sábado, 29 de Março de 2014

Stuart Carvalhais (1887-1961)

Ilustração Portugueza, n. º 543, 17 de Julho de 1916
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Senhora de vestido verde (1925, Museu Dr. Joaquim Manso)
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Emigrantes (Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)
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José Herculano Stuart Torrie d'Almeida Carvalhais nasceu em Vila Real, a 7 de Março de 1887. Foi no Alentejo que realizou os seus primeiros estudos, tendo sido aluno do Liceu de Évora. Por volta de 1900 foi para Lisboa, onde frequentou o Real Instituto (1901-1903) e cerca de 1905, trabalhou no estúdio de Jorge Colaço. Este era director da publicação O Século - Suplemento Humorístico, na qual, em 1906, Stuart se estreou como caricaturista. Começou a também a trabalhar como repórter fotográfico e ilustrador, sendo também em 1906 que fez a sua primeira incursão na banda desenhada, com "As Aventuras de Dois Meninos no Bosque". Em 1909 trabalhou no Salão Foz, um pequeno teatro que existia perto do Palácio Foz, onde foi palhaço e fazia caricaturas dos espectadores. Dois anos depois, em 1911, tornou-se director do periódico A Sátira, e, nos anos seguintes participou nos primeiros Salões dos Humoristas (1912 e 1913). Em 1913, esteve em Paris, cidade onde colaborou no Gil Blas e encontrou Amadeu de Sousa Cardoso, Almada Negreiros, Santa Rita e José Pacheco, entre outros artistas portugueses, que lá estavam nesse tempo. Regressado a Portugal, devido à Primeira Guerra Mundial, tornou-se director de ABC a Rir. Foi em 1915, n'O Século Cómico, que surgiram as "histórias aos quadradinhos" de Quim e Manecas. Em 1920 voltou a participar no Salão dos Humoristas, e em 1922, iniciou uma colaboração com a editora discográfica Valentim de Carvalho fazendo capas de discos. Em 1925 e 1926, começou a trabalhar para o Diário de Notícias e o Sempre Fixe, consolidando ao longo dos anos seguintes uma carreira artística consagrada sobretudo à caricatura e à ilustração, mas também à pintura. Morreu em Lisboa, a 2 de Março de 1961.
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Cf. José Pedro Cavalheiro, «José Stuart Carvalhais (1887-1961)», 19-9-2009. in Tipografos.net; Paulo Heitlinger, «Stuart»in Colecção Designers Portugueses; «Stuart Carvalhais». In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2014; «Stuart Carvalhais». In Wikipedia.
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José Herculano Stuart Torrie d'Almeida Carvalhais was born in Vila Real on March 7, 1887. His first studies were conducted in Alentejo, at Évora's High School. Around the year 1900 he went to Lisbon, where he enrolled at the Royal Institute (1901-1903), and around 1905 we was working at Jorge Colaço's studio. This artist was at the time running the humoristic supplement of the O Século magazine, at which Stuart debuted in 1906 as a caricature cartoonist. He also began his work as a photo reporter and illustrator, and yet also in 1906 he made his first try at comics, with As Aventuras de Dois Meninos no Bosque - "Two kids' adventures at the woods" . In 1909 we worked at the Salão Foz, a small theater near the Foz Palace, where he played a clown and caricaturized the viewers. A couple of years later, he became manager of the journal A Sátira, and in the following years he participated in the first Salões dos Humoristas (1912 and 13). In 1913, he was in Paris collaborating at the Gil Blas and found Amadeu de Sousa Cardoso, Almada Negreiros, Santa Rita and José Pacheco, among other portuguese artists living in Paris at the time. Back to Portugal because of the First World War, he became manager of the magazine ABC a Rir. In 1915, at the O Século Cómico, the first Comic stories of Quim and Manecas appeared. In 1920 he participated once again at the Salão dos Humoristas and in 1922 he began working for the music record editor Valentim de Carvalho making vinyl disks' covers. In 1925 and 26, he began working to the daily newspaper Diário de Notícias and for the Sempre Fixe magazine, building over the following years and decades an artistic career focused mainly on cartooning and illustrating, but also in painting. He died in Lisbon, on March 2nd, 1961.

sábado, 1 de Março de 2014

Artur Loureiro (1853-1932)

Campina romana (1878, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)
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O repouso da artista (1882, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)
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Paisagem (Auvers-sur-Oise) (1883, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)
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Barcos (Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)
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Retrato de Senhora (1904, Museu Nacional Soares dos Reis)
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Artur de Sousa Loureiro nasceu no Porto a 11 de Fevereiro de 1853. Era filho mais novo do médico Francisco Loureiro e irmão do jornalista Urbano Loureiro. Começou a estudar desenho e pintura com o mestre e amigo António José da Costa. Entrou em 1871 para a Academia Portuense de Belas Artes, onde foi aluno de João António Correia, sendo colega de Marques de Oliveira, Sousa Pinto e Silva Porto. Em 1875, com o apoio de Delfim Guedes, mais tarde Conde de Almedina, viajou para a Itália para continuar os estudos, tornando-se sócio do Círculo Artístico de Roma, em 1876. No ano de 1879, em Lisboa, venceu o concurso oficial para bolseiro de pintura de paisagem, em Paris. Nessa cidade frequentou o atelier de Cabanel, tornando-se companheiro de Columbano, Sousa Pinto, António Ramalho e Pousão. Em Paris conheceu a sua primeira mulher, Marie Huybers, uma senhora australiana de origem belga e também ela pintora, de quem teve dois filhos. Participou nos Salons de 1880, 1881 e 1882. Depois de casado, partiu com a mulher para a Austrália, onde se fixou em 1885, após uma curta estadia em Londres. Nesse país fez parte da Australian Art Association (1885), foi professor na Presbyterian Ladies Academy e foi inspetor da Galeria Nacional da Cidade de Vitória. Em 1899, recebeu a Medalha de Ouro na Exposição Internacional de Londres. Em 1904 regressou para o Porto, abrindo um atelier-escola no Palácio de Cristal. Casou pela segunda vez, em 1918, com Elisa Fernanda de Sousa Pires. Expôs na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa (1920), na Galeria da Misericórdia do Porto (1923) e no Salão Silva Porto (1929). Um auto-retrato do pintor apresentado neste último certame foi comprado pelo Museu dos Uffizi, de Florença. Morreu em 7 de Julho de 1932 em Terras de Bouro, no Gerês.
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Artur Jose Loureiro (1853-1932), painter, was born on 11 February 1853 at Oporto, Portugal, son of Francisco José de Souza Loureiro. He studied painting at the Fine Arts Academy of Oporto and in 1875 his talent was recognized by Count d'Almedina, under whose patronage he studied in Rome. He returned to Lisbon in 1879 and won the Portuguese government's art scholarship, given every five years to assist artists to study abroad. Living in Paris and studying at the Ecole des Beaux-Arts under Alexandre Cabanel, he exhibited at the salon in 1880, 1881 and 1882. He also met Marie Huybers and married her; they had one son and one daughter. He travelled to London and in 1884 he went to Melbourne. For most of his time in Melbourne, Loureiro was 'Professor of Design' at the Presbyterian Ladies' College. In 1899 Loureiro won a gold medal at London and in 1900 a third-class medal in Paris. In 1901 he returned to Oporto, set up a teaching studio and exhibited landscapes and seascapes. Some of his work was shown in 1920 at the National Society of Fine Arts Gallery and in 1923 at a commemorative exhibition on his artistic jubilee. In 1929 a collection of his best works was exhibited at the Salon of Silva Porto and the Uffizi Gallery acquired a self-portrait. Attracted by its beautiful landscapes, he went to Gerez, but he died suddenly on 7 July at Terras de Bouro.
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Cf. Suzanne G. Mellor, «Loureiro, Artur Jose (1853–1932)», in Australian Dictionary of Biography.

quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014

António Ramalho (1858-1916)

Marinha (1880, Museu José Malhoa)
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Margens do Sena, Paris (1882, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)
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Senhora de preto (1884, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves)
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O escultor Alberto Nunes no seu atelier (1887, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)
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Cavalo branco (1896, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves)
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António Monteiro Ramalho Júnior nasceu em Barqueiros, em 1858. Ainda muito novo foi viver para o Porto, onde trabalhou como moço de recados numa mercearia. Algum tempo passado decidiu mudar-se para Lisboa, onde frequentou a Real Academia de Bellas Artes, sendo discípulo de Tomás da Anunciação e de Silva Porto. No ano de 1879, concorreu para o lugar de bolseiro, sendo vencido por Henrique Pousão. Juntamente com Columbano, igualmente preterido num concurso, organizou uma exposição na Associação de Jornalistas, em 1880. Dois anos passados, com o apoio do Marquês da Praia e Monforte foi estudar para Paris e foi discípulo de Cabanel. No ano de 1883 estreou-se no Salon de Paris com a tela Chez mon voisin (O Lanterneiro). Da capital francesa enviou quadros para as exposições do Grupo do Leão, que ajudara a fundar, e ilustrações para as revistas O Occidente e A Crónica Ilustrada. Regressando a Lisboa em 1884, foi como decorador que teve maior sucesso, trabalhando muitas vezes em colaboração com João Vaz. Destacam-se, neste âmbito, as decorações da escadaria do Palácio da Bolsa (Porto); do Hotel Barahona (Évora) e do Palace Hotel (Buçaco). Expôs com o Grupo do Leão, na Sociedade Promotora das Belas Artes, no Grémio Artístico e na Sociedade Nacional de Belas Artes. Apresentou trabalhos na Exposicion General de Bellas Artes de Madrid em 1881 e no Salon de Paris em 1883, 1885 e 1886. Foi nomeado Académico de Mérito da Academia de Lisboa em 1887. Morreu na Figueira da Foz em 1916, onde se encontrava a executar pinturas decorativas no Palácio Sotto Mayor. Um ano após a sua morte organizou-se em Lisboa uma exposição retrospectiva da sua obra.
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Texto resumido do site Matriznet.
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António Monteiro Ramalho Júnior was born in Barqueiros in 1858. At a very early age, he went to live in Oporto where he worked as a servant at a groceries’ shop. In his youth, he decided to move to Lisbon and enroll at the Fine-Arts Royal Academy, where he became a pupil of Tomás da Anunciação and Silva Porto. In 1879, he applied for a scholarship, being overrun by Henrique Pousão. Together with Columbano Bordalo Pinheiro, equally left out on another competition, they organized an exhibit at the Press Association, in 1880. Two years later, funded by the Marquis of Praia and Monforte he went to Paris to study, and became apprentice of Cabanel. In 1883 he debuted at the “Salon de Paris” with the canvas Chez mon voisin (O Lanterneiro). From the French capital he sent many paintings for the exhibits at “Grupo do Leão”, Salon he helped to establish, and drawings to the journals O Occidente and A Crónica Ilustrada. Returning to Lisbon in 1884, he succeeded has an interior decorator, often cooperating with João Vaz; in this line of work, we point out the decors at the staircase of the Palácio da Bolsa (Oporto), his work at the Hotel Barahona (Évora) and at the Palace Hotel of Buçaco. He presented many works at the Grupo do Leão Salon, at the “Sociedade Promotora das Belas Artes”, “Grémio Artístico” and at the “Sociedade Nacional de Belas Artes”. He also presented some work at the “Exposicion General de Bellas Artes” at Madrid in 1881 and at the “Salon de Paris” in 1883, 85 and 86. He was named “Académico de Mérito” of the Lisbon’s Academy in 1887. He died at Figueira da Foz in 1916, when he was still painting interior sets at the Sotto Mayor Palace. One year later, a major retrospective exhibit of his work was presented in Lisbon.
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Para saber mais: Alexandra Reis Gomes Markl, António Ramalho, Lisboa, Círculo de Leitores, 2003.

quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

José Júlio de Sousa Pinto (1856-1939)

Barco desaparecido (1890, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)
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In the fields (1892, National Gallery of Victoria, Melbourne)
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Costurando (Casa-Museu Fernando de Castro)
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La récolte des pommes de terre (1898, Musée d'Orsay, Paris)
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O balde azul (1907, Pinacoteca do Estado de São Paulo)
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José Júlio de Sousa Pinto nasceu em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira (Açores), a 15 de Setembro de 1856. Em 1870, matriculou-se na Academia Portuense de Belas Artes, onde foi aluno de Soares dos Reis, entre outros professores. Em 1880, dois anos após ter concluído o curso de Pintura, partiu para Paris como bolseiro do Estado, na categoria de Pintura de História, tendo por companhia o pintor Henrique Pousão (1859-1884). Neste período, recebeu aulas de Adolphe Yvon (1817-1893) e Alexandre Cabanel (1823-1889), na Escola de Belas Artes de Paris, e participou nos Salons parisienses, nos quais obteve uma Menção Honrosa (1885) e veio a integrar o seu júri (1900). Terminados os estudos fixou-se em França, continuando, no entanto, a visitar Portugal, sobretudo para expor as suas obras em certames colectivos e individuais, no Porto e em Lisboa. Durante a sua carreira, além da França, expôs com sucesso no Brasil e nos E.U.A.. Foi principalmente um pintor paisagista e de cenas de género, ligado ao Naturalismo, num estilo próximo de Bastien-Lepage (1848-1884). Faleceu na Bretanha a 14 de Abril de 1939.
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Resumo do artigo «José Júlio de Sousa Pinto», in Universidade Digital / Gestão de Informação, 2009 (Link).
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«Originally from the island of Terceira in the Azores, José Julio de Souza Pinto arrived in Porto (Portugal) as a very young man, and became a brilliant art student. In 1880 he obtained a grant enabling him to study in Paris, where he worked at the Ecole des Beaux-arts and at Alexandre Cabanel's studio. The following year, in 1881, he exhibited the portrait of one of his compatriots at the Salon of the Society of French Painters, but from 1883 he turned to genre scenes, mainly influenced, both in his subjects and in his treatment of them, by the Naturalism of Jules Bastien-Lepage.
Having settled permanently in France, Souza Pinto made a number of trips to Brittany, which became the background for many of his works (...)».
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Excerto do artigo «La récolte des pommes de terre [The Potato Harvest]», in Musée d'Orsay (Link).
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Para saber mais: Aida Alves de Oliveira Santos, José Júlio de Souza Pinto na Bretanha, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2011, Tese de Mestrado (Link para o Vol. 1 em formato pdf)

quinta-feira, 12 de Setembro de 2013

Maria Augusta Bordalo Pinheiro (1841-1915)

Malvaíscos (1885, MNAC - Link)
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Palácio do Béau Séjour (Link)
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Lenço com decoração de fuccias em renda de bilros (MNAC - Link)
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Leque com decoração de flores em renda de bilros (MNAC - Link)
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Lenço em rendas (Link)
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Maria Augusta Bordalo Pinheiro nasceu e cresceu numa família ligada à arte, sendo a filha mais velha de Manuel Maria Bordalo Pinheiro (1815-1880), irmã de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e de Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929). Nascida em 14 de Novembro de 1841, a artista foi madrinha de Columbano, dezasseis anos mais novo, de quem ficou sempre muito próxima. Ela própria diria: «Esse é meu irmão, meu filho e meu mestre». Quando, no início de 1881, Columbano foi estudar para Paris, Maria Augusta acompanhou-o, mas não terá sido muito feliz. Numa carta para uma irmã, dizia que viviam uma «vida cheia de difficuldades» e que Paris era uma terra grande de mais, boa para estar de passagem. No regresso a Lisboa, a artista desenvolveu actividade como pintora de flores, destacando-se nas artes aplicadas. Criou um ponto português e contribuiu para a renovação da indústria das rendas de Peniche. Desde 1887, durante dois anos, dirigiu a Escola Industrial D. Maria Pia, em Peniche, mais tarde Escola Industrial de Rendeiras Josefa de Óbidos. Esteve à frente da oficina da Rua das Taipas, em Lisboa, mudando depois para a Rua António Maria Cardoso.
Expôs com o Grupo do Leão e, em 1885, quando a Cervejaria do Leão foi reformada, colaborou na decoração com um bordado figurando um leão para um reposteiro. Dois anos depois, em 1887, trabalhou com os irmãos Rafael e Columbano na decoração do Palacete do Beau Séjour. Esteve presente na Exposição Industrial de 1888, em diversas exposições do Grémio Artístico (onde foi distinguida com prémios em 1896 e 1998) e em mostras da S.N.B.A., auferindo uma medalha de honra na Secção de Arte Aplicada, em 1901. As suas rendas foram premiadas internacionalmente, nomeadamente com medalha de ouro em 1889, na Exposição Universal de Paris, e, em 1894, na Exposição Internacional de Antuérpia; o Grand Prix, em 1904, na Exposição Internacional de St. Louis. No ano de 1905, colaborou na nova decoração da Cervejaria Leão de Ouro, para onde compôs dois painéis com flores. Em Julho de 1915, participou na Exposição Internacional Panamá-Pacífico, em São Francisco, na Califórnia, onde as suas rendas foram também premiadas. Faleceu, pouco tempo depois, a 22 de Outubro. Sete anos após a sua morte, em 1922, quando do casamento da Princesa Mary Alexandra Victoria (1897-1965) com Henry Charles George, Viscount Lascelles (1882–1947), Teixeira Gomes, ofereceu uma «caixa de sândalo, artisticamente trabalhada» com um «lenço de rendas bordado por D. Maria Augusta Bordalo Pinheiro sobre um desenho de “brincos de princesa” devido ao lápis do Mestre Columbano (…)».
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Bibl.:
Biblioteca Nacional, Espólio da Família Lopes de Mendonça, carta de Maria Augusta para Henrique Lopes de Mendonça, 4/3/1883; Biblioteca Nacional, Espólio de Teixeira Gomes (E46), carta de Teixeira Gomes a Columbano (cópia de Castelo Branco Chaves), 6/9/1916; Norberto LOPES, 1942, O Exilado de Bougie, Lisboa, Parceria A. M. Pereira; Diogo de MACEDO, Columbano, Artis, 1952; Nuno SALDANHA,  José Vital Branco Malhoa (1855-1933): o pintor, o mestre, e a obra, Tese de doutoramento em História de Arte, Universidade Católica Portuguesa 2006; Teresa Leonor M. VALE, O Beau Séjour: Uma quinta romantica de Lisboa, Lisboa, Livros Horizonte, 1992; Afonso Lopes VIEIRA, «D. Maria Augusta Bordalo Pinheiro», in Atlântida, n.º 2, 1915; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Lisboa e Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, Vol. IV, p. 917; Fernando de PAMPLONA, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses I, Livraria Civilização Editora, 2000.

Links:
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Maria Augusta Bordalo Pinheiro was born and raised in a family with an important role in the Arts, being the eldest daughter of Manuel Maria Bordalo Pinheiro (1815-1880), sister of Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) and Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929). Born on the 14th November 1841, the artist was Columbano's godmother, sixteen years her junior, with whom she always remained close. She used to say about him: " He is my brother, my son and my Master." In the beginning of the year of 1881, Columbano went to Paris to continue with his studies and Maria Augusta went there with him. However, she didn't seem very happy. In a letter to one of her sisters, she wrote they were living "a life full of difficulties" and that Paris was too big for her, only good to stay for a short period of time. On her return to Lisbon, she began to work as a flower painter, and became noticed as an artist in Applied Arts. She created a portuguese stitch and gave her contribute to modernize the lace industry in Peniche.
Since 1887 and during the following two years she was the Escola Industrial D. Maria Pia's Director (Peniche). She also led a workshop at the Rua das Taipas, which later was relocated to Rua António Maria Cardoso (both in Lisbon). She displayed her work with the famous Grupo de Leão. In 1885, she assisted in the new décor of Cervejaria do Leão, embroidering the figure of a lion for one of the curtains. Two years later, she worked with her brothers, Rafael and Columbano, in the decoration of Beau Séjour Palace. She has participated in the 1888 Industrial Exhibition and also in several exhibitions of the "Grémio Artístico" (where she was awarded in 1896 and 1898). Her work could also be seen in the exhibitions of S.N.B.A.. In the 1901 exhibition, she won a honour medal for the Applied Arts Contest. She received many international awards for her lace work: a golden medal in 1889, at the Universal Paris Exhibition, as well as at the International Exhibition in Antwerp, in 1894, and the Grand Prix, in 1904, in the International Exhibition in Saint Louis. In July 1915, she participated in the Panamá- Pacífico International Exhibition, in San Francisco, California, where she was also awarded for her work. She died soon after, on October 22. Seven years after her death, in 1922, Princess Mary Alexandra Victoria (1897-1965) married with Henry Charles George, Viscount Lascelles (1882–1947). Teixeira Gomes, the Portuguese Republic's President, offered then to the English Royal Princess a sandalwood box with a lace handkerchief made by Maria Augusta Bordalo Pinheiro, over a drawing with fuchsia made by the Master Columbano.
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English version made with the help from Presepio com Vista para o Canal. Thank you Sandra!

terça-feira, 30 de Abril de 2013

Miguel Ventura Terra (1866-1919)

Edifício de Miguel Ventura Terra na Rua Alexandre Herculano, n.º 57, Lisboa (1902 - Link).
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Basílica de Santa Luzia, Viana do Castelo (1903 - Link)
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Edifício na Avenida da República, nºs 38 a 38-A, e na Avenida Visconde de Valmor, n.º 22, Lisboa (1906 - Link)
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Liceu Camões, Lisboa (1907- Link)
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Maternidade Doutor Alfredo da Costa, Lisboa (1908 - Link)
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Miguel Ventura Terra nasceu em Seixas do Minho, Caminha, a 14 de Julho de 1866. Frequentou o curso de Arquitectura da Academia Portuense de Belas Artes entre 1881 e 1886. Nesse ano, viajou até Paris como pensionista do Estado, na classe de Arquitectura Civil. Na capital francesa estudou na École Nationale et Speciale des Beaux-Arts e no atelier de Victor Laloux. Regressou a Portugal em 1896 e foi nomeado arquitecto da Direcção de Edifícios Públicos e Faróis. Nessa altura, triunfou no concurso para a reconversão do edifício das Cortes na Câmara dos Deputados e Parlamento, em Lisboa. Foi autor de palacetes, de habitações de rendimento mais qualificadas, essencialmente na capital portuguesa, construções ecléticas, cosmopolitas e utilitárias, mas também de importantes equipamentos urbanos como a primeira creche lisboeta (1901), da Associação de Protecção à primeira Infância; a Maternidade Dr. Alfredo da Costa (1908) e os liceus Camões (1907), Pedro Nunes (1909) e Maria Amália Vaz de Carvalho (1913). Projectou, igualmente, dois pavilhões da representação portuguesa na Exposição de Paris, de 1900, bem como o pedestal do monumento ao Marechal Saldanha (em Lisboa), com o escultor Tomás Costa (1900); a Basílica de Santa Luzia, de Viana do Castelo (1903); a Sinagoga de Lisboa (Shaaré Tikvá ou Portas da Esperança) inaugurada em 1904 na Rua Alexandre Herculano; o edifício do Banco Totta & Açores, na Rua do Ouro, Lisboa (1906); o Teatro Politeama, Lisboa (1912-1913), representativo da Arte do Ferro; e o Palace Hotel de Vidago. Alcançou quatro vezes o Prémio Valmor de Arquitectura (1903, 1906, 1909 e 1911) e uma Menção Honrosa, no mesmo concurso (1913). Também trabalhou na área do urbanismo, nomeadamente com projectos para o parque Eduardo VII (em Lisboa), planos para a zona ribeirinha da capital (1908) e o plano de urbanização do Funchal (1915). Ventura Terra foi um dos grandes responsáveis pela criação da Sociedade dos Arquitectos Portugueses, em actividade desde 1903, e da qual foi o primeiro presidente. Exerceu o cargo de vogal do Conselho dos Monumentos Nacionais e foi vereador da Câmara Municipal de Lisboa até 1913. Morreu nessa cidade a 30 de Abril de 1919.
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Miguel Ventura Terra was a Portuguese architect. He studied in Porto and later in the École de Beaux-Arts of Paris in the atelier of Victor Laloux. Upon his return to Portugal, he became a celebrated architect and authored many prize-winning projects. Most of his work is located in Lisbon like the Politeama Theatre (1912), the Lisbon Synagogue (1902–1904), the Alfredo da Costa Maternity and the renovation of São Bento Palace (early 1900), which houses the Portuguese Parliament. In Lisbon he also built several private mansions and buildings, several of which won the prestigious Valmor Prize, given by the Lisbon Municipality. In Viana do Castelo he designed the Neo-Byzantine Santa Luzia Church (1903–1940).
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segunda-feira, 1 de Abril de 2013

Vieira da Silva (1908-1992)

Composition (Composição) (1936, CAM, Lisboa).
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L'oranger (1954, CAM, Lisboa).
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Les Degrés (Os Degraus) (1964, CAM, Lisboa).
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Atlantide (1973, CAM, Lisboa).
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Maria Helena Vieira da Silva nasceu em Lisboa em 13 de Junho de 1908. O seu pai morreu cedo (em 1911), sendo a sua vida muito marcada pela presença da mãe, com quem viveu em Lisboa - até 1926, em casa do avô que fora fundador do jornal O Século. Na companhia materna fez viagens e assistiu a espectáculos, visitou museus e exposições, destacando-se uma estadia em Londres em 1913 e o visionamento dos «Bailados Russos» em Lisboa, em 1917. Desde criança que teve acesso a um bom ambiente cultural, com aulas de desenho dadas por Emília Santos Braga, de pintura dadas por Armando de Lucena, complementadas com a aprendizagem de música. Interessou-se também pela escultura e frequentou aulas de anatomia na Faculdade de Medicina.
Em 1928, foi para Paris, onde estudou na Academia da Grande Chaumière e na Academia Escandinava. Frequentou depois os ateliês de artistas, incluindo o de Fernand Léger, Antoine Bourdelle e Stanley William Hayter  Entretanto, em 1930, casou-se com Arpad Szenes, pintor húngaro. Em 1933, a galerista Jeanne Bucher organizou a primeira exposição individual consagrada à artista e, em 1935, em Lisboa, foi a vez de António Pedro lhe organizar uma exposição na Galeria UP. Em 1937, um dos seus quadros foi adquirido para a colecção Guggenheim, importante momento que marcou o seu reconhecimento internacional. 
No ano de 1940, Vieira da Silva foi com o marido para o Brasil e foi nesta época que pintou O Metropolitano, evocando os ataques a Paris durante a IIª Guerra Mundial. Nesta altura, algumas das suas obras chegaram a aproximar-se do surrealismo, como é o caso de História Trágico-marítima (1944). Finda a Guerra (1945), em 1947, a artista regressou a Paris. O Estado francês adquiriu-lhe a obra A partida de xadrez (1943) e Pierre Descargues dedicou-lhe uma monografia. Nos anos cinquenta inniciou-se o período de afirmação e consolidação da carreira e a pintora tornou-se num nome de referência da segunda geração da «Escola de Paris». No ano de 1956, recebeu a nacionalidade francesa, pois tinha perdido a nacionalidade portuguesa quando se casou com Arpad. Entretanto, em Portugal, o trabalho da artista começava a ser reconhecido: no ano de 1956, o o Museu do Chiado adquiriu dois dos seus guaches e em 1958, José-Augusto França publicou uma monografia sobre a pintora. Vieira da Silva recebeu o Grand Prix National des Arts in 1966, uma importante honra concedida pelo Governo Francês. 
Em 1970, fez-se uma grande exposição da sua obra na Fundação Calouste Gulbenkian e a artista, feliz com a Revolução de 25 de Abril de 1974, concebeu um conjunto de pinturas evocativas do acontecimento. Em 1977, foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago e Espada e, em 1978, o realizador José Álvaro de Morais dedicou-lhe um filme intitulado Ma femme chamada Bicho, com relatos do marido e por isso evocando a alcunha carinhosa que este dava à sua mulher. No final da década, em 1979, o Governo francês condecorou-a com a Legião de Honra (sendo oficial da mesma Ordem em 1991) e a artista foi aceite como membro do Comité de Honra contra o Racismo e pela Amizade entre os Povos. No ano de 1983, foi convidada a fazer a decoração da estação de metro da Cidade Universitária, em Lisboa. 
Para desgosto da artista, o seu marido Arpad morreu em 1985, mas ela ainda assim continuou a trabalhar, sendo alvo de múltiplas homenagens. Na década de 1990 começou a tratar-se da criação da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, cujo museu inaugurou em 1994, tendo a artista falecido em 1992, dois anos antes. Para além da sua obra pictórica, cujo valor é inegável, quer em termos estéticos, quer em termos de originalidade, deixou escrito um testamento poético, que iremos aqui recordar:

Eu lego aos meus amigos
Um azul cerúleo para voar alto.
Um azul cobalto para a felicidade.
Um azul ultramarino para estimular o espírito.
Um vermelhão para o sangue circular alegremente.
Um verde musgo para apaziguar os nervos.
Um amarelo ouro: riqueza.
Um violeta cobalto para o sonho.
Um garança para deixar ouvir o violoncelo.
Um amarelo barife: ficção científica e brilho; resplendor.
Um ocre amarelo para aceitar a terra.
Um verde veronese para a memória da primavera.
Um anil para poder afinar o espírito com a tempestade.
Um laranja para exercitar a visão de um limoeiro ao longe.
Um amarelo limão para o encanto.
Um branco puro: pureza.
Terra de siena natural: a transmutação do ouro.
Um preto sumptuoso para ver Ticiano.
Um terra de sombra natural para aceitar melhor a melancolia negra.
Um terra de siena queimada para o sentimento de duração.
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Bibliografia: Joana Baião, Vieira da Silva, Quidnovi, 2010.
Link: http://fasvs.pt/
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Maria Helena Vieira da Silva (June 13, 1908 – March 6, 1992) was a Portuguese-French abstractionist painter. She was born in Lisbon, Portugal. At the age of eleven she had begun seriously studying drawing and painting at that city's Academia de Belas-Artes. In her teen years she studied painting with Fernand Léger, sculpture with Antoine Bourdelle, and engraving with Stanley William Hayter, all masters in their respective fields. By 1930 Vieira da Silva was exhibiting her paintings in Paris; that same year she married the Hungarian painter Árpád Szenes. After a brief sojourn back in Lisbon and a period spent in Brazil during World War II (1940–1947), Vieira da Silva lived and worked in Paris the rest of her life. She adopted French citizenship in 1956. Vieira da Silva received the French government's Grand Prix National des Arts in 1966, the first woman so honored. She was named a Chevalier of the Legion of Honor in 1979. She died in Paris, France on March 6, 1992.
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sexta-feira, 1 de Março de 2013

António Teixeira Lopes (1866-1942)

Infância de Caim (1890, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto). 
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A Viúva (1893, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa).
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Flora (Jardim da Cordoaria, Porto).
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Verdade (1903, Museu da Cidade, Lisboa).
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António Teixeira Lopes nasceu em Vila Nova de Gaia a 27 de Outubro de 1866. Era filho de José Joaquim Teixeira Lopes (1837-1918), ceramista e escultor, e de Raquel Pereira Meireles Teixeira Lopes. Iniciou a aprendizagem de escultura na oficina paterna e teve o seu primeiro emprego na Fábrica de Cerâmica das Devesas. Em 1882, ingressou na Academia Portuense de Belas Artes, onde foi aluno do pintor Marques de Oliveira e do escultor Soares dos Reis. Depois de terminar o curso, em 1884, foi para Paris, beneficiando de uma subscrição particular para estudar Escultura. Em Paris recebeu ensinamentos de Paul Berthet e frequentou a Escola de Artes Decorativas, dirigida por Gautier. Inscreveu-se depois no curso de Escultura da Escola de Belas-Artes, onde teve aulas com Matias Duval e Ivan. Participou no Salon com Retrato de criança, em 1887 e, em 1889, ganhou menções-honrosas com as obras Comungante e Caim. A obra intitulada A Viúva obteve uma medalha de ouro de terceira classe, no Salon de 1890. Em 1891 estreou-se a expor individualmente no Palácio da Bolsa, no Porto, lugar onde voltou a apresentar a sua obra com Veloso Salgado, em 1892. Nos anos seguintes continuou a expor, recebendo diversos prémios. O sucesso alcançado permitiu-lhe contactar e conviver com a nobreza. A rainha D. Amélia encomendou-lhe uma escultura da Rainha Santa, em 1895, destinada a Santa Clara-a-Nova de Coimbra. Nesse ano, o seu irmão, José Teixeira Lopes (1872-1919), projectou a seu pedido uma Casa-Atelier, na Rua Marquês Sá da Bandeira, no centro de Vila Nova de Gaia, inaugurado a 27 de Junho de 1896, com a exposição da estátua de madeira pintada da Rainha Santa. Nesse mesmo ano, a versão em bronze de A Viúva, recebeu uma medalha de ouro em Berlim. Em 1897, recebeu do Brasil uma grande encomenda, sendo incumbido de produzir as três portas Igreja de Nossa Senhora da Candelária, do Rio de Janeiro. Entre 1899 e 1904 executou três obras de impacto: o monumento fúnebre de Oliveira Martins - A História - para o Cemitério dos Prazeres, em Lisboa; o monumento de homenagem ao horticultor e floricultor José Marques Loureiro, colocado no Jardim da Cordoaria, no Porto e composto por uma alegoria, a Flora, e um busto do homenageado; e o monumento de Eça de Queiroz, para o Largo Barão de Quintela em Lisboa, intitulado Verdade. Na Exposição Universal de Paris obteve um grand prix e a condecoração de Cavaleiro da Legião de Honra. Em 1901, assumiu o lugar de professor da academia portuense, que manteve até 1936, embora tenha interrompido entre 1916 e 1918. A partir de 1903 desenvolveu uma relação com Aurora, a sua principal modelo. Morreu em São Mamede de Ribatua, no dia 21 de Junho de 1942.
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Resumo do texto in Universidade Digital / Gestão de Informação, 2008.
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António Teixeira Lopes (Vila Nova de Gaia, October 27 1866 – Alijó, June 21 1942) was a Portuguese sculptor. He was the son of sculptor José Joaquim Teixeira Lopes and started learning his art in his father's workshop. In 1882 he entered the Academy of Fine Arts (Escola de Belas Artes) in Oporto, where he continued his education with the sculptor António Soares dos Reis and the painter João Marques de Oliveira. In 1885, he left for Paris, where he entered the École des Beaux-Arts and became a distinguished student. Around 1895, together with his brother, architect José Teixeira Lopes, he built his atelier in Vila Nova de Gaia, which nowadays houses a museum (the Casa-Museu Teixeira Lopes) dedicated to his work. He was a professor of the School of Fine Arts of Porto between 1901 and 1936. Teixeira Lopes dealt mostly with allegoric, historical and religious themes, using clay, marble and bronze as materials. His vast work dots public spaces, palaces and churches in Portugal.

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Resume from Wikipedia.

sábado, 2 de Fevereiro de 2013

Joaquim Machado de Castro (1731-1822)

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A Gratidão (Palácio Nacional da Ajuda).
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Cascata dos Poetas nos jardins da Quinta do Marquês de Pombal (Oeiras)
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Fonte de Neptuno do Chafariz do Loreto (atualmente no Largo D. Estefânia).
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Joaquim Machado de Castro (1731-1822), nasceu em Coimbra, filho de Manuel Machado Teixeira, organeiro e escultor. Começou por estudar com os Jesuítas, em Coimbra, de quem recebeu uma cultura humanista. Em 1746 foi para Lisboa, onde trabalhou na oficina do santeiro Nicolau Pinto, passando depois pelo atelier de José de Almeida, que frequentara a Academia de Portugal em Roma. Em 1756, ingressou na chamada «Escola de Mafra», tornando-se assistente de Giusti. No ano de 1771, era incumbido de esculpir a Estátua Equestre de D. José, destinada à Praça do Comércio, projectada por Eugénio dos Santos. A estátua foi inaugurada em 1775 e, posteriormente, foi chamado a coordenar o programa escultórico da Basílica da Estrela. Entretanto foi autor da estátua de Neptuno do chafariz concebido para o Largo das Duas Igrejas, e que se encontra desde 1925 no Largo D. Estefânia. A partir daí recebeu outras encomendas da corte, nomeadamente túmulos e monumentos régios. Entre essas encomendas, destacamos a estátua de D. Maria I, oferecida à Biblioteca Nacional. Machado de Castro era escultor oficial desde 1782, sendo então convidado a fazer uma estátua de D. João VI para o Rio de Janeiro. Em 1802, foi nomeado para dirigir o programa escultórico para o Palácio da Ajuda, sendo autor de três peças: Conselho, Generosidade e Gratidão. Foi o primeiro escultor português a escrever sobre escultura, demonstrando preocupação na nobilitação da arte e dos artistas. A sua obra mais vasta é a Descrição analítica da Estátua Equestre, sendo ainda de nomear o Dicionário de Escultura (inédito até 1937). É de referir a sua actividade como escultor em barro, de pequeno formato, nomeadamente para figuras de presépios. O presépio barroco desenvolveu-se na época de D. João V, com possível influência italiana, sendo frequentemente um trabalho colectivo. Alguns presépios destacam-se pela sua monumentalidade, como o da Basílica da Estrela que contava com cerca de quinhentos figurantes.
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Bibl.: José Fernandes Pereira, «O Barroco do Século XVIII», in Paulo Pereira (Dir.), História da Arte Portuguesa, Vol. III, Lisboa, Temas & Debates, 1996, pp. 51-181; José Fernandes Pereira, «Joaquim Machado de Castro», in 2005, pp. 127-135.
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Joaquim Machado de Castro (1732-1822) was born in Coimbra, son of Manuel Machado Teixeira. In 1746 he went to Lisbon, where he worked with other sculptors, such as Nicolau Pinto and José de Almeida. Ten years later, in 1756, he started to work in Mafra with the italian artist Giusti. In the year of 1771, he was chosen to sculpt the statue of the king D. José for the Praça do Comércio in Lisbon. After that moment, he was invited to make other works for the Portuguese Courts, as well as for public places. He was the first Portuguese sculptor that wrote about his art, including a «Sculpture Dictionary».  He was also widely known for his ceramic figures, for the «Presépios» (Nativity scenes).

terça-feira, 1 de Janeiro de 2013

Siza Vieira (n. 1933)

Casa de Chá Boa Nova (1963, Leça da Palmeira)
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Museu de Serralves (1997, Porto)
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Pavilhão de Portugal (1998, Lisboa)
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Álvaro Joaquim de Melo Siza Vieira (n. 1933) é o mais conceituado e premiado arquiteto contemporâneo português. Nascido em Matosinhos, estudou, entre 1949 e 1955, na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde lecionou, de 1966 a 1969, voltando em 1976 (sempre como professor assistente). Iniciou a sua vida profissional em 1955, tendo trabalhado com Fernando Távora até 1958. Cedo conseguiu desenvolver a sua própria linguagem, embebida não só nas referências modernistas internacionais como também na forte tradição construtiva portuguesa. As suas obras encontram-se por todo o mundo e foi agraciado em 1992 com o Prémio Pritzker da Fundação Hyatt, de Chicago, e, em 2010, pela Universidade Técnica de Lisboa com o grau de Honoris Causa.
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Álvaro Joaquim de Melo Siza Vieira (b. 1933) graduated in architecture in 1955, at the former School of Fine Arts from the University of Porto, the current FAUP - Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. He completed his first built work (four houses in Matosinhos) even before ending his studies in 1954, the same year that he first opened his private practice in Porto. Between 1955 and 1958 he worked with Fernando Távora. Siza Vieira taught at the school from 1966 to 1969, returning in 1976. In addition to his teaching, he has been a visiting professor at the Graduate School of Design, Harvard University; the University of Pennsylvania; Los Andes University of Bogota; and the École Polytechnique Fédérale de Lausanne. Most of his best known works are located in his hometown Porto: the Boa Nova Tea House (1963), the Faculty of Architecture (1987–93), and the Serralves Museum of Contemporary Art (1997). Siza's Iberê Camargo Foundation (Porto Alegre) was honoured by the Venice Architecture Biennale with the Golden Lion award in 2002. Siza was conferred the title of Honoris Causa Doctor by several universities and he is a member of the American Academy of Arts and Sciences as well as Honorary Fellow of the Royal Institute of British Architects, the American Institute of Architects, the Académie d'Architecture de France and the European Academy of Sciences and Arts.
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