domingo, 2 de janeiro de 2022

Fernando Lanhas (1923-2012)

O2-44 (1943-1944, MNAC)
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Cais 44 (1943-1944, MNAC)
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P3–49 (1949, MNAC)

O10–50 (1950, MNAC)
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Formado em Arquitectura pela Escola Superior de Belas-Artes da Universidade do Porto em 1947, é principalmente reconhecido pela sua actividade como pintor. Embora tenha iniciado as suas pesquisas pictóricas com temas figurativos, desenvolveu uma linguagem abstrata, tendo participado na organização das Exposições Independentes que foram apresentadas no Porto e noutras cidades do país entre 1943 e 1950. Participou depois em diversos certames artísticos nacionais e internacionais, com destaque para as Bienais de São Paulo (1953 e 1955) e para a Bienal de Veneza (1960). «A sua obra pictórica é concebida através da evocação de uma metodologia científica e técnica» (Joana Baião). Além da pintura, Lanhas desenvolveu outras actividades. «Como arquitecto, a sua obra insere-se numa linha racionalista, como se pode observar nas remodelações dos museus de Paços de Ferreira, Paredes, Figueira da Foz e museu militar do Porto». Na década de 1960 dedicou-se à inventariação de locais de interesse arqueológico, sobretudo do Norte de Portugal. Foi director do Museu Etnográfico e Histórico do Porto, entre 1973 e 1993. 
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Graduated in Architecture from the Superior School of Fine Arts of the University of Porto in 1947, he is mainly recognized for his activity as a painter. Although he started his pictorial research with figurative themes, he developed an abstract language, having participated in the organization of Independent Exhibitions that were presented in Porto and other cities in the country between 1943 and 1950. He later participated in several national and international artistic events, with highlighting for the São Paulo Biennials (1953 and 1955) and the Venice Biennale (1960). «His pictorial work is conceived through the evocation of a scientific and technical methodology» (Joana Baião). In addition to painting, Lanhas developed other activities. «As an architect, his work is part of a rationalist line, as can be seen in the remodeling of the museums in Paços de Ferreira, Paredes, Figueira da Foz and the military museum in Porto». In the 1960s he dedicated himself to the inventory of sites of archaeological interest, especially in Northern Portugal. He was director of the Ethnographic and Historical Museum of Porto, between 1973 and 1993.

domingo, 5 de dezembro de 2021

Costa Mota Sobrinho (1877-1956)

Nossa Senhora do Carmo (1908, Museu de José Malhoa, Caldas da Rainha)
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Busto Actor Taborda (1909, Museu de Cerâmica, Caldas da Rainha)
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Pote com Feijão Verde (1910, Museu de José Malhoa, Caldas da Rainha)
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Leiteira e Bule (1908-1916, Museu de Cerâmica, Caldas da Rainha)
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Justiça (1921, Museu da Assembleia da República, Lisboa)
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António Augusto da Costa Motta (Sobrinho), nasceu em Coimbra em 1877. Em 1889, ingressou na Escola Industrial Brotero, onde teve por mestre António Augusto Gonçalves que o introduziu na arte da cerâmica. Em 1893, frequentou o Curso Geral de Desenho da Escola de Belas Artes de Lisboa, onde foi aluno e discípulo de Simões de Almeida Tio e de António Augusto Costa Motta, tio. Em 1897, ingressou no Curso de Escultura Estatuária. Em 1902, participou, com seu tio, no Monumento a Afonso de Albuquerque, inaugurado no mesmo ano, em Lisboa. Em 1903, casou com Carlota Cid Rodrigues, partindo no ano seguinte para Paris, onde trabalhou com o Mestre Jean-Antoine Injalbert. Nesta fase, participou no Salon de Paris, sendo premiado pela Manhã de S. João. Em 1906, já em Lisboa, expôs na  Sociedade Nacional de Belas-Artes, recebendo a 1ª medalha. Por indicação de Brito Camacho, foi convidado para a direcção artística da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha. Em 1909, participou no 7º Salão da SNBA, com várias peças de cerâmica, onde recebeu novamente a 1ª medalha. Em 1914, regressou a Lisboa. Em 1913, a pedido de Júlio Dantas, modelou o busto de Fialho de Almeida para a Biblioteca Nacional. Em 1917, expôs na SNBA a Sagrada Família (bronze) e o busto do Actor Carlos Santos. Em 1921, executou para o Palácio de S. Bento, o gesso A Justiça. No ano de 1928, foi inaugurada a Escola de Cerâmica António Augusto Gonçalves (posteriormente denominada António Arroio), onde criou as decorações, recorrendo a composições florais geometrizadas e integrando o medalhão com o busto de António Augusto Gonçalves na fachada. No ano seguinte, assumiu a direcção da escola (que manteve até 1947). Em 1931, recebeu o diploma especial da Exposição Colonial Internacional de Paris, onde, com Raul Lino, colaborou na conceção do Pavilhão de Portugal. Em 1938, executou a encomenda do Conselho Nacional de Turismo para a realização dos 13 grupos escultóricos representando os Passos da Via Sacra para as Capelas do Buçaco. Morreu em 1956, em Lisboa.
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Cf. «Costa Mota, sobrinho (1877-1956)», in Assembleia da República; Matriznet.
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António Augusto da Costa Motta (Nephew), was born in Coimbra in 1877. In 1889, he entered the Brotero Industrial School, where he had António Augusto Gonçalves as his master, who introduced him to the art of ceramics. In 1893, he attended the General Drawing Course at the Lisbon School of Fine Arts, where he was a student and disciple of Simões de Almeida Tio and his uncle António Augusto Costa Motta. In 1897, he entered the Statuary Sculpture Course. In 1902, he participated, with his uncle, in the Monument to Afonso de Albuquerque, inaugurated in the same year, in Lisbon. In 1903, he married Carlota Cid Rodrigues, leaving the following year for Paris, where he worked with Master Jean-Antoine Injalbert. At this stage, he participated in the Salon de Paris, receiving an award for the Manhã de S. João. In 1906, already in Lisbon, he exhibited at the National Society of Fine Arts, receiving the 1st medal. By recommendation of Brito Camacho, he was invited to the artistic direction of Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha. In 1909, he participated in the 7th SNBA Salon, with several ceramic pieces, where he again received the 1st medal. In 1914 he returned to Lisbon. In 1913, at the request of Júlio Dantas, he modeled the bust of Fialho de Almeida for the National Library. In 1917, he exhibited at the SNBA the Sagrada Familia (bronze) and the bust of Actor Carlos Santos. In 1921, he executed the plaster A Justiça for the Palácio de S. Bento. In 1928, the António Augusto Gonçalves Ceramics School (later named António Arroio) was inaugurated, where he created the decorations, using geometric floral compositions and integrating the medallion with the bust of António Augusto Gonçalves on the façade. The following year he took over the direction of the school (which he maintained until 1947). In 1931, he received the special diploma from the International Colonial Exhibition in Paris, where, with Raul Lino, he collaborated in the design of the Pavilhão de Portugal. In 1938, he carried out a commission from the National Tourism Council for the realization of 13 sculptural groups representing the Steps of the Via Sacra for the Chapels of Buçaco. He died in 1956 in Lisbon.

domingo, 26 de setembro de 2021

Cipriano Dourado (1921-1981)

Penhasco (Centro de Arte Moderna - Gulbenkian, Lisboa)
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Quatro Mulheres (1951, Museu do Chiado - MNAC, Lisboa)
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Sem Título (1956, Centro de Arte Moderna - Gulbenkian, Lisboa)
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Raparigas (1957, Centro de Arte Moderna - Gulbenkian, Lisboa)
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Mondadeiras (1959, Centro de Arte Moderna - Gulbenkian, Lisboa)
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Cipriano Dourado nasceu em Mação, a 8 de Fevereiro de 1921. Foi um artista plástico ligado ao Neorrealismo, que desenvolveu actividade nas áreas da gravura, desenho, pintura e aguarela. Foi um dos pioneiros da Gravura Portuguesa Contemporânea, tendo iniciado a sua carreira profissional como desenhador-litógrafo. Frequentou um curso noturno na Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa), e, em 1949, fez um estágio na Academia Livre Grande Chaumière (Paris). Foi membro fundador da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses (1956) e lecionou na Escola de Artes Decorativas António Arroio (Lisboa). Os temas mais frequentes na sua obra são a mulher e a terra. Em 1953, levado pelo escritor Alves Redol, juntamente com Júlio Pomar e Rogério Ribeiro, formou uma equipa que, no Ribatejo, se dedicou a tratar o tema dos arrozais, constituindo o "Ciclo do Arroz". Expôs em Portugal (entre 1949 e 1974) e no estrangeiro, nomeadamente no Japão, na Suíça e na Suécia (1957 e 1958). Faleceu em Lisboa, a 17 de Janeiro de 1981.
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Cipriano Dourado was born in Mação, on February 8, 1921. He was a plastic artist linked to Neorealism, who worked in the areas of engraving, drawing, painting and watercolor. He was one of the pioneers of Contemporary Portuguese Engraving, having started his professional career as a lithographer-drawer. He attended an course at the National Society of Fine Arts (Lisbon), and, in 1949, did an internship at the Free Academy Grande Chaumière (Paris). He was a founding member of Gravura – Portuguese Engravers Cooperative Society (1956) and taught at the António Arroio Decorative Arts School (Lisbon). The most frequent themes in his work are the woman and the land. In 1953, led by the writer Alves Redol, together with Júlio Pomar and Rogério Ribeiro, he formed a team that, in Ribatejo, was dedicated to dealing with the theme of rice fields, constituting the "Rice Cycle". He exhibited in Portugal (between 1949 and 1974) and abroad, namely in Japan, Switzerland and Sweden (1957 and 1958). He died in Lisbon on January 17, 1981.

domingo, 27 de junho de 2021

António Pedro (1909-1966)

Sem Título (1935, Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa)
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Sabat - Dança de Roda (1936, Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa)
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Intervenção Romântica (1940, Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa)
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Rapto na Paisagem Povoada (1947, Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa)
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Escultura I (1952, Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa)
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António Pedro da Costa nasceu em Cabo Verde, em 1909, e morreu em Moledo do Minho, em 1966. Começou por dedicar-se à poesia, tendo publicado desde 1926. A partir de 1948, trabalhou em teatro e foi director do Teatro Experimental do Porto (1954-1966). Em 1930, foi um dos organizadores do Salão dos Independentes. A sua obra pictórica desenvolveu-se entre 1934 e 1949, relacionando-se com a poesia. Entre os seus primeiros trabalhos conta-se o Poème Dimensionnel (1935). Em 1935, assinou o manifesto do «dimensionismo», também assinado por Duchamp, Kandinsky, Delaunay, etc. Para ele, o «dimensionismo» era: «Direcção especial de uma série de procuras caracterizadas pela ampliação das possibilidades formais de variadas artes, realizada pelo aumento de uma ou mais dimensões espaciais (...). A poesia precisa cada vez menos de palavras. A pintura precisa cada vez mais de poesia». Em 1936, os seus «poemas dimensionais» foram expostos na Galeria UP, que ele dirigia. O «dimensionismo» passou para a pintura, do que resultou a obra Sabat, Dança de Roda (1936). Desde então, a sua pintura aproximou-se do Expressionismo e do Surrealismo. Em 1940, com António Dacosta e Pamela Boden, realizou um exposição que se opunha à Exposição do Mundo Português, onde expôs Intervenção Romântica (1940). No ano seguinte (1941), expôs em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em 1942, escreveu e ilustrou o texto semiautomático Apenas uma Narrativa. Data de 1947, o quadro Rapto na Paisagem Povoada, onde fez uma homenagem aos pintores que mais admirava: Hieronymus Bosch e Paul Rubens.
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Bibl. - Rui Mário Gonçalves, Pintores Portugueses do Século XX, Lisboa, Alfa, 1986, pp.70-73.
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António Pedro da Costa was born in Cape Verde, in 1909, and died in Moledo do Minho, in 1966. He began is career as poet, having published since 1926. From 1948, he started to work in theater and became director of Teatro Experimental do Porto in 1954 (until 1966). In 1930, he was one of the organizers of the Salão dos Independentes. His pictorial work was developed between 1934 and 1949. Among his first works is the Poème Dimensionnel (1935). In the year 1935, he signed the manifesto of “dimensionism”, also signed by Duchamp, Kandinsky, Delaunay, etc. For him, “dimensionism” was: “Special direction of a series of demands characterized by the expansion of formal possibilities of various arts, realized by increasing one or more spatial dimensions (...). Poetry needs less and less words. Painting needs more and more poetry.” In 1936, his “dimensional poems” were exhibited at the UP Gallery of Art, that he directed. «Dimensionism» passed to painting, which resulted in the work Sabat, Dança de Roda (1936). Since then, his painting has approached Expressionism and Surrealism. In 1940, with António Dacosta and Pamela Boden, he held an exhibition where he exhibited Intervenção Romântica. The following year (1941), he exhibited in São Paulo and Rio de Janeiro. In the year 1942, he wrote and illustrated the semiautomatic text Apenas uma Narrativa. The painting Rapto na Paisagem Povoada (1947) is an important work in which he paid tribute to the painters he most admired: Hieronymus Bosch and Paul Rubens.

domingo, 23 de maio de 2021

Julião Sarmento (1948-2021)

 
Quarto de cama, n.º 21 (1974, Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Lisboa)
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The Frozen Leopard (1991, Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Lisboa)
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Amazônia (1992, Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Lisboa)
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The House With Upstairs in it (1996, Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Lisboa)
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Forget me (2005, Tate Gallery, Londres)
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Julião Sarmento nasceu em Lisboa, em 4 de Novembro de 1948, cidade onde frequentou o curso de arquitectura na Escola Superior de Belas Artes, entre 1967 e 1974. A sua carreira artística iniciou na década de 1970, marcada por influências culturais predominantemente anglo-saxónicas e em sintonia com as correntes mais avançadas da arte internacional. Data de 1976 a sua primeira exposição individual, realizada na Sociedade Nacional de Belas Artes, tendo participado na exposição «Alternativa Zero», no ano seguinte. Utilizou meios de expressão diversificados, como pintura, filme, colagem, fotografia e texto. Os seus dispositivos foram desde a apropriação de imagens e citações literárias até à fragmentação das formas. Na década de 1980, acompanhou a mudança de paradigma ligada ao  «regresso à pintura» (figurativa, de pendor expressionista), tendo participado na exposição coletiva «Depois do Modernismo» (SNBA, Lisboa, 1983). Em 1982 e 1987, participou nas duas edições da «Documenta» de Kassel, o que teve impacto significativo na sua carreira internacional. No final da década de 1980, a sua pintura tornou-se mais sóbria e contida, sendo esse o período das «Pinturas Brancas», onde os corpos quase se desmaterializam, reduzindo-se muitas vezes a fragmentos sugeridos por suaves linhas de contorno. Em 1994, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada; em 1997, representou Portugal na Bienal de Veneza. Em 2012-2013, o Museu de Serralves, no Porto, organizou «Noites Brancas», a mais completa retrospectiva do seu trabalho e que lhe mereceu, em 2014, a atribuição do Prémio AICA 2012. Faleceu no Estoril, em 4 de Maio de 2021.
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Fonte: Wikipédia.
A ler: Bruno Marques, «Julião Sarmento’s Moving Images: Vision’s Perversity For The Maintenance of Desire», in Journal of Science and Technology of the Arts, Vol. 13, N.º 1, 2021; Maria Isabel Roque, «De Julião Sarmento, é o traço...», in A.Muse.Art, 5 de Maio de 2021.
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«Born in Lisbon in 1948, Sarmento studied painting and architecture at the Lisbon School of Fine Arts. He began exhibiting film, video, sound, painting, sculpture, installation, and multimedia in the early seventies, but also developed several site-specific projects.
He exhibited his work extensively around the world in solo and group shows. Sarmento represented Portugal at the Venice Biennial in 1997. His work is represented in several museums and private collections, including an artist room exhibited at London's Tate Modern in 2010.
(...) A demonstration of his work was showcased as part of the Desert X exhibit in the Coachella Valley from 25 February – 30 April 2017.
Julião Sarmento died of cancer on 4 May 2021 at his home in Estoril at the age of 72».
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Source: Wikipedia.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

José Cândido Dominguez Alvarez (1906-1942)

Bairro de Pescadores (1929, Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa)
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Louco (1934, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa)
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D. Quixote (1934, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa)
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Casario e Figuras de um Sonho (Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa)
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Casa das Violas (Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa)
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De ascendência galega, José Cândido Dominguez Alvarez nasceu no Porto, em 23 de Fevereiro 1906. Em 1919 instalou-se na Galiza com o objetivo de fazer um curso para funcionário dos Correios e Telégrafos, mas voltou ao Porto, em 1920, sem o ter frequentado. Em 1926, matriculou-se no curso Preparatório de Arquitetura da Escola de Belas Artes do Porto, que veio a trocar pelo de Pintura, em 1928. Em 1931 perdeu o ano por motivos de saúde e, parte do ano seguinte, passou-o na Galiza, a pintar. Em 1934 produziu algumas das suas obras mais aclamadas, entre as quais o Homem da Cartola, Louco, Casario, Homem Compostelano ou Figura dum Sonho. A sua única exposição individual foi realizada no Salão Silva Porto, em 1936. Em contrapartida, participou em várias exposições coletivas, como na Grande Exposição dos Artistas Portugueses, em 1935, entre outras. Concluiu o curso de Pintura em 1940, tendo apresentado o trabalho Paisagem com Animais, com o qual obteve a classificação de 20 valores. Entretanto, durante a licenciatura, recebeu alguns prémios e elogios de diversos professores, tais como Aarão de Lacerda e Dórdio Gomes. Entre 1940 e 1942 foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura. Nesse período pintava essencialmente paisagens e foi nomeado professor da Escola Industrial Infante D. Henrique, no Porto. Faleceu em 16 de Abril de 1942, vítima de tuberculose. A sua obra foi inspirada pelo Porto e pelas localidades dos seus antepassados, autointitulando-se «pintor oriundo de Pontevedra, residente no Porto». Nas suas pinturas vemos a representação de paisagens rurais e urbanas, cenas do dia-a-dia com figuras, interpretadas segundo uma linguagem expressionista e surrealista.
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Cf. «José Dominguez Alvarez», Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto, 2010.
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Of Galician descent, José Cândido Dominguez Alvarez was born in Porto, on February 23, 1906. In 1919 he settled in Galicia with the objective of taking a course for postal and telegraph employees, but returned to Porto in 1920, without having frequented it. In 1926, he enrolled in the Preparatory Course in Architecture at the School of Fine Arts of Porto, which he changed to Painting in 1928. In 1931 he lost the year for health reasons and, part of the following year, was spent it in Galicia, painting. In 1934 he produced some of his most acclaimed works. His only solo exhibition was held at Salão Silva Porto, in 1936. On the other hand, he participated in several group exhibitions, such as the Great Exhibition of Portuguese Artists in 1935, among others. He completed the Painting course in 1940. Between 1940 and 1942 he received a scholarship from the Instituto de Alta Cultura. During this period he essentially painted landscapes and was appointed professor at Escola Industrial Infante D. Henrique, in Porto. He died on April 16, 1942, victim of tuberculosis. His work was inspired by the city of Porto and the locations of his ancestors, calling himself "painter from Pontevedra, resident in Porto". In his paintings we see the representation of rural and urban landscapes, everyday scenes with figures, using an expressionist and surrealist language.
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Cf. «José Dominguez Alvarez», University of Porto Famous Alumni, 2010.

domingo, 14 de março de 2021

António Saúde (1875-1958)

Dia de trovoada (1906, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)
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Uma rua (Castelo Novo) (1918, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves)
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Serra do Gerez (1945, Museu José Malhoa)
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Margens do rio Barreiro (1950, Museu de José Malhoa)
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António Manuel da Saúde nasceu em Lisboa em 2 de Julho de 1875 e faleceu na mesma cidade em 24 de Dezembro de 1958. Foi um pintor naturalista, discípulo de Carlos Reis, tendo sido professor nos Liceus de Santarém e no Gil Vicente e Passos Manuel, em Lisboa. Formado em Desenho e Pintura de Paisagem na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, expôs pela primeira vez em 1899, na última Exposição do Grémio Artístico. Integrou a Sociedade Silva Porto, constituída em 1900. A sua obra foi premiada em exposições da Sociedade Nacional de Belas-Artes, tendo sido o 1º prémio Silva Porto do Secretariado Nacional de Informação, assim como como também o foi no Panamá, em Sevilha, no Rio de Janeiro, estando a sua obra patente no Museu de Sevilha, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Museu Regional Grão-Vasco e no Museu do Chiado.
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in «A Rua do professor de Liceu e pintor António Saúde», in Toponímia de Lisboa, 7 de Setembro de 2017.
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António Manuel da Saúde was born in Lisbon on July 2, 1875 and died in the same city on December 24, 1958. He was a naturalist painter, a disciple of Carlos Reis, having been a teacher at the Schools of Santarém and at Gil Vicente and Passos Manuel, in Lisbon. Graduated in Drawing and Landscape Painting at the Lisbon Superior School of Fine Arts, he exhibited for the first time in 1899, at the last Grémio Artístico Exhibition. He was a member of the Silva Porto Society, established in 1900. His work was awarded in exhibitions by the National Society of Fine Arts, having been the 1st Silva Porto prize by the National Secretariat for Information, as well as in Panama, Seville, in Rio de Janeiro, his work being displayed in the Museum of Seville, in the National Museum Soares dos Reis, in the Regional Museum Grão-Vasco and in the Museum of Chiado.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Artur Alves Cardoso (1883-1930)

Dia de festa em Pont l' Abbé (Finistère) (1907, Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa)
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Ceifeira (1912)
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Uma Pausa Forçada (1913, Museu José Malhoa, Caldas da Rainha)
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Discípulo de Carlos Reis, Cormon e Jean-Paul Laurens. Destacou-se como paisagista, sendo um ar-livrista integrado no Grupo Silva Porto. Em algumas obras apresenta influência impressionista, como no quadro Poeirada de Luz (1929, Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea). Uma parte importante da sua obra compõe-se de cenas e tipos da vida rural, sobressaindo a sua «maneira vigorosa de caracterizar as figuras do povo». Foi também retratista e decorador, tendo pintado, por exemplo, o tecto da sala de sessões da Assembleia Nacional (Palácio de São Bento). Recebeu medalha de ouro na Exposição Internacional Panamá-Pacífico.
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Bibl. Fernando de Pamplona, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses; Barcelos, Livraria Civilização Editora, 1987, Vol. I, pp. 82-84.
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Disciple of Carlos Reis, Cormon and Jean-Paul Laurens. He stood out as a landscape painter, integrated in the Silva Porto Group. In some works he has an impressionist influence, as in the painting Poeirada de Luz (1929, Museu do Chiado - National Museum of Contemporary Art). An important part of his work is composed of scenes and types of rural life, highlighting his "vigorous way of characterizing the figures of the people". He was also a portraitist and decorator, having painted, for example, the ceiling of the room of sessions of the National Assembly (São Bento Palace). He received a gold medal at the Panama-Pacific International Exhibition.

domingo, 24 de janeiro de 2021

Adelino Lyon de Castro (1910-1953)

 
Sem Título (1945-1953, Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado)
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Manhã no Tejo (1945-1953, Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado)
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Esforço (1945-1953, Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado)
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A Caminho (1945-1953, Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado)
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Encontro (1950, Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado)
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«Editor e um dos mais importantes e interessantes fotógrafos amadores da década de 50 em Portugal, apesar da sua breve carreira e vida. Foi em conjunto com este seu irmão, Francisco Lyon de Castro, que fundou, em 1945, as publicações Europa-América, naquela que viria a tornar-se uma das editoras de referência no panorama editorial português do pós-guerra. A sua linha editorial assentou na defesa da publicação de muitos autores proibidos pela Censura, além de ter apostado na importação de autores estrangeiros, o que levou a incidentes frequentes com a Censura e a PIDE. Em 1952, fundam o projecto do periódico Ler, Jornal de Letras, Arte e Ciências, de que Adelino Lyon de Castro viria a ser o editor, com a participação regular de nomes como Piteira Santos, José Cardoso Pires, Maria Lamas, Mário Dionísio, António Quadros, José Régio ou Orlando Ribeiro. Tendo usado como pretexto a morte prematura do seu editor, Adelino Lyon de Castro, em 1953, a Censura viria a proibir a publicação do jornal ainda nesse ano. O cunho marcadamente político e de preocupações sociais da sua actividade editorial viria a influenciar também o seu percurso como fotógrafo amador. Pertenceu a uma das associações fotográficas mais relevantes da década de 50, o Foto Clube 6x6, fundado em 1950 e sediado em Lisboa. A sua relação intensa e próxima com os meios literários e artísticos de resistência à Ditadura, aproximou-o das Exposições Gerais de Artes Plásticas (EGAP), imbuídas da estética neo-realista, levando-o à participação na secção de Fotografia na 5.ª EGAP. Participou em inúmeros salões fotográficos nacionais e internacionais. A totalidade do seu espólio fotográfico foi doada ao MNAC – Museu do Chiado em 2009».
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Emília Tavares in MNAC.
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Editor and one of the most important and interesting amateur photographers of the 50's in Portugal, despite his brief career and life. Together with his brother, Francisco Lyon de Castro, founded, in 1945, the Europe-America publications, that would become one of the leading publishers in the post-war Portuguese publishing scene. His editorial line was based on the defense of the publication of many authors prohibited by Censorship, in addition to betting on the importation of foreign authors, which led to frequent incidents with Censorship and PIDE. In 1952, they founded the project for the journal Ler, Jornal de Letras, Arte e Ciências, of which Adelino Lyon de Castro would become the editor, with the regular participation of names such as Piteira Santos, José Cardoso Pires, Maria Lamas, Mário Dionísio, António Quadros, José Régio or Orlando Ribeiro. The markedly political and social concerns of his publishing activity would also influence his career as an amateur photographer. He belonged to one of the most relevant photographic associations of the 50s, Foto Clube 6x6, founded in 1950 and based in Lisbon. His intense and close relationship with the literary and artistic means of resistance to the Dictatorship brought him closer to the General Expositions of Plastic Arts (EGAP), imbued with neo-realistic aesthetics, leading him to participate in the Photography section at the 5th EGAP. He participated in numerous national and international photographic salons. The totality of his photographic collection was donated to MNAC - Museu do Chiado in 2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Acácio Lino (1878-1956)

Palhaços Músicos (1903, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto)
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Retrato de Lininha (1915, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto)
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Arrancada (1928, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto)
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Chô! Passarada! (1943, Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, Águeda)
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A Última Compra (1945, Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, Águeda)
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Acácio Lino de Magalhães nasceu em 1878, em São Salvador de Travanca (Amarante). Quando tinha doze anos, foi viver para o Porto, para casa do seu irmão Albano, tornando-se aluno de Marques de Guimarães, no seu atelier e nas aulas de Desenho Histórico e Escultura. Matriculou-se depois nas aulas de Pintura e Escultura na Academia Portuense de Belas Artes. Com um grupo de colegas instituiu um centro de estudo de modelo vivo - o "Centro do Julinho" - na Rua do Dr. Alves da Veiga, onde lecionou gratuitamente Marques de Oliveira. Quando estava no quarto ano de Pintura Histórica, concorreu ao pensionato do Estado em Paris, recebendo uma bolsa e partindo para a capital francesa em 1904. Aí foi aluno de Jean-Paul Laurens e Fernand Cormon. No regresso para Portugal, leccionou desenho no Liceu Alexandre Herculano, mas foi na Escola de Belas Artes do Porto que fez a sua carreira de docente. Em 1912, foi nomeado professor interino da disciplina de Desenho Histórico e, mais tarde, ocupou o cargo de sub-director. Tinha atelier em Travanca, onde «buscava inspiração no bucolismo da mundo rural da sua infância».  Destacou-se como autor de pintura naturalista e histórica, mas também pintou retrato e temas religiosos. As suas obras podem ser encontradas em museus e entidades portuguesas, públicas e privadas, como, por exemplo: o Palácio de S. Bento (Sala Acácio Lino) e o Museu Militar, em Lisboa; o Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto; o Museu Malhoa, nas Caldas da Rainha; o Museu Amadeo de Souza Cardoso e a Casa Museu Acácio Lino, em Amarante. Também fez escultura, tendo realizado, entre outros trabalhos, o busto de Soares dos Reis e da sua esposa Dina. Morreu em 1956.
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Bibl. - SIGARRA U.Porto
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Acácio Lino de Magalhães was born in 1878, in São Salvador de Travanca (Amarante). When he was twelve, he moved to Porto, to his brother Albano's house, becoming a student of Marques de Guimarães, in his studio and in the classes of Historical Design and Sculpture. He later enrolled in Painting and Sculpture classes at the Porto Academy of Fine Arts. With a group of colleagues, he established a living model study center - "Centro do Julinho" - on Rua do Dr. Alves da Veiga, where taught the painter Marques de Oliveira. When he was in the fourth year of Historical Painting, he ran for the State boarding school in Paris, receiving a scholarship and leaving for the French capital in 1904. There he was a student of Jean-Paul Laurens and Fernand Cormon. On his return to Portugal, he taught drawing at the Liceu Alexandre Herculano, but it was at the School of Fine Arts in Porto that he made his teaching career. In 1912, he was appointed acting professor of the discipline of Historical Design and, later, he served as deputy director. He had a studio in Travanca, where "he sought inspiration in the bucolism of the rural world of his childhood". He stood out as an author of naturalist and historical painting, but he also painted portrait and religious themes. His works can be found in museums and other Portuguese public and private institutions, such as, for example: the Palace of São Bento (Sala Acácio Lino) and the Military Museum, in Lisbon; the Soares dos Reis National Museum, in Porto; the Malhoa Museum, in Caldas da Rainha; the Amadeo de Souza Cardoso Museum and the Casa Museu Acácio Lino, in Amarante. He also made sculpture, having performed, among other works, the bust of Soares dos Reis and of his wife Dina. He died in 1956.
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