domingo, 21 de fevereiro de 2021

Artur Alves Cardoso (1883-1930)

Dia de festa em Pont l' Abbé (Finistère) (1907, Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa)
-
Ceifeira (1912)
-
Uma Pausa Forçada (1913, Museu José Malhoa, Caldas da Rainha)
-
-
-
Discípulo de Carlos Reis, Cormon e Jean-Paul Laurens. Destacou-se como paisagista, sendo um ar-livrista integrado no Grupo Silva Porto. Em algumas obras apresenta influência impressionista, como no quadro Poeirada de Luz (1929, Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea). Uma parte importante da sua obra compõe-se de cenas e tipos da vida rural, sobressaindo a sua «maneira vigorosa de caracterizar as figuras do povo». Foi também retratista e decorador, tendo pintado, por exemplo, o tecto da sala de sessões da Assembleia Nacional (Palácio de São Bento). Recebeu medalha de ouro na Exposição Internacional Panamá-Pacífico.
-
Bibl. Fernando de Pamplona, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses; Barcelos, Livraria Civilização Editora, 1987, Vol. I, pp. 82-84.
-
Disciple of Carlos Reis, Cormon and Jean-Paul Laurens. He stood out as a landscape painter, integrated in the Silva Porto Group. In some works he has an impressionist influence, as in the painting Poeirada de Luz (1929, Museu do Chiado - National Museum of Contemporary Art). An important part of his work is composed of scenes and types of rural life, highlighting his "vigorous way of characterizing the figures of the people". He was also a portraitist and decorator, having painted, for example, the ceiling of the room of sessions of the National Assembly (São Bento Palace). He received a gold medal at the Panama-Pacific International Exhibition.

domingo, 24 de janeiro de 2021

Adelino Lyon de Castro (1910-1953)

 
Sem Título (1945-1953, Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado)
-
Manhã no Tejo (1945-1953, Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado)
-
Esforço (1945-1953, Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado)
-
A Caminho (1945-1953, Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado)
-
Encontro (1950, Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado)
-
«Editor e um dos mais importantes e interessantes fotógrafos amadores da década de 50 em Portugal, apesar da sua breve carreira e vida. Foi em conjunto com este seu irmão, Francisco Lyon de Castro, que fundou, em 1945, as publicações Europa-América, naquela que viria a tornar-se uma das editoras de referência no panorama editorial português do pós-guerra. A sua linha editorial assentou na defesa da publicação de muitos autores proibidos pela Censura, além de ter apostado na importação de autores estrangeiros, o que levou a incidentes frequentes com a Censura e a PIDE. Em 1952, fundam o projecto do periódico Ler, Jornal de Letras, Arte e Ciências, de que Adelino Lyon de Castro viria a ser o editor, com a participação regular de nomes como Piteira Santos, José Cardoso Pires, Maria Lamas, Mário Dionísio, António Quadros, José Régio ou Orlando Ribeiro. Tendo usado como pretexto a morte prematura do seu editor, Adelino Lyon de Castro, em 1953, a Censura viria a proibir a publicação do jornal ainda nesse ano. O cunho marcadamente político e de preocupações sociais da sua actividade editorial viria a influenciar também o seu percurso como fotógrafo amador. Pertenceu a uma das associações fotográficas mais relevantes da década de 50, o Foto Clube 6x6, fundado em 1950 e sediado em Lisboa. A sua relação intensa e próxima com os meios literários e artísticos de resistência à Ditadura, aproximou-o das Exposições Gerais de Artes Plásticas (EGAP), imbuídas da estética neo-realista, levando-o à participação na secção de Fotografia na 5.ª EGAP. Participou em inúmeros salões fotográficos nacionais e internacionais. A totalidade do seu espólio fotográfico foi doada ao MNAC – Museu do Chiado em 2009».
-
Emília Tavares in MNAC.
-
Editor and one of the most important and interesting amateur photographers of the 50's in Portugal, despite his brief career and life. Together with his brother, Francisco Lyon de Castro, founded, in 1945, the Europe-America publications, that would become one of the leading publishers in the post-war Portuguese publishing scene. His editorial line was based on the defense of the publication of many authors prohibited by Censorship, in addition to betting on the importation of foreign authors, which led to frequent incidents with Censorship and PIDE. In 1952, they founded the project for the journal Ler, Jornal de Letras, Arte e Ciências, of which Adelino Lyon de Castro would become the editor, with the regular participation of names such as Piteira Santos, José Cardoso Pires, Maria Lamas, Mário Dionísio, António Quadros, José Régio or Orlando Ribeiro. The markedly political and social concerns of his publishing activity would also influence his career as an amateur photographer. He belonged to one of the most relevant photographic associations of the 50s, Foto Clube 6x6, founded in 1950 and based in Lisbon. His intense and close relationship with the literary and artistic means of resistance to the Dictatorship brought him closer to the General Expositions of Plastic Arts (EGAP), imbued with neo-realistic aesthetics, leading him to participate in the Photography section at the 5th EGAP. He participated in numerous national and international photographic salons. The totality of his photographic collection was donated to MNAC - Museu do Chiado in 2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Acácio Lino (1878-1956)

Palhaços Músicos (1903, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto)
-
Retrato de Lininha (1915, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto)
-
Arrancada (1928, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto)
-
Chô! Passarada! (1943, Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, Águeda)
-
A Última Compra (1945, Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, Águeda)
-
Acácio Lino de Magalhães nasceu em 1878, em São Salvador de Travanca (Amarante). Quando tinha doze anos, foi viver para o Porto, para casa do seu irmão Albano, tornando-se aluno de Marques de Guimarães, no seu atelier e nas aulas de Desenho Histórico e Escultura. Matriculou-se depois nas aulas de Pintura e Escultura na Academia Portuense de Belas Artes. Com um grupo de colegas instituiu um centro de estudo de modelo vivo - o "Centro do Julinho" - na Rua do Dr. Alves da Veiga, onde lecionou gratuitamente Marques de Oliveira. Quando estava no quarto ano de Pintura Histórica, concorreu ao pensionato do Estado em Paris, recebendo uma bolsa e partindo para a capital francesa em 1904. Aí foi aluno de Jean-Paul Laurens e Fernand Cormon. No regresso para Portugal, leccionou desenho no Liceu Alexandre Herculano, mas foi na Escola de Belas Artes do Porto que fez a sua carreira de docente. Em 1912, foi nomeado professor interino da disciplina de Desenho Histórico e, mais tarde, ocupou o cargo de sub-director. Tinha atelier em Travanca, onde «buscava inspiração no bucolismo da mundo rural da sua infância».  Destacou-se como autor de pintura naturalista e histórica, mas também pintou retrato e temas religiosos. As suas obras podem ser encontradas em museus e entidades portuguesas, públicas e privadas, como, por exemplo: o Palácio de S. Bento (Sala Acácio Lino) e o Museu Militar, em Lisboa; o Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto; o Museu Malhoa, nas Caldas da Rainha; o Museu Amadeo de Souza Cardoso e a Casa Museu Acácio Lino, em Amarante. Também fez escultura, tendo realizado, entre outros trabalhos, o busto de Soares dos Reis e da sua esposa Dina. Morreu em 1956.
-
Bibl. - SIGARRA U.Porto
-
Acácio Lino de Magalhães was born in 1878, in São Salvador de Travanca (Amarante). When he was twelve, he moved to Porto, to his brother Albano's house, becoming a student of Marques de Guimarães, in his studio and in the classes of Historical Design and Sculpture. He later enrolled in Painting and Sculpture classes at the Porto Academy of Fine Arts. With a group of colleagues, he established a living model study center - "Centro do Julinho" - on Rua do Dr. Alves da Veiga, where taught the painter Marques de Oliveira. When he was in the fourth year of Historical Painting, he ran for the State boarding school in Paris, receiving a scholarship and leaving for the French capital in 1904. There he was a student of Jean-Paul Laurens and Fernand Cormon. On his return to Portugal, he taught drawing at the Liceu Alexandre Herculano, but it was at the School of Fine Arts in Porto that he made his teaching career. In 1912, he was appointed acting professor of the discipline of Historical Design and, later, he served as deputy director. He had a studio in Travanca, where "he sought inspiration in the bucolism of the rural world of his childhood". He stood out as an author of naturalist and historical painting, but he also painted portrait and religious themes. His works can be found in museums and other Portuguese public and private institutions, such as, for example: the Palace of São Bento (Sala Acácio Lino) and the Military Museum, in Lisbon; the Soares dos Reis National Museum, in Porto; the Malhoa Museum, in Caldas da Rainha; the Amadeo de Souza Cardoso Museum and the Casa Museu Acácio Lino, in Amarante. He also made sculpture, having performed, among other works, the bust of Soares dos Reis and of his wife Dina. He died in 1956.
-

domingo, 22 de novembro de 2020

Cruzeiro Seixas (1920-2020)

Sem Título (1944, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa)
-
Homenagem a Julien Gracq ou Littérature pour l’estomac (1953, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa)
-
Do espelho Maelstrong (1953, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa)
-
Estudo para local urgentemente necessário (1972, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa)
-
Novos sofrimentos do jovem Werther (1973, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa)
-
Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas (1920-2020), foi um pintor e poeta português. Frequentou a Escola António Arroio, onde fez amizade com Mário Cesariny, Marcelino Vespeira, Júlio Pomar e Fernando Azevedo. Em meados da década de 1940, aproximou-se do neorrealismo, aderindo depois ao surrealismo. Integrou o Grupo Surrealista de Lisboa, participando na primeira exposição dos Surrealistas, em Lisboa, em 1949. Em 1950, alistou-se na Marinha Mercante, tendo viajado para a África e Ásia. Em 1951, fixou-se em Angola, desenvolvendo atividade no Museu de Luanda. Data desse tempo o início da sua produção poética, tendo também realizado as primeiras exposições individuais. Regressou a Portugal em 1964. Em 1966, foi convidado por Natália Correia a ilustrar a obra Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica. No ano de 1967, recebeu uma  bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, realizando uma pequena retrospetiva na Galeria Buchholz (Lisboa) e expôs na Galeria Divulgação (Porto). Em 1970, expôs na Galeria de S. Mamede (Lisboa)  um conjunto de desenhos. Trabalhou como programador nas Galerias 111 e São Mamede. Nessa mesma década, viajou pela Europa e entrou em contacto com artistas representantes do surrealismo internacional. Na década seguinte, radicou-se no Algarve, colaborando em revistas internacionais ligadas ao surrealismo. Sendo, em 2009, agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada, viveu os últimos tempos da sua vida na Casa do Artista, em Lisboa. Considerando-se um «homem que pinta» (e não um pintor), é visto como «um dos precursores portugueses do surrealismo fantástico, inspirado em De Chirico. As suas obras caracterizam-se pela conjugação entre personagens híbridas e subvertidas, assentes em planos de profundidade que seguem regras de perspectiva, luz e sombra próximos da representação da realidade. Do surrealismo proposto por Breton, interessou-lhe sobretudo a liberdade de criação» (in Galeria O Rastro).
-
-
Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas (1920-2020), was a Portuguese painter and poet. He attended the António Arroio School, where he became friends with Mário Cesariny, Marcelino Vespeira, Júlio Pomar and Fernando Azevedo. In the mid-1940s, he approached neorealism, later adhering to surrealism. He was part of the group Grupo Surrealista de Lisboa, participating in the first exhibition of the Surrealists, in Lisbon, in 1949. In 1950, he joined the Merchant Navy, having traveled to Africa and Asia. In 1951, he settled in Angola, developing activities at the Luanda Museum. From that time, dates the beginning of his poetic production, having also made his first individual exhibitions. He returned to Portugal in 1964. In 1966, he was invited by Natália Correia to illustrate the work Anthology of Portuguese Erotic and Satirical Poetry. In 1967, he received a grant from the Calouste Gulbenkian Foundation, holding a short retrospective at Galeria Buchholz (Lisbon) and exhibiting at Galeria Divulgação (Porto). In 1970, he exhibited a set of drawings at the Galeria de S. Mamede (Lisbon). He worked as a programmer at Galerias 111 and São Mamede. In that same decade, he traveled through Europe and came into contact with artists from the international surrealism. In the following decade, he settled in the Algarve, collaborating in international magazines linked to surrealism. In 2009, he was awarded the degree of Grand Officer of the Order of Sant'Iago da Espada. Lived the last moments of his life at Casa do Artista, in Lisbon. Considering himself a “man who paints” (and not a painter), he is “considered one of the Portuguese precursors of fantastic surrealism, inspired by De Chirico. His works are characterized by the combination of hybrid and subverted characters, based on depth planes that follow rules of perspective, light and shadow close to the representation of reality. Of the surrealism proposed by Breton, he was mainly interested in the freedom of creation » (in Galeria O Rastro).

domingo, 20 de setembro de 2020

Eduardo Nery (1938-2013)

Estrutura Ambígua (1969, Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa)
-
Frame II (1970)
-
-
Capela de São José (1993, Basílica de Fátima)
-
Metamorfose I (1998, Museu Nacional do Azulejo, Lisboa)
-
«Ingressou em 1956 no curso de Pintura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa transferindo-se para o curso de Arquitetura em 1959, do qual viria a desistir. Em 1960 é convidado por Jean Lurçat para fazer um estágio sobre tapeçaria em França. Em 1971 integrou o conjunto de artistas convidados para efetuar as pinturas para o café A Brasileira, no Chiado, para substituir as telas modernistas de 1925. Em 1973 foi um dos sócios fundadores da escola Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação, Lisboa. A sua atividade começa desde cedo a repartir-se por diversas áreas, pintura, azulejaria, tapeçaria, vitral, fotografia e colagem. Na pintura, os seus trabalhos vão desenvolver-se, no final dos anos 50, no campo do abstracionismo, seguindo primeiro uma via gestualista, para aderir depois ao movimento internacional da Op Art. Ainda nos anos 60 iniciou um trabalho regular e de grande variedade em obras de vitral, tapeçaria e azulejaria para projetos arquitetónicos e urbanísticos por todo o país. No final dos anos 60 começou a introduzir elementos tridimensionais na tela que dão à pintura uma efetiva profundidade, criando pinturas-objectos. Paralelamente começou a explorar a colagem e a fotografia, adotando a mesma postura transgressora ao combinar imagens/ fragmentos na criacção de composições sarcásticas ou improváveis. A sua obra tem sido objecto de numerosas exposições individuais e coletivas, nomeadamente no Museu Nacional de Arte Antiga, Museu Nacional de Soares dos Reis, Fundacção Calouste Gulbenkian, Culturgest e Museu Nacional do Azulejo entre muitas outras».
-
Leonor Oliveira, «Eduardo Nery», Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, consultada a 20 de Setembro de 2020.
-
He started in 1956 the Painting course at the Lisbon Superior School of Fine Arts, transferring to the Architecture course in 1959, which he would give up. In 1960 he was invited by Jean Lurçat to do an internship on tapestry in France. In 1971 he joined the group of artists invited to make the paintings for the A Brasileira coffee shop, in Chiado, to replace the modernist canvases of 1925. In 1973 he was one of the founding partners of the Ar.Co school - Center for Art and Communication, Lisbon. Its activity starts from an early age, spreading over several areas, painting, tiles, tapestry, stained glass, photography and collage. In painting, his works will develop, in the late 1950s, in the field of abstractionism, following a gesturalist path first, and then join the international Op Art movement. Still in the 1960s, he started a regular and wide-ranging work in works of stained glass, tapestry and tiles for architectural and urban projects throughout the country. In the late 1960s, he began to introduce three-dimensional elements to the canvas that give the painting an effective depth, creating object paintings. At the same time he began to explore collage and photography, adopting the same transgressive posture when combining images / fragments in the creation of sarcastic or improbable compositions. His work has been the subject of numerous individual and collective exhibitions, namely at the National Museum of Ancient Art, National Museum Soares dos Reis, Calouste Gulbenkian Foundation, Culturgest and the National Tile Museum, among many others.

domingo, 9 de agosto de 2020

João Reis (1899-1982)

A Merenda (1928, Museu José Malhoa)
-
-
-
-
-
João Reis, filho de Carlos Reis, foi um pintor português, nascido em Lisboa a 15 de Fevereiro de 1899, tendo falecido em 1982. Fez o exame de admissão ao curso especial de Pintura da Escola de Belas Artes de Lisboa em 1915, passando a seguir para a Cadeira de Pintura Histórica. Durante o Curso obteve os prémios Lupi (Pintura de modelo vivo) e Anunciação (Pintura de um animal), e uma Medalha de Prata por ser o aluno mais classificado do Curso, terminando com 20 Valores. Aos 14 anos, expôs na Sociedade Nacional de Belas-Artes, onde alcançou uma Menção Honrosa. Faz parte da geração dos naturalistas, tendo feito parte do Grupo Ar Livre e do Grupo Silva Porto.  Embora tenha sido sobretudo um paisagista, também se destacou na pintura de retrato. Acompanhou o pai em diversas exposições, em Portugal e no estrangeiro (Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Brasil e Panamá); em 1937, recebeu medalha de prata no Salon de Paris com a obra Concerto da Rede. Em 1938, auferiu o Prémio Rocha Cabral.
-
Bibliografia: Maria Rafaela Guimarães de Carvalho Moreira, A Iconografia Olisiponense na Pintura de Autor no Mercado de Arte, A Cabral Moncada Leilões no Período de 2001-2015, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2016 (Tese de Mestrado).
https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/28693/1/ulfl233820_tm.pdf
-
João Reis, son of Carlos Reis, was a Portuguese painter, born in Lisbon on February 15, 1899, having died in 1982. He took the entrance exam to the special painting course at the School of Fine Arts in Lisbon in 1915, continued with the Historic Painting Chair. During the Course he obtained the Lupi (Painting of a live model) and Anunciação (Painting of an animal) prizes, and a Silver Medal for being the most classified student of the Course, ending with 20 Values. At the age of 14, he exhibited at the National Society of Fine Arts, where he achieved an Honorable Mention. He was part of the generation of naturalist painters, having been part of Grupo Ar Livre and Grupo Silva Porto. Although he was mainly a landscaper, he also excelled in portrait painting. He accompanied his father in several exhibitions, in Portugal and abroad (Spain, France, Holland, England, Brazil and Panama); in 1937, he received a silver medal at the Salon de Paris with the work Concerto da Rede. In 1938, he won the Rocha Cabral Prize.

sábado, 29 de junho de 2019

Emília Matos (1872-1935)

O Velho (1888)
-
Paisagem (1889)
-
Paisagem
-
Marinha
-
Natureza Morta com Frutos e Vegetais (1892)
-
Emília Adelaide Rodrigues de Oliveira Mattos, era filha de Cândido José Luís de Mattos e Thomásia Rosalina Rodrigues de Oliveira. Nasceu em Lisboa em 17 de Abril de 1872 e morreu também em Lisboa, em 3 de Março de 1935. Casou-se, em 28 de Janeiro de 1893 com João da Cruz David e Silva. Fez o o Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional e foi discípula do pintor Luciano Freire, tendo figurado na Exposição Industrial de 1888. A sua obra pictórica, enquadrando-se no Naturalismo, trabalhando em aguarela e óleo, debruçou-se sobre as temáticas do retrato, paisagem, pintura de flores e natureza morta.
-
Bibl.: Fernando de Pamplona, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses, Vol. IV, Barcelos, Livraria Civilização Editora, 1988, p. 93; Blogue Três Gerações.
-
Emília Adelaide Rodrigues de Oliveira Mattos, was the daughter of Candido José Luís de Mattos and Thomásia Rosalina Rodrigues de Oliveira. She was born in Lisbon on April 17, 1872 and died in Lisbon on March 3, 1935. On January 28, 1893, she married João da Cruz David e Silva. She studied piano at the National Conservatory and was a disciple of the painter Luciano Freire, having appeared in the Industrial Exhibition of 1888. Her pictorial work, in the context of Naturalism, working in watercolor and oil, dealt with the themes of portraiture, landscape, painting of flowers and still life.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Arte Rupestre I

-
«Convencionou-se chamar "arte rupestre" a todas as formas gráficas, pintadas ou gravadas, feitas sobre rocha. Tal expressão tem origem no termo Rupes que em latim quer dizer "pedra".
Fazem parte da arte rupestre não só as gravuras como as pinturas feitas ao ar livre em paredes, abrigos, fragas ou rochas, como também as executadas no interior das grutas (...).
Quer na escolha dos locais, da temática e da iconografia, quer até no significado e conteúdo é possível encontrar semelhanças entre muitas das estações de arte rupestre espalhadas pelo Mundo (...).
Geograficamente encontramos exemplos de arte rupestre em todos os tipos de paisagem e ambiente. Parece no entanto existir uma preferência do artista rupestre por sítios de difícil acesso como os desertos, as altas montanhas e as ilhas (...).
Outro dado comum é a proximidade da água. (...) Talvez a escolha do lugar onde pintar ou gravar tenha sido, no entanto, motivada exclusivamente pela presença fundamental do próprio elemento rochoso onde quer que ele se encontrasse.
Os temas presentes nas gravuras e pinturas são relativamente pouco variados e parecem até ser cuidadosamente seleccionados. Os animais são, por exemplo, uma presença constante, quer sozinhos e isolados, quer em grupo ou composição (...).
A figura humana parece ser muitas vezes a imagem do feiticeiro, do herói, do espírito ou da divindade mais do que a do próprio artista (...).
Raramente foram pintados ou gravados elementos da paisagem como árvores, flores, montanhas ou rios. A representação do Sol, da Lua e até das constelações é, porém, um dos temas favoritos da arte rupestre mundial.
A maioria dos exemplos conhecidos de figuras pintadas ou gravadas em todas as partes do Mundo e nas diversas condições espaciais entram, no entanto, na categoria dos símbolos ou sinais. Dela fazem parte as imagens geométricas abstractas de difícil compreensão. Nalguns casos foi possível encontrar uma explicação lógica, mas muitos deles constituem ainda elementos misteriosos dos quais talvez nunca consigamos desvendar o significado.
Vale a pena recordar que na maioria dos casos não parece existir uma diferença temática e iconográfica entre as gravuras e as pinturas. Além disso, em muitos sítios, onde vemos hoje somente gravuras, existiram no passado também pinturas que infelizmente não sobreviveram ao passar do tempo.
Não devemos esquecer que a arte rupestre conhecida é apenas um pequeno fragmento, que milagrosamente sobreviveu, da talvez vasta produção artística e intelectual dos homens que habitaram o nosso planeta».
-
Mila Simões de Abreu, «A Arte Pré-Histórica e a Arqueologia», in Paulo Pereira (Dir.), História da Arte Portuguesa, Da Pré-História ao «Modo« Gótico, Temas e Debates, 1995, pp. 26-27.
-
«It was agreed to call "rock art"to all graphic forms, painted or engraved, made on rock. This expression originates in the Latin term Rupes, which means "stone."
Not only are engravings and paintings done outdoors in walls, shelters, "fragas" or rocks, but also those executed inside the caves (...).
Whether in the choice of places, thematic and iconography, or even in meaning and content, it is possible to find similarities between many of the rock art stations scattered throughout the world.
Geographically we find examples of rock art in all types of landscape and environment. However, there seems to be a preference of the rock artist for places of difficult access such as deserts, high mountains and islands (...).
Another common fact is the proximity of water. (...) Perhaps the choice of where to paint or engrave has, however, been motivated exclusively by the fundamental presence of the rock element itself wherever it may be found.
The themes present in the engravings and paintings are relatively little varied and seem to be carefully selected. Animals are, for example, a constant presence, either alone and in isolation, or in a group or composition (...).
The human figure often seems to be the image of the sorcerer, the hero, the spirit or the divinity more than the image of the artist himself (...).
Rarely have landscape elements such as trees, flowers, mountains or rivers been painted or engraved. The representation of the Sun, the Moon and even the constellations is, however, one of the favorite themes of world rock art.
Most known examples of figures painted or engraved in all parts of the world and in the various spatial conditions enter, however, in the category of symbols or signs. It includes abstract geometric images difficult to understand. In some cases it was possible to find a logical explanation, but many of them are still mysterious elements of which we may never be able to unravel the meaning.
It is worth remembering that in most cases there seems to be no thematic and iconographic difference between the engravings and the paintings. Moreover, in many places, where we now see only engravings, there were in the past also paintings that unfortunately did not survive in the course of time.
We must not forget that the known rock art is only a small fragment that has miraculously survived from the perhaps vast artistic and intellectual production of the men who inhabited our planet».

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Domingos Vieira Serrão (1570-1632) e Simão Rodrigues (c.1560-1629)

Domingos Vieira Serrão, A Fé (c. 1597, Charola do Convento de Cristo, Tomar)
-
Simão Rodrigues, Capela-mor da Sé de Leiria
-
Simão Rodrigues e Domingos Vieira Serrão, Coroação da Virgem Maria (1611-1620, MNMC)
-
Simão Rodrigues e Domingos Vieira Serrão, Santa Maria Madalena (1611-1620, MNMC)
-
Simão Rodrigues e Domingos Vieira Serrão,  Panorama da Cidade de Lisboa sob a protecção de Nossa Senhora de Porto Seguro (c. 1620, Igreja de São Luís dos Franceses, Lisboa)
-
Domingos Vieira Serrão, nascido em Tomar, foi escudeiro e depois (1619) pintor régio de Filipe II (de Portugal). Sabe-se que foi casado com uma filha do arquitecto Nicolau de Frias; viveu em Lisboa, com casa no Bairro Alto, e foi um dos fundadores da Irmandade de São Lucas (1602). No tempo de Filipe III (IV de Espanha) foi chamado a Madrid, onde terá realizado pinturas para o Palácio do Retiro. Entre as suas obras contam-se aquelas que realizou em Tomar, primeiro, entre 1592 e 1597, quando foi responsável pela decoração da Charola do Convento de Cristo; depois, em 1624, quando foi designado pintor do mesmo Convento. Nas palavras de Vítor Serrão, a sua arte «estima-se como altiva representante de uma contra-maniera oficial e de forte discurso tridentino, mas com uma "maneira" mais aberta à sedução das formas naturalistas (...)» (Serrão, 1995, 491).
Simão Rodrigues nasceu em Alcácer do Sal, cerca de 1560, estando radicado em Lisboa, em 1583, com oficina na Rua dos Vinagreiros. Foi outro dos pintores que, em 1602, fundou a Irmandade de S. Lucas. Segundo Vítor Serrão, ele «é lídimo representante  das tendências da contra-maniera reformada e autor de vasta obra» (Serrão, 1995, 482). Foi autor, por exemplo, do retábulo-mor da igreja do Convento de S. Domingos de Elvas (c. 1595, Museu Municipal de Elvas) e do retábulo-mor da Sé de Leiria.
Domingos Vieira Serrão e Simão Rodrigues fizeram parceria em diversas obras, tendo ambos trabalhado em Coimbra, por exemplo, na Igreja de Santa Cruz e na capela de S. Miguel da Universidade. Entre outras obras, desta parceria, contam-se o tecto da igreja do Hospital Real de Todos os Santos, em Lisboa (1613); e o Panorama da Cidade de Lisboa sob a protecção de Nossa Senhora de Porto Seguro (Igreja de S. Luís dos Franceses).
-
Fernando de Pamplona, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses ou que Trabalharam em Portugal, Vol. V, Barcelos, Livraria Civilização Editora, (4.ª edição) 2000, pp. 87-88 e 368-369; Vítor Serrão, «A pintura maneirista em Portugal: das brandas "maneiras" ao reforço da propaganda», in Paulo Pereira (Dir.), História da Arte Portuguesa, Vol. II, Temas e Debates, 1995, pp. 482-486 e 490-492.
-
Domingos Vieira Serrão, born in Tomar, was a squire and later (1619) a royal painter of Philip II (of Portugal). It is known that he was married to a daughter of the architect Nicolau de Frias; lived in Lisbon, with a home in Bairro Alto, and was one of the founders of the Brotherhood of St. Luke (1602). In the time of Philip III (IV of Spain) was called to Madrid, where he worked at the Palace of the Retiro. Among his works are those he held in Tomar, first between 1592 and 1597, when he was responsible for the decoration of the Charola of the Convent of Christ; then in 1624, when he was appointed painter for the same Convent.
Simão Rodrigues was born in Alcácer do Sal, around 1560, and settled in Lisbon in 1583, with a workshop at Rua dos Vinagreiros. He was another of the painters who, in 1602, founded the Brotherhood of St. Luke. He was the author of, for example, the main altarpiece of the church of the Convent of S. Domingos de Elvas (c.1595, Municipal Museum of Elvas) and the main altarpiece of the Cathedral of Leiria.
Domingos Vieira Serrão and Simão Rodrigues collaborated in several works, for example, in Coimbra, in the Church of Santa Cruz and in the chapel of S. Miguel of the University. Other exemles are the ceiling of the church of the Real Hospital of All Saints, in Lisbon (1613); and the Panorama of the City of Lisbon under the protection of Our Lady of Porto Seguro (Church of S. Luís dos Franceses, Lisbon).

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Francisco de Holanda (1517-1585)

Auto-retrato de Francisco de Holanda, dando o seu livro à malícia do tempo, in De Aetatibus Mundi Imagines, f. 89r (in Lousa, 2013).
-
De Aetatibus Mundi Imagines (1545, Biblioteca Nacional de España).
-
Atribuído, Nossa Senhora de Belém (Família de D. João III) (c. 1550-1553, MNAA, Lisboa).
-
Francisco de Holanda, Retrato de Miguel Ângelo, in Álbum dos Desenhos das Antigualhas, f.1v (1538-1564)  (in Lousa, 2013).
-
-
Francisco de Holanda, originalmente Francisco d'Olanda (1517-1585) foi humanista, arquitecto, escultor, desenhador, iluminador e pintor. É considerado um dos mais importantes vultos do Renascimento em Portugal. Nasceu em Lisboa, filho de António d'Holanda, retratista e iluminador régio de origem flamenga, e de mãe portuguesa pertencente a família aristocrática da época. Começou a sua carreira como iluminista. Entre 1538 e 1541, fez uma viagem a Itália, com o apoio de D. João III (1521-1557). Em Roma, frequentou o grupo da poetisa Vittoria Colonna, que lhe proporcionou o convívio com grandes artistas do tempo, como Parmigianino, Giambologna e, principalmente Miguel Ângelo. Em Portugal, foi protegido pelo cardeal-arcebispo de Évora, pelos reis D. João III e D. Sebastião (1568-1578). Distinguiu-se pelos desenhos da série Antiguidades de Itália (1540-1547). Notabilizou-se como historiador de arte, denotando paixão pelo classicismo, que se reflectiu no tratado Da Pintura Antiga (1548-1549). Escreveu também Da fabrica que falece a cidade de Lisboa (1571), e livros de desenhos como De Aetatibus Mundi Imagines e Antigualhas. Como arquitecto militar, elaborou uma planta para fortaleza de Mazagão, em Marrocos. É seu o quadro Baptismo de Santo Agostinho, da Colecção Conde de Penamacor. Joaquim de Vasconcelos atribuiu-lhe um painel com toda a família de D. João III sob o manto de Nossa Senhora (MNAA).
-
Bibliografia: Wikipédia.
Ver também: José Stichini Vilela, Francisco de Holanda, Vida, Pensamento e Obra, ICLP-MEC, 1982; Maria Teresa Viana Lousa, Francisco de Holanda e a Ascensão do Pintor, FBA-UL, 2013 (Tese de Doutoramento).
-
Francisco de Holanda, originally Francisco d'Olanda (1517-1585) was humanist, architect, sculptor, draftsman, illuminator and painter. He is considered one of the most important figures of the Renaissance in Portugal. He was born in Lisbon, son of António d'Holanda, a portrait and illuminator of Flemish origin. Francisco de Holanda began his career as an illuminator. Between 1538 and 1541 he made a trip to Italy with the support of King John III (1521-1557). In Rome, he attended the group of the poet Vittoria Colonna, which provided him with contact with the great artists of the time, such as Parmigianino, Giambologna and, especially, Michelangelo. In Portugal, he was protected by the cardinal-archbishop of Évora, by the kings D. João III and D. Sebastião (1568-1578). Among his works, stand out the books: Antiquities of Italy (1540-1547); Da Pintura Antiga (1548-1549); Da fabrica que falece a cidade de Lisboa (1571); De Aetatibus Mundi Imagines and Antigualhas. He is the author of the painting Baptism of St. Augustine, from the Conde de Penamacor Collection. Joaquim de Vasconcelos assigned him a panel with the whole family of D. João III under the mantle of Our Lady (MNAA).