sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mário Eloy (1900-1951)

Auto-retrato (1928, MNAC).
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Lissabon (1930-1931, CAM).
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Bailarico no Bairro (c. 1936, MNAC).
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«Mário Eloy (1900 – 1951 Mário Eloy de Jesus Pereira), justamente considerado como um dos artistas portugueses mais marcantes do século XX, nasceu a 15 de Março de 1900, em Algés, Lisboa. (...) Em 1913, abandonou o Liceu e matriculou-se na Escola de Belas-Artes de Lisboa, onde apenas permaneceu dois anos, insatisfeito com o ensino tradicional que aí se ministrava.
(...) Nos finais de 1918, ou princípios de 1919, Eloy, rebelando-se contra a imposição familiar de um emprego como bancário (o irmão, Raul, fora indigitado para “cuidar dos oiros” da Casa Eloy de Jesus) fugiu para Madrid onde, no Museu do Prado, encontrou um universo artístico que o desassossegou ao ponto de decidir o seu futuro: ser artista. (...) Augusto Pina, cenógrafo amigo da família, convenceu-o a voltar, prometendo-lhe trabalho no atelier do Teatro D. Maria II, em Lisboa, onde se exercitou nas técnicas do desenho. O contacto com o meio teatral, que lhe era familiar e que possuía uma enorme vitalidade criativa, convinha às suas ambições artísticas, (chegou a representar com Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro na peça “A Ribeirinha” que estreou no Politeama em 1923) (...). As suas primeiras experiências como pintor foram retratos de amigos, como a actriz Maria Helena Andrade, (...). 
Em 1924 expôs pela primeira vez, juntamente com Alberto Cardoso, no Salão de Ilustração Portuguesa do jornal O Século e, em 1925, participou no 1º Salão de Outono da Sociedade Nacional das Belas com obras onde eram ainda visíveis a influência de Columbano, de Zuloaga e do seu mentor Eduardo Viana. Nessa altura entrou em contacto com António Ferro, (...) que, em 1925, criou o “Teatro Novo”, no salão de chá do novo cinema Tivoli, tendo encomendado o pano a Mário Eloy. A decoração foi entregue a Pacheko e os cenários a Leitão de Barros. No mesmo ano, Eloy pintou um retrato de Ferro e fez desenhos de amigos e pessoas importantes e influentes, no panorama cultural português. O controverso retrato do bailarino Francis (1925) foi apresentado no I Salão dos Independentes de 1930, onde estavam incluídos os artistas da aventura modernista portuguesa e cujo catálogo tinha capa desenhada por Almada Negreiros.
Em 1925, Eloy abandonou Portugal e partiu para Paris (...). Em 1927 expôs em conjunto com a artista russa Hélène Puciatieka e com o austríaco Erwin Singer na galeria Au Sacre du Printemps. A exposição foi repetida na Chez Fast, a título individual. (...) Em Paris, Eloy teve contacto com o Cubismo de Braque e Picasso, foi comparado a Van Dongen e profundamente influenciado pela corrente Expressionista mas não chegou a ser tocado pelo Surrealismo que, tendo começado por ser um movimento literário, estava a contaminar rapidamente outras manifestações artísticas como as Artes Plásticas e o Cinema.
No final de 1927, Mário deixou Paris, rumo a Berlim. Nesta cidade – onde foi escolhido para a Sociedade de Artistas Plásticos, tendo-se tornado o único estrangeiro inscrito – conheceu Theodora Elfriede Laura Severin, (Dora), com quem casou no dia 31 de Janeiro de 1929, poucos dias depois do nascimento do filho, Mário António Horslt Eloy Jesus Pereira. A família instalou-se na Kurfurstendam Strasse, nº 141, enquanto o pintor trabalhava num atelier na Shuter Strasse, 25 (...).
Algumas das obras que produziu nesse tempo foram enviadas para Lisboa e expostas no Sindicato dos Profissionais de Imprensa, em 1928. (...) Em 1930 expôs oito obras, quatro pinturas e quatro desenhos no I Salão dos Independentes em cujo catálogo professava o seu desejo de “ter na cabeça pincéis em vez de cabelos”, o que seria a situação ideal para “não desvirtuar a intenção no acto de pintar”, na “procura da síntese na forma”. O pintor transmitia assim a sua ansiedade quanto ao desejo de um imediatismo e de uma pureza do gesto, no acto criador.
(...) Entretanto, Mário colaborou na revista Der Querschnitt que contava, nas suas fileiras, com Picasso, Jean Cocteau e Grosz.  
Sempre inquieto e insatisfeito, Eloy viajou entre Berlim e Lisboa várias vezes e, em 1933 regressou a Portugal de vez. Retomou os seus hábitos lisboetas e reatou uma antiga relação com a actriz Beatriz Costa. Dora (que nunca se adaptou a Portugal) e o filho continuaram a viver na Alemanha (...).
Durante os anos trinta, Mário Eloy atingiu o seu apogeu como artista. Experimentou formas e cores, desenvolveu novas técnicas e revelou uma inclinação para temas marcados pela alegoria (“Amor” – 1935, “A Fuga” - 1938-39  e “O Poeta” - 1938). Retratou personalidades do meio artístico português como Abel Manta, António Pedro, Diogo de Macedo e João Gaspar Simões, pintou bailarinas russas e desenhou cenas do quotidiano, bailes populares, o casario de Lisboa e bordéis, lugares de eleição de artistas que aí se sentiam à vontade, longe dos constrangimentos familiares e sociais.
Data de 1934 a sua única obra abstracta conhecida, um óleo sobre tela intitulado “Komposição” (Natureza-Morta).  
A partir de 1938 e agravada em 1939, a temática de Eloy evoluiu para um inclinação ferozmente crítica, catastrófica e decadente, a prenunciar tempos sombrios, marcados pela doença de Huntington (ou Coreia), que lhe foi diagnosticada em 1940. O deflagrar da Guerra na Europa foi outro factor de grande instabilidade psicológica. Em 1939 Dora e o filho tiveram de fugir para a Checoslováquia e depois para a Holanda onde se acolheram em casa da mãe de Dora, após a invasão do território checo pelas tropas alemãs.
A esperança pareceu, então, abandonar Eloy. Pintou violinistas e anjos como Chagall (que passou por Lisboa tal como Léger, Lipchitz, Zadkine e Kisling entre 1940 e 1941) e mostrou um lado obscuro de Lisboa, com os seus pobres a pedir e burgueses gordos e ridículos, como as imagens caricaturais de Grosz. (...) 
Até ao internamento no Hospital do Telhal, em 1942, os sinais de uma degradação gradual são bem visíveis. Eloy pintava pouco e quando o fazia era com a intenção expressa de ganhar dinheiro. Sempre carente de fundos, recorreu ao desenho quando não tinha dinheiro para telas, pincéis e tintas mas continuou sempre a afirmar, orgulhosamente, a sua condição de artista. (...) Morreu a 5 de Setembro de 1951, depois de uma agonia em que, gradualmente, todas as faculdades o foram abandonando, mal se apercebendo de que, no ano anterior, duas das suas obras, “Auto-Retrato” e “Jeune Homme” tinham sido escolhidas para a Bienal de Veneza (no ano da sua morte foi escolhido para a Bienal de S. Paulo). Não chegou a conhecer a fama que procurava. (...)
Mário Eloy foi um autodidacta como Amadeo, Cristiano Cruz, Almada, Viana, Botelho e Bernardo Marques.(...)»
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«Mário Eloy (15 March 1900 – 5 September 1951) was a Portuguese expressionist painter.
Eloy was born in Lisboa. His style shows the influence of painters like van Gogh, Picasso and, mostly, from the German expressionist painting, that he admired during his staying in Germany, from 1927 to 1932, specially Carl Hofer.
After returning to Portugal, he become the best representative from expressionism in the Portuguese painting. Some of his latter works, like "Enterro" (c. 1940), in his references, seems to anticipate the surrealism painting in Portugal.
He had to leave painting due to a serious mental disease, in 1944, and he spent the rest of his life in a mental institution at Rio do Mouro, where he died».
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domingo, 7 de novembro de 2010

Miguel Ângelo Lupi (1826-1883)


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Miguel Ângelo Lupi foi um pintor português de ascendência italiana pela parte paterna. Frequentou o curso de pintura da Academia de Belas-Artes de Lisboa, onde foi discípulo de António Manuel da Fonseca. Apesar de ter participado em 1843 na segunda exposição trienal da Academia, foi desviado da arte por imposição familiar. Frequentou então a Escola Politécnica e, entre 1849 e 1860, trabalhou no funcionalismo público. Mesmo durante este tempo, Lupi continuou a pintar, recebendo em 1860 uma encomenda que lhe trouxe o êxito: um retrato de D. Pedro V, para o Tribunal de Contas. Foi depois disso que, com a protecção do Marquês de Sousa Holstein, obteve uma bolsa de estudo para Roma, onde ficou até 1863, dedicando-se à pintura de História. No regresso a Lisboa passou por Paris, cidade  onde voltou em 1867. Entretanto foi nomeado professor de desenho da Academia de Belas-Artes (1864) e depois colocado interinamente como professor de pintura de História (1867), cargo do qual veio a ser provido definitivamente em 1868. O seu ensino mostrou-se renovado numa forma eclecticamente actualizada.
Em 1878, Delfim Guedes, vice-inspector em substituição de Sousa Holstein, foi encarregado pelo ministro José Luciano de Castro a apresentar um projecto de reforma da Academia. Este consultou os professores e Lupi compôs um projecto, que publicou em 1879, intitulado de Indicações para a reforma da Academia Real de Belas Artes de Lisboa, onde se salientava a importância pedagógica dos Museus no ensino artístico. Tratava-se de um documento  que previa três graus de ensino: elementar, de aplicação à indústria e superior, e ainda a criação de estudos teóricos de história da arte e de estética. Segundo a sua proposta, era na escola superior que se encontravam os estudos de arquitectura, escultura e pintura.
Lupi teve o momento alto da sua carreira nos anos de 1870, tendo exposto na Sociedade Promotora das Belas-Artes, no Salon de Paris (1866, 1867 e 1875), em Londres (1867), Madrid (1871) e Rio de Janeiro (1879). Foi condecorado coma Grã-Cruz da Ordem de Santiago e de Cristo. Cultivou a pintura de História, mas foi no retrato que mais se destacou. A paisagem também foi abordada, mas com pouco êxito, pintando ainda cenas de interior e temas de trabalho.
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Miguel Ângelo Lupi (Lisbon, May 8, 1826 - Lisbon, February 26, 1883) was a Portuguese Romantic painter. He was a professor of historical painting at the Academy of Fine Arts in Lisbon.
In some of his finest portraits, like the Portrait of the Duke of Ávila and Bolama (1880), at the Chiado Museum, in Lisbon, his work, probably because of his knowledge of the French Realist and Naturalist painters, like Courbet, deviate from his Portuguese contemporaries, approaching the new trends of his time. Despite the fundamental lines of his work, focusing on the portrayal of the rich and famous, Lupi also painted interior scenes, scenes of family life and themes of historic nature, as the Marquis de Pombal at work examining the project of reconstruction of Lisbon. (Wikipedia)
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Bibl. 
Miguel Ângelo Lupi, Evocação no Centenário da sua Morte nas colecções do museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa, 1983.
FRANÇA, José-Augusto, A Arte em Portugal no Século XIX, 3.ª ed., 2 volumes, Lisboa, Bertrand Editora, 1990.
SILVEIRA, Maria de Aires, TAVARES, Cristina Azevedo, Miguel Ângelo Lupi – 1826 / 1883, Lisboa, Museu do Chiado, (28/2-26/5) 2002.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

José Simões de Almeida (1844-1926)





D. Sebastião (1877, MNAC) - Puberdade (1877, MNAC) - O Malmequer (1872, MNAC) - Estátua do Duque da Terceira (1877, Cais do Sodré, Lisboa).
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José Simões de Almeida foi um escultor português que foi aluno de Vítor Bastos. Em 1866, tornou-se no primeiro pensionista de escultura em Paris, juntamente com Soares dos Reis, frequentando o curso de Jouffroy e as aulas de Mercié. Passou também por Roma, regressando a Portugal, em 1872. Foi professor de desenho da Escola de Belas-Artes de Lisboa e posteriormente tornou-se professor de escultura da mesma Escola. Participou na exposição de Paris de 1878 e nas exposições do Grémio Artístico, onde recebeu uma medalha de honra em 1894.
A sua obra pode inserir-se num pré-naturalismo, sendo o autor de D. Sebastião, obra que o tornou famoso em 1874. Colaborou com Alberto Nunes no monumento aos Restauradores, tendo sido ele o autor do Génio da Liberdade. Em 1887, trabalhando em colaboração com o arquitecto José António Gaspar, foi o autor da Estátua do Duque da Terceira. Fez também grupos escultóricos para a fachada do Palácio Castelo Melhor.
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José Simões de Almeida was a Portuguese artist that studied with Vítor Bastos. In 1866, he went to Paris to study sculpture, becoming a pupil of Jouffroy and Mercié. Spending some time in Rome, he returned to Portugal in 1872. He worked at the Lisbon Academy of Art, where e teached drawing and sculpture. One of his best works is D. Sebastião (1874).
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Bibliografia / Bibliography:
José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XIX, Vol. I e II, Lisboa, Bertrand Editora, 1990.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Nuno Gonçalves (séc. XV)





 Retrato da Princesa Santa Joana (Museu de Aveiro) - São Paulo (c. 1450-1490, MNAA) - São Pedro (c. 1450-1490, MNAA) - São Vicente atado à coluna (c. 1450-1490, MNAA) - Políptico de São Vicente de Fora (c. 1450-1490, MNAA).
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Nuno Gonçalves foi um pintor português do século XV, ao qual Francisco de Holanda no seu livro Da Pintura Antiga (Lisboa, 1548) se referiu como uma das" águias", um dos mestres do século XV. O seu nome foi registado em 1463 como pintor da corte de Afonso V, mas nenhum trabalho inequivocamente seu sobreviveu até hoje. Há, no entanto, fortes indícios de que tenha sido o autor dos Painéis de São Vicente de Fora, uma obra-prima da pintura portuguesa do século XV, na qual se retratam figuras proeminentes da corte portuguesa de então.
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Nuno Gonçalves was a 15th century Portuguese artist credited for the painting of the Paineis de São Vicente de Fora (Saint Vincent Panels). The panels depict the main elements of Portuguese society in the 15th century: clergy, nobility and common people. Very little is known of his life, neither his birth or death dates are known; but documents of the time seems to indicate that he was active between 1450 and 1490. The only reference that art historians can use to support his authorship of the Saint Vincent Panels is by Francisco de Holanda, in the 16th century. It mentions a great work of art made by him that is inferred to be the Panels. It is also speculated that the father of Hugo van der Goes collaborated in the painting of the panel but there is not concrete proofs. Since their discovery in late 19th century there has been great dispute over the identity of the painter and the characters shown in the Panels. Even the claim that Prince Henry the Navigator appears in the third panel is still under debate. Nevertheless "Saint Vicent Panels" is seen as the highest peak of Portuguese antique art. The regional museum of Aveiro displays a portrait of Princess Joana, 'the Holy Princess', also attributed to Nuno Gonçalves.
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Informação adaptada da Wikipedia (versão Portuguesa e versão Inglesa).

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Adriano Sousa Lopes (1879-1944)

Ondinas (Heine) (1908, MNAC).
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Le Moulin Rouge (c. 1904-1910, MNAC)
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A blusa azul (c. 1920, MNAC).
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Adriano Sousa Lopes nasceu no Vidigal (em Leiria), começando a sua vida profissional como ajudante de farmácia. Em 1898, sendo apoiado por  Afonso Lopes Vieira, matriculou-se na Academia de Belas-Artes de Lisboa , onde foi discípulo de Luciano Freire e Veloso Salgado.  Posteriormente, ganhou o concurso de pensionista e foi para Paris, onde foi aluno de F. Cormon. Na sua pintura  foi influênciado por Serolla e Besnard, tendo pintado aspectos de feiras e romarias que expôs no salon parisiense. Durante 1.º Guerra Mundial esteve na frente, desenhando apontamentos do que podia ver, elaborando uma série de desenhos e gravuras, que depois expôs na Sociedade Nacional de Belas-Artes. Em 1929, foi nomeado director do Museu Nacional de Arte Contemporânea. A sua obra mostra influência do impressionismo e do simbolismo, mas mantendo uma forte componente académica, que se nota sobretudo nas pinturas de história.
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Born in Vidigal, near Leiria, he studied at the Academy of Fine Arts in Lisbon, where he was a disciple of Luciano Freire and Veloso Salgado. He completed his studies in Paris, under the supervision of F. Cormon. His paintings display a wide range of influences: a modernised form of academic art that approaches symbolism in more ambitious works, and post-impressionist landscape painting in a number of registers, linked to his travels in France and Italy. During the First World War he went to the front, putting together a remarkable series of drawings, later engraved, which suggest the influence of Goya. In 1929 he was appointed director of the National Museum of Contemporary Art, and from this point on he dedicated himself to History paintings, which were destined for the Military Museum and the Noble Hall at the Palace of São Bento. He continued his characteristic landscape work, prolonging the memory of the techniques and motifs of impressionism.
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Bibliografia / Bibliography:
Desenhos dos Séculos XIX e XX, Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, 1975; Raquel Henriques da Silva, «Romantismo e Pré-Naturalismo», in História da Arte Portuguesa, Do Barroco à Contemporaneidade, Temas e Debates, 1995, pp. 329-367.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Francisco Smith (1881-1961)




A Costa do Castelo (Museu da Cidade, Lisboa) - Evocação de Lisboa (ou Varinas) (1949, MNAC) - As Escadinhas (c. 1934, MNAC) - A Procissão (1939, Centro de Arte Moderna - FCG) - Nyons le soir (1955, Centro de Arte Moderna - FCG).
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Francisco Smith nasceu em Lisboa, cidade onde iniciou os seus estudos e foi aluno de José Ribeiro Júnior e de Constantino Fernandes. Estudou em Paris desde 1902 e fez parte da Exposição Livre, realizada em Lisboa em 1911. Tendo feito uma carreira secundária de artista parisiense (J.-A. França), expôs em galerias e no salon, chegando a ter obras adquiridas para museus de província e recebendo a Legião de Honra, em 1933. Casado com uma escultora francesa, Yvonne Mortier (1911), adquiriu posteriormente a naturalidade francesa. Em Portugal, expôs individualmente, em 1934. A sua pintura serena, está próxima de Bonnard, figurando paisagens construídas através de recordações de Lisboa, aldeias e vilas portuguesas.
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Born in Lisbon, he began his studies as a pupil of José Ribeiro Júnior and Constantino Fernandes. He left for Paris in 1902, where he set up his permanent home and exhibited regularly and with some success, as can be seen from the purchase of his paintings by a number of museums. He married the sculptress Yvonne Mortier in 1911 and subsequently acquired French citizenship. In Portugal, his painting gained a growing following, both due to his deliberate naïve style and due to his choices of theme, mostly dedicated to the folk memory of Lisbon of dances and markets. Creating his own immediately identifiable style, Francis Smith helped to consolidate a lyrical vision of Lisbon which was particularly appreciated by the aesthetics of the Estado Novo.

Bibliografia / Bibliography
José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XX, 1911-1961, Lisboa, Bertrand Editora, 1991; Rui Mário Gonçalves, 100 Pintores Portugueses do Século XX, Lisboa, Publicações Alfa, 1986.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Emmerico Nunes (1888-1968)

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Emmérico Hartwich Nunes nasceu em Lisboa e foi aluno da Escola de Belas-Artes, discípulo de Condeixa e Alberto Nunes, continuando depois os seus estudos em Paris, para onde partiu em 1906. Em 1910 viajou pela Inglaterra, Holanda e Bélgica e, no ano seguinte, foi viver para Munique, onde colaborou no jornal Meggendorfer Blätter. Fez parte da Exposição Livre de 1911. Com o eclodir da Guerra em 1914, mudou-se para a Suiça, mas regressou a Portugal no final da Guerra. Trabalhou também como decorador, mas destacou-se sobretudo como desenhador humorista, tendo colaborado em jornais ilustrados, como o ABC.  Em pintura salientam-se particularmente as paisagens de temas urbanos. Foi condecorado com a Ordem de Cristo e exerceu o cargo de professor na Sociedade de Belas-Artes.

Born in Lisbon, he studied at the School of Fine Arts, where he was a disciple of Ernesto Condeixa and Alberto Nunes. In 1906 he set off for Paris to continue his studies. He travelled in England, Holland and Belgium (1910) before settling in Munich (1911), where he worked on the newspaper Meggendorfer Blätter. At the outbreak of war in 1914, he moved to Switzerland, returning to Portugal in around 1918. Among his works, his humoristic drawings stand out as one of the principal paths for the transition to modernity, alongside poster art and illustration. His pictorial production, in which the main theme is landscape, is less innovative, demonstrating continuity with the naturalist system, from which it distinguishes itself particularly through the use of a light tone which is more synthetic than descriptive.

Links:
Lambiek.net

Bibliografia / Bibliography
José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XX, 1911-1961, Lisboa, Bertrand Editora, 1991; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. XIX, Lisboa e Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Lda, [1956]., p. 42.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Eduardo Viana (1881-1967)

Louça de Barcelos (1915, MNSR).
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Pousada de Ciganos (c. 1923, MNAC).
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Composição (1947, Museu José Malhoa).
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Nascido em Lisboa, Eduardo Viana fez fez o curso das Belas-Artes, onde se matriculaou em 1896, tendo como mestre Veloso Salgado. Partiu depois para Paris (1905), onde foi discípulo de J. P. Laurens. Durante alguns anos frequentou as Academias Livres e viajou pela Inglaterra, Holanda e Bélgica (1910). Apesar de ainda estar em Paris, fez parte da Exposição Livre de 1911, só regressando a Portugal com o eclodir da Primeira Grande Guerra (1914). Inspirando-se inicialmente em Cézanne, foi sob a influência do casal Delaunay que efectuou as obras de maior modernidade, interessando-se então por temáticas populares. Realizou três exposições individuais (1920, 1921 e 1923) e organizou o primeiro Salão de Outono (1925). Além de temas figurativos, pintou paisagens que se destacam pela forma modernizante com que foram executadas, salientando-se A Pousada dos Ciganos. Também representou vistas de Sintra, do Algarve e do Porto. Voltou depois a Paris, onde residiu, passando pela Bélgica, até 1940. De novo em Portugal, mais uma vez devido à Guerra, dedicou-se sobretudo ao tema da natureza-morta.
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As a rather reluctant student at the old-fashioned Academy of Fine Arts in Lisbon, it was only in Paris – where he moved in 1905 – that Eduardo Viana found his vocation as a painter. In Paris, he attended the Académies Libres and travelled to England, Holland and Belgium (1910), before returning to Portugal at the outbreak of the First World War. Initially finding inspiration in Cézanne, it was under the influence of Sonia and Robert Delaunay that he painted his most modern works, particularly during the period he lived with the artists at Vila do Conde in northern Portugal. In the 1920s, he perfected his own style, characterised by a wealth of colours and distortions of perspective, again under the influence of Cézanne. Having been one of the leading landscape painters of the first wave of Portuguese modernism, his later work focused on still-life paintings which were very elaborate in terms of composition, attempting not to represent the objects accurately, but rather their pictorial equivalents.
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Bibliografia / Bibliography:
Fernando Dias, Ecos Expressionistas na Pintura Portuguesa (1910-1940), FCSH-UNL, 1996; José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XX, 1911-1961, Lisboa, Bertrand Editora, 1991; Rui Mário Gonçalves, 100 Pintores Portugueses do Século XX, Lisboa, Publicações Alfa, 1986; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. XXXIV, Lisboa e Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Lda, [1956], p. 894; Raquel Henriques da Silva, «Sinais de Ruptura: “Livres e Humoristas”», in História da Arte Portuguesa, Do Barroco à Contemporaneidade, Temas e Debates, 1995, pp. 369-405.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dordio Gomes (1890-1976)

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Paisagem (1932, Colecção da Sociedade Martins Sarmento).
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Paisagem do Douro (1936, Centro de Arte Moderna, Lisboa).
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Natural de Arraiolos, estudou em Lisboa, onde foi discípulo de Veloso Salgado. Em 1910, partiu como bolseiro para Paris, onde ficou até 1912, sendo aluno de J. P. Laurens. Interrompida a bolsa, voltou para a sua terra natal, mas regressou a França no início dos anos 20, fazendo depois uma série de viagens que o levariam também à Bélgica, Holanda e Itália. Foi um dos Cinco Independentes de 1923 (SNBA). Em 1926 instalou-se de novo em Arraiolos, mas foi viver para o Porto em 1933, comprometendo-se na modernização do ensino artístico na escola portuense. Pintor que, numa primeira fase, dedicou-se ao tema da paisagem alentejana, dentro do Naturalismo, influenciado por Malhoa e Columbano, desenvolveu depois uma tendência mais ligada ao Expressionismo, que se nota sobretudo em Casas de Malakoff (1923). As Éguas da Manada (1929, Museu do Chiado) recriam a paisagem do Alentejo natal, sugerindo a influencia de Franz Marc.
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Born in Arraiolos, he studied in Lisbon, where he was a disciple of Veloso Salgado. He went to Paris on two scholarships, one before and one after the First World War, and took a series of trips to Belgium, Holland and Italy. He was one of the Five Independents of 1923 (National Society of Fine Arts), an exhibition which was key to asserting modernism in Lisbon. In 1926 he returned to Arraiolos before settling in Oporto (1933), where he was a renowned professor at the Academy of Fine Arts. As a painter, his early work focuses on Alentejo landscapes, in a naturalist style, before developing his poetics under the influence of Cézanne; his most famous works (in particular Casas de Malakoff [“Malakoff’s Houses”] (1923, Oporto, National Museum of Soares dos Reis)) show an openness to more inventive expressionist dramatization, which, however, was not followed up in his later work.

Bibliografia/ Bibluography
Fernando Dias, Ecos Expressionistas na Pintura Portuguesa (1910-1940), Vol. I, Dissertação de Mestrado, FCSH-UNL, 1996; José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XX, 1911-1961, Lisboa, Bertrand Editora, 1991; Rui Mário Gonçalves, 100 Pintores Portugueses do Século XX, Lisboa, Publicações Alfa, 1986; Raquel Henriques da Silva, «Sinais de Ruptura: “Livres e Humoristas”», in História da Arte Portuguesa, Do Barroco à Contemporaneidade, Temas e Debates, 1995, pp. 369-405.