstracção e Surrealismo. Entre os seas muitos trabalhos, destacamos, por exemplo: a decoração da Loja das Meias (Lisboa); a intervenção no Hotel Ritz; os painéis de cerâmica para a Pastelaria Mexicana (1961); o painel de azulejos A Cultura, para a Reitoria da Universidade de Lisboa (1961); o revestimento exterior e interior da Casa da Sorte, em Lisboa (1963); o relevo cerâmico do Casino do Estoril (1967); o painel Terraço, na Avenida 24 de Julho, Lisboa (1994); e o revestimento da Estação Bela Vista, no Metropolitano de Lisboa (1998).
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Bibliografia: Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Querubim_Lapa
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Querubim Lapa was born in Portimão, in 1925, and died in Lisbon on May 2, 2016. A multifaceted plastic artist, he was a painter, draftsman, engraver, made tapestry work, becoming known above all as a ceramist. He began by being a student of the painter Trindade Chagas, and, between 1942 and 1946, he took a course at the António Arroio School of Decorative Arts, where he was a student of Lino António. Between 1947 and 1950, he attended the sculpture course at the Lisbon Superior School of Fine Arts (ESBAL), where he was a student of Leopoldo de Almeida. He later went to the Porto School (ESBAP) (where he was a student of Barata Feio), finishing the course in Lisbon, in 1953. In 1978, he completed a painting course at ESBAL. He began his activity as a ceramist at the Viúva Lamego Factory, in 1953, where he developed panels that were integrated into architectural works by Raúl Chorão Ramalho (Centro Comercial do Restelo) and Francisco da Conceição Silva (Armazéns do Minho, Moçamedes, Angola). In 1955 he started teaching at the António Arroio School. He was involved in the Gravura (Engraving) project – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, where, in 1960, he held his first individual exhibition. In 1978 and 1991, he participated in group exhibitions promoted by the Museu Nacional do Azulejo; in 1981 and 1982, in group exhibitions promoted by the Calouste Gulbenkian Foundation. At the Museu Nacional do Azulejo, he held a retrospective exhibition in 1994. Aesthetically, his work was initially linked to Neorealism, later moving on to Abstraction and Surrealism. Among his many works, we highlight, for example: the decoration of Loja das Meias (Lisbon); the intervention at the Hotel Ritz; the ceramic panels for Pastelaria Mexicana (1961); the tile panel A Cultura, for the Rectory of the University of Lisbon (1961); the exterior and interior cladding of Casa da Sorte, in Lisbon (1963); the ceramic relief of the Estoril Casino (1967); the Terraço panel, on Avenida 24 de Julho, Lisbon (1994); and the cladding of Bela Vista Station, in the Metropolitano de Lisboa (Lisbon subway) (1998).

domingo, 4 de junho de 2023

André Gonçalves (1685-1762)

Anunciação (c. 1750, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa)


Adoração dos Reis Magos (Museu Nacional Machado de Castro, Coimbra)

São João Baptista (Museu de São Roque, Lisboa)

Retrato de D. José I (Museu Nacional dos Coches, Lisboa)
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André Gonçalves foi discípulo na oficina do pintor António de Oliveira Bernardes, entre os anos de 1701 e 1704, integrando depois a oficina do pintor genovês D. Julio Cesare Temine, onde aprofundou a formação inicial. Entrou para a Irmandade de São Lucas em 1711 e trabalhou muitas vezes em parceria com outros pintores, nomeadamente Francisco Vieira Lusitano e Inácio de Oliveira Bernardes, filho do seu primeiro mestre. Executou trabalhos para Camarate (1714), Mafra (c. 1730) e Brasil (1730); para os Paulistas (1731), Menino Deus (1730­‑1740), Madre de Deus (1746­‑1750 e 1759), Hospital de Todos­‑os­‑Santos (c. 1750), Misericórdia (1761), tudo em Lisboa; Palácio de Queluz (1752); Convento de Castelo Viegas, Colégio de Santo Agostinho e Misericórdia em Coimbra (c. 1750- ‑60); e capela do Palácio dos Condes de Oeiras (c. 1760­‑61).
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José Alberto Machado, André Gonçalves: Um pintor do barroco português, Universidade de Évora, 1992 (Tese de Doutoramento); Susana Flor e Pedro Flor, Pintores de Lisboa, Séculos XVII-XVIII, A Irmandade de S. Lucas, Lisboa, Scribe 2016, pp. 128-129.
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André Gonçalves was a disciple in the workshop of the painter António de Oliveira Bernardes, between 1701 and 1704, later joining the workshop of the Genoese painter D. Julio Cesare Temine, where he deepened his initial training. He joined the Brotherhood of São Lucas in 1711 and often worked in partnership with other painters, namely Francisco Vieira Lusitano and Inácio de Oliveira Bernardes, son of his first master. He executed works for Camarate (1714), Mafra (c. 1730) and Brasil (1730); for the Paulistas (1731), Menino Deus (1730‑1740), Madre de Deus (1746‑1750 and 1759), Hospital de Todos‑os‑Santos (c. 1750), Misericórdia (1761), all in Lisbon; Palace of Queluz (1752); Convent of Castelo Viegas, Colégio de Santo Agostinho e Misericórdia in Coimbra (c. 1750-‑60); and chapel of the Palace of the Counts of Oeiras (c. 1760-61).

domingo, 7 de maio de 2023

António Manuel da Fonseca (1796-1890)

O Génio das Artes - Erato (Séc. XIX, Museu Grão Vasco, Viseu)
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Cristo entre os Doutores (Séc. XIX, Museu Grão Vasco, Viseu)
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Adónis lutando com o Javali (1862, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa)
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Ratificação do Casamento do Rei D. Luis e D. Maria Pia (1864, Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa)
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Nascido em 1796, foi discípulo de seu pai João Tomás da Fonseca, mas também de Joaquim Manuel da Rocha, na Aula de Desenho de Figura de História. A sua primeira obra conhecida foi um painel com o retrato de D. João VI e de D. Carlota Joaquina, executado em 1820, para uma festa no Palácio das Laranjeiras, organizada por Joaquim Pedro Quintela, futuro Conde do Farrobo. Para este mecenas pintou, em 1822, os frescos do Palácio Quintela, na Rua do Alecrim, entre os quais se conta O Rapto das Sabinas. Entre 1826 e 1834, subsidiado pelo Estado e por Quintela, partiu para Roma, onde foi discípulo de Camuccini e de Andrea Pozzi. Em 1836, foi nomeado professor de Pintura de História da Academia de Belas-Artes, criada nesse mesmo ano. Trabalhou em escultura e pintura, incluindo pintura decorativa, inserindo a sua obra no neoclassicismo, expondo regularmente na Academia. De acordo com Maria de Aires Silveira: «Da sua produção, destacam-se equilibradas obras de cenas religiosas e uma conhecida pintura histórica Eneias salvando o seu pai Anquises do incêndio de Tróia, muito elogiada no seu dramatismo de um neoclassicismo erudito, exposta em 1843, e alterada durante décadas».
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Fernando de Pamplona, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses, Vol. II, Bsarcelos, Livraria Civilização Editora, 1987, pp. 317-323; Maria Aires Silveira, «António Manuel da Fonseca», Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado.
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Born in 1796, he was a disciple of his father João Tomás da Fonseca, but also of Joaquim Manuel da Rocha, in the History Figure Drawing Class. His first known work was a panel with the portrait of D. João VI and D. Carlota Joaquina, executed in 1820, for a party at the Laranjeiras Palace, organized by Joaquim Pedro Quintela, future Count of Farrobo. For this patron he painted, in 1822, the frescoes of the Quintela Palace, on Rua do Alecrim, among which is The Abduction of the Sabines. Between 1826 and 1834, subsidized by the State and Quintela, he left for Rome, where he was a disciple of Camuccini and Andrea Pozzi. In 1836, he was appointed Professor of History Painting at the Academy of Fine Arts, created that same year. He worked in sculpture and painting, including decorative painting, inserting his work in neoclassicism, exhibiting regularly at the Academy. According to Maria de Aires Silveira: «His output includes balanced works of religious scenes and a well-known historical painting Aeneas saving his father Anchises from the fire of Troy, highly praised for its dramatism of erudite neoclassicism, exhibited in 1843 , and perfected for decades».