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sábado, 29 de junho de 2019

Emília Matos

O Velho (1888)
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Paisagem (1889)
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Paisagem
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Marinha
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Natureza Morta com Frutos e Vegetais (1892)
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Emília Adelaide Rodrigues de Oliveira Mattos, era filha de Cândido José Luís de Mattos e Thomásia Rosalina Rodrigues de Oliveira. Nasceu em Lisboa em 17 de Abril de 1872 e morreu também em Lisboa, em 3 de Março de 1935. Casou-se, em 28 de Janeiro de 1893 com João da Cruz David e Silva. Fez o o Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional e foi discípula do pintor Luciano Freire, tendo figurado na Exposição Industrial de 1888. A sua obra pictórica, enquadrando-se no Naturalismo, trabalhando em aguarela e óleo, debruçou-se sobre as temáticas do retrato, paisagem, pintura de flores e natureza morta.
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Bibl.: Fernando de Pamplona, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses, Vol. IV, Barcelos, Livraria Civilização Editora, 1988, p. 93; Blogue Três Gerações.
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Emília Adelaide Rodrigues de Oliveira Mattos, was the daughter of Candido José Luís de Mattos and Thomásia Rosalina Rodrigues de Oliveira. She was born in Lisbon on April 17, 1872 and died in Lisbon on March 3, 1935. On January 28, 1893, she married João da Cruz David e Silva. She studied piano at the National Conservatory and was a disciple of the painter Luciano Freire, having appeared in the Industrial Exhibition of 1888. Her pictorial work, in the context of Naturalism, working in watercolor and oil, dealt with the themes of portraiture, landscape, painting of flowers and still life.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Mily Possoz (1888-1968)

Sem Título (1912, CAM-FCG)
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Sem Título (A Menina da Boina Verde) (1930, CAM-FCG)
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Paris - Quai Voltaire (1930-1937, MNAC)
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Gatinha (c. 1958, CAM_FCG)
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Emília Possoz, filha de pais belgas, nasceu nas Caldas da Rainha a 4 de Dezembro de 1888. Ainda em criança mudou-se para Lisboa, onde frequentou o Colégio Alemão. Na sua formação artística, foi discípula da pintora Emília dos Santos Braga, tendo continuado os estudos em Paris, desde 1904. Passou também pela Alemanha, onde aprendeu gravura com Willy Spatz, pela Holanda e pela Bélgica. Regressada a Portugal em 1909, integrou o movimento modernista, tendo participado nas Exposições de Humoristas e Modernistas, sendo também das poucas artistas da sua geração a organizar exposições individuais. Colaborou como ilustradora em numerosas publicações, como as revistas ABC, Athena, Contemporânea, A Ilustração Portuguesa, entre outras. Viveu em Paris entre 1922 e 1937. Nesse ano, com a sua participação na exposição de Gravura Francesa, realizada em Cleveland, nos Estados Unidos, recebeu uma medalha de ouro e algumas das suas obras foram adquiridas pelo Museu dessa cidade. Regressada a Portugal, colaborou na decoração do pavilhão do Japão da Exposição do Mundo Português (1940). Em 1956, colaborou com a Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses. No ano seguinte (1957), conheceu o coleccionador de arte Machaz, que lhe encomendou vários quadros para a decoração do Hotel Tivoli. Foi autora do programa decorativo do Livro da segunda classe (1958). Faleceu em Sintra, nde vivia desde a década de 40, a 17 de Junho de 1968.
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Bibliografia
A ver também:
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Emília Possoz was born in Caldas da Rainha on the 4th December 1888. During a childhood she moved to Lisbon, where attended the German school. For her artistic training, she was a disciple of the painter Emília dos Santos Braga, having continued her studies in Paris, since 1904. She also studied in Germany (with Willy Spatz), in the Netherlands and Belgium. Returning to Portugal in 1909, joined the modernist movement and participated in Exhibitions of Humorists and Modernists. She collaborated as illustrator in numerous publications, such as the magazines ABC, Athena, among others. She lived in Paris between 1922 and 1937. In this year, she participated in the exhibition of French Engraving, held in Cleveland, United States, having received a gold medal. Returning to Portugal, she collaborated in the decoration of the Japanese Pavilion for the exhibition of the Portuguese World (1940). Milly Possoz died in Sintra on the 17th June 1968.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Enrique Casanova (1850-1913)

Sala do Despacho no Paço de Sintra (1889-1895, Palácio Nacional da Ajuda)
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Pombos no camarote (1890, Palácio Nacional da Ajuda)
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Paisagem (c. 1880-1905, MNAC)
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Tipo Valenciano (1912, MNAC)
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Enrique Casanova nasceu em San Gil de Zaragoza (Espanha), em Janeiro de 1850. Foi autodidacta, exercendo tarefas na oficina de litografia de seu pai. Cerca de 1880, veio viver para Portugal, onde trabalhou na Litografia Portugal. Nesse mesmo ano, por ocasião das comemorações do tricentenário da morte de Camões, publicou ilustrações do evento na revista «O Occidente», o que chamou a atenção do público. Sendo recomendado ao rei D. Luís, foi chamado para o círculo restrito da corte, a fim de instruir o Príncipe Real D. Carlos e o Infante D. Afonso na arte da aguarela. Casanova iniciou as suas funções de professor de pintura dos Príncipes em meados de Maio de 1881, trabalho que se prolongaria até Setembro de 1884. Foi nomeado Pintor da Real Câmara, desde 1885, o que se aliou a um estatuto de certo relevo na corte, sendo um dos acompanhantes da rainha D. Amélia e dos Príncipes, na viagem cultural que esta empreendeu pelo Mediterrâneo, em 1903. O trabalho de ensimo alargou-se a outros membros da Família Real, assim com a outras pessoas interessadas, contando-se entre elas Roque Gameiro. Chegando a abrir um curso nocturno de desenho e aguarela numa dependência da Real Casa Pia, em Belém, de 1888 a 1891, foi professor da Escola de Desenho Industrial Gil Vicente, em Belém, sendo depois colocado na Afonso Domingues, em Xabregas, e destacado para a Escola Príncipe Real, ao Rato. Expôs trabalhos na Sociedade Promotora de Belas Artes (1887) e na Sociedade Nacional de Belas Artes (1902 e 1906). É da sua autoria a litografia que ornamentou a capa do catálogo da 2ª Exposição de Quadros Modernos (Grupo do Leão, 1882). Após a proclamação da República, Casanova retirou-se para Madrid (1911), indo hospedar-se na Casa dos Artistas, fundada por Luís Sainz.
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Cf. João Vaz, in Palácio Nacional da Ajuda
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Enrique Casanova was born in San Gil de Zaragoza (Spain) in January 1850. He was self-taught, exercising tasks in the lithography workshop from his father. About 1880, moved to Portugal, where he worked in Lithography Portugal. That same year, on the occasion of the celebrations of the tercentenary of the death of Camões, he published illustrations of the event in the magazine «O Occidente», which drew the attention of the public. Being recommended to the King Luís, was called to the inner circle of the Court, in order to instruct the Royal Prince Carlos and the Prince Afonso in the art of watercolor. Casanova began his duties as a professor of painting of the Princes in 1881 and was appointed painter to the Royal Chamber, since 1885. His teaching enlarged to other members of the Royal family, as well as to other interested persons, including Roque Gameiro. He exhibited works at the Sociedade Promotora de Bellas Artes (1887) and at the National Society of Fine Arts (1902 and 1906). After the proclamation of the Republic, Casanova retired to Madrid (1911), staying in the Artists House, founded by Luis Sainz.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Helena Roque Gameiro (1895-1986)

O atelier da casa (1910)
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Crisântemos (1916, Museu José Malhoa)
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Óbidos (1916, Museu Grão Vasco)
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Casal (1921, Museu Grão Vasco)
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Rua das Olarias - Viana do Alentejo (1922, Museu Grão Vasco)
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«Pintora e professora de Artes Decorativas nasceu em 2 de Agosto de 1895, em Lisboa, e faleceu também na capital em 26 de Abril de 1986. Filha de Alfredo Roque Gameiro e de Maria da Assunção de Carvalho Forte Roque Gameiro casou com o realizador de cinema José Leitão de Barros. Durante 25 anos foi professora da Escola de Artes Decorativas António Arroio, sendo distinguida por essa actividade como Grande Oficial da Ordem de Instrução Pública. Para além da docência nessa escola foi professora particular de inúmeras discípulas. Conjuntamente com os seus irmãos Raquel e Manuel, participou, em 1911, na exposição realizada no atelier de seu pai na rua D. Pedro V. Figurou com aguarelas em diversas exposições da S.N.B.A. (1913, 1915, 1924, 1925). Na Décima Exposição em 1913, recebeu menção honrosa na Secção de Aguarela. Participou na primeira Exposição de Aguarela da S.N.B.A., em 1914. Em 1917, obteve a primeira medalha na Secção de Aguarela na Terceira Exposição de Aguarela, Desenho e Miniatura. Acompanhou o seu pai ao Rio de Janeiro e a S. Paulo, em 1920, obtendo assinalável êxito. Em Maio de 1922, Helena Roque Gameiro organizou uma exposição de Arte Aplicada e em Janeiro de 1923 apresentou-se de novo ao público. Participou na Exposição de Arte organizada em Junho de 1925 em honra do Congresso para o Progresso das Ciências. Em 1933 expôs, no Porto, com Alfredo e Raquel Roque Gameiro. Após a morte de seu pai, em 1935, esteve longos anos sem expor, sabendo-se que realizou uma mostra de aguarelas, em Fevereiro de 1947, no estúdio do S.N.I.. Vários museus nacionais e internacionais possuem obras de sua autoria entre os quais destacamos para além do M.N.A.C.-M.C., o Museu de José Malhoa, nas Caldas da Rainha, o Museu Grão Vasco, em Viseu, e o Museu de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro. As flores são o referente dominante da sua pintura.»
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Helena Roque Gameiro - Matriznet.
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Painter and teacher of Decorative Arts, she was born on August 2nd 1895, in Lisbon, and passed away also in Lisbon on April 26 1986. Daughter of Alfredo Roque Gameiro and of Maria da Assunção de Carvalho Forte Roque Gameiro, she married the movie director José Leitão de Barros. For 25 years she teached at the António Arroio Decorative Arts School, and for that she was distinguished as a "Grande Oficial da Ordem de Instrução Pública" (Grand Officer of Public Teaching). Together with her brothers Raquel e Manuel, she enrolled in 1911 at the exhibit at his father's studio on D. Pedro V's street. She presented many watercolors on several S.N.B.A. exhibits (1913, 1915, 1924, 1925). On the 10th Exhibit, in 1913, she was awarded with a "Honor Mention" on the Watercolor section. She also participated in the first Watercolor S.N.B.A. Exhibit in 1914. In 1917, she got her first Medal on the Watercolor Section of the Third Watercolor, Drawing and Miniature Exhibit. She accompanied his father to Rio de Janeiro and S. Paulo in 1920, with notable success. In May 1922, Helena Roque Gameiro organized an Applied Arts Exhibit and in January 1923 her work made several public appearances. She participated at the Art Exhibit made in June 1925 honoring the Congress for Sciences' Advances, and in 1933 she exhibited together Alfredo and with Raquel at Oporto. After her father's demise in 1935, she refrained from her work's presentation for many years, although she still exhibited several watercolors in February 1947 at the S.N.I. studio. Many portuguese and international museums possess her works, namely the M.N.A.C.-M.C. in Lisbon, the José Malhoa Museum at Caldas da Rainha, the Grão Vasco Museum in Viseu, and Rio de Janeiro's "Museu de Arte Contemporânea". Flowers are a predominant reference in all her paintings.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Alfredo Roque Gameiro (1864-1935)

Vaso (Lepizig, 1884)
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Provando o jantar (1909, Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea)
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Onda
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Ericeira - Arribas do Mar (Museu Grão Vasco, Viseu)
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São Sebastião - Ericeira (Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea)
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Alfredo Roque Gameiro nasceu em Minde (Porto de Mós), a 4 de Abril de 1864. Nessa localidade viveu os anos iniciais da sua vida e fez as primeiras aprendizagens. Com cerca de 10 anos mudou-se para Lisboa, cidade onde também habitava o irmão Justino, que era o proprietário da Litografia Guedes. Roque Gameiro foi aluno do Colégio Académico Lisbonense e, simultaneamente, entrou como aprendiz na oficina de litografia Castro e Irmão, transitando depois para a oficina do seu irmão. Nos anos de 1881-1882, é possível que também tenha frequentado o ensino noturno da Escola de Belas-Artes de Lisboa e terá sido nesta época que conheceu o ilustrador Manuel de Macedo (1839-1915), de quem foi discípulo e colaborador. No início de 1884, recebeu uma bolsa do Estado, para aperfeiçoamento da técnica de litografia, tendo frequentado, durante dois anos, a Escola de Artes e Ofícios de Leipzig. Na Alemanha, teve como mestre o pintor e gravador Ludwig Nieper (1826-1906) e trabalhou na litografia Meissner & Buch. Regressado a Portugal, tornou-se diretor das oficinas litográficas da Companhia Nacional Editora e foi também desenvolvendo outras vertentes artísticas, como pintor, sobretudo de aguarela, e ilustrador. Em 1888, Roque Gameiro casou-se com Maria da Assunção Carvalho, de quem teve cinco filhos: Raquel (1889-1970), Manuel (1892-1944), Helena (1895-1986), Maria Emília (Mámia) (1901-1996) e Ruy (1907-1935). Nesse mesmo ano, colaborou como ilustrador no Álbum de Costumes Portugueses, editado por David Corazzi (1845-1896). Como pintor teve presença assídua nas exposições do Grémio Artístico, entre 1891 e 1898, sendo muito premiado. Em 1894, foi nomeado professor da Escola Industrial do Príncipe Real, cargo onde se manteve durante algum tempo e, quatro anos depois, em 1898, decidiu construir uma casa no Alto da Venteira, a qual, cerca de 1900, teve uma ampliação concebida pelo arquiteto Raúl Lino (1879-1974), que era amigo do artista. Com a entrada no século XX, a carreira do artista foi conquistando maior notoriedade, alcançando prémios fora de Portugal (Paris e Rio de Janeiro). Entre 1900 e 1904, iniciou uma das suas melhores obras como ilustrador: As Pupilas do Senhor Reitor de Júlio Dinis (livro de 1866). O artista apresentou-se na Sociedade Nacional de Belas-Artes (herdeira do Grémio Artístico e fundada em 1901), tendo sido premiado com uma medalha de honra em 1910. No ano de 1911, a 9 de Novembro, inaugurou o seu atelier na Rua D. Pedro V, em Lisboa. Nesse espaço, criou, com os filhos Raquel, Helena e Manuel, um atelier-escola, onde eram ministrados cursos de aguarela e desenho e, para a inauguração, foi realizada uma exposição. Oito anos depois (1919), foi fundada a Escola de Arte Aplicada de Lisboa (actual Escola de Artes Decorativas António Arroio) e Roque Gameiro foi o seu primeiro diretor (até 1930). Bastante importante para a carreira do artista foi o ano de 1920, quando realizou, com a filha Helena, uma exposição no Rio de Janeiro e São Paulo, que obteve grande sucesso. Numa sequência de êxitos, em 1923, participou na Exposição Coletiva de Aguarelistas Portugueses em Madrid, e foi eleito membro da Real Academia de Belas-Artes de São Fernando, de Madrid. Entretanto, em 1926, voltou a viver em Lisboa, tendo comprado uma casa em Campolide. No ano de 1934, foi nomeado Cidadão de Lisboa, cidade onde faleceu a 5 de Agosto de 1935.
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BIBLIOGRAFIA: AA VV. 1964. Exposição Comemorativa do 1.º Centenário de Roque Gameiro. Lisboa (4 de Abril); AA VV. 1997. A Casa de Roque Gameiro, na Amadora. Amadora: Câmara Municipal da Amadora; AA VV. 2014. Alfredo Roque Gameiro. Retorno à Casa da Venteira. Amadora: Câmara Municipal da Amadora; ABREU, Maria Lucília. 2005. Roque Gameiro, O Homem e a Obra. Lisboa: ACD Editores; BARROS, Teresa Leytão de. 1946. Exposição Retrospectiva da Obra de Roque Gameiro. Lisboa; GAMEIRO, Maria Alzira Roque, FRAGOSO, Margarida (coord.). 2014. Roque Gameiro – o Mar, a Serra, a Cidade. Minde: Casa de Artes e Ofícios Roque Gameiro - Museu de Aguarela Roque Gameiro; PEREIRA, Fernando António Baptista (coord.). 2009. Roteiro do Museu de Aguarela Roque Gameiro. Minde: Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro.

Internet: http://pt.wikipedia.org/wiki/Roque_Gameiro

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Maria Augusta Bordalo Pinheiro (1841-1915)

Malvaíscos (1885, MNAC - Link)
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Palácio do Béau Séjour (Link)
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Lenço com decoração de fuccias em renda de bilros (MNAC - Link)
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Leque com decoração de flores em renda de bilros (MNAC - Link)
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Lenço em rendas (Link)
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Maria Augusta Bordalo Pinheiro nasceu e cresceu numa família ligada à arte, sendo a filha mais velha de Manuel Maria Bordalo Pinheiro (1815-1880), irmã de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e de Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929). Nascida em 14 de Novembro de 1841, a artista foi madrinha de Columbano, dezasseis anos mais novo, de quem ficou sempre muito próxima. Ela própria diria: «Esse é meu irmão, meu filho e meu mestre». Quando, no início de 1881, Columbano foi estudar para Paris, Maria Augusta acompanhou-o, mas não terá sido muito feliz. Numa carta para uma irmã, dizia que viviam uma «vida cheia de difficuldades» e que Paris era uma terra grande de mais, boa para estar de passagem. No regresso a Lisboa, a artista desenvolveu actividade como pintora de flores, destacando-se nas artes aplicadas. Criou um ponto português e contribuiu para a renovação da indústria das rendas de Peniche. Desde 1887, durante dois anos, dirigiu a Escola Industrial D. Maria Pia, em Peniche, mais tarde Escola Industrial de Rendeiras Josefa de Óbidos. Esteve à frente da oficina da Rua das Taipas, em Lisboa, mudando depois para a Rua António Maria Cardoso.
Expôs com o Grupo do Leão e, em 1885, quando a Cervejaria do Leão foi reformada, colaborou na decoração com um bordado figurando um leão para um reposteiro. Dois anos depois, em 1887, trabalhou com os irmãos Rafael e Columbano na decoração do Palacete do Beau Séjour. Esteve presente na Exposição Industrial de 1888, em diversas exposições do Grémio Artístico (onde foi distinguida com prémios em 1896 e 1998) e em mostras da S.N.B.A., auferindo uma medalha de honra na Secção de Arte Aplicada, em 1901. As suas rendas foram premiadas internacionalmente, nomeadamente com medalha de ouro em 1889, na Exposição Universal de Paris, e, em 1894, na Exposição Internacional de Antuérpia; o Grand Prix, em 1904, na Exposição Internacional de St. Louis. No ano de 1905, colaborou na nova decoração da Cervejaria Leão de Ouro, para onde compôs dois painéis com flores. Em Julho de 1915, participou na Exposição Internacional Panamá-Pacífico, em São Francisco, na Califórnia, onde as suas rendas foram também premiadas. Faleceu, pouco tempo depois, a 22 de Outubro. Sete anos após a sua morte, em 1922, quando do casamento da Princesa Mary Alexandra Victoria (1897-1965) com Henry Charles George, Viscount Lascelles (1882–1947), Teixeira Gomes, ofereceu uma «caixa de sândalo, artisticamente trabalhada» com um «lenço de rendas bordado por D. Maria Augusta Bordalo Pinheiro sobre um desenho de “brincos de princesa” devido ao lápis do Mestre Columbano (…)».
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Bibl.:
Biblioteca Nacional, Espólio da Família Lopes de Mendonça, carta de Maria Augusta para Henrique Lopes de Mendonça, 4/3/1883; Biblioteca Nacional, Espólio de Teixeira Gomes (E46), carta de Teixeira Gomes a Columbano (cópia de Castelo Branco Chaves), 6/9/1916; Norberto LOPES, 1942, O Exilado de Bougie, Lisboa, Parceria A. M. Pereira; Diogo de MACEDO, Columbano, Artis, 1952; Nuno SALDANHA,  José Vital Branco Malhoa (1855-1933): o pintor, o mestre, e a obra, Tese de doutoramento em História de Arte, Universidade Católica Portuguesa 2006; Teresa Leonor M. VALE, O Beau Séjour: Uma quinta romantica de Lisboa, Lisboa, Livros Horizonte, 1992; Afonso Lopes VIEIRA, «D. Maria Augusta Bordalo Pinheiro», in Atlântida, n.º 2, 1915; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Lisboa e Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, Vol. IV, p. 917; Fernando de PAMPLONA, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses I, Livraria Civilização Editora, 2000.

Links:
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Maria Augusta Bordalo Pinheiro was born and raised in a family with an important role in the Arts, being the eldest daughter of Manuel Maria Bordalo Pinheiro (1815-1880), sister of Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) and Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929). Born on the 14th November 1841, the artist was Columbano's godmother, sixteen years her junior, with whom she always remained close. She used to say about him: " He is my brother, my son and my Master." In the beginning of the year of 1881, Columbano went to Paris to continue with his studies and Maria Augusta went there with him. However, she didn't seem very happy. In a letter to one of her sisters, she wrote they were living "a life full of difficulties" and that Paris was too big for her, only good to stay for a short period of time. On her return to Lisbon, she began to work as a flower painter, and became noticed as an artist in Applied Arts. She created a portuguese stitch and gave her contribute to modernize the lace industry in Peniche.
Since 1887 and during the following two years she was the Escola Industrial D. Maria Pia's Director (Peniche). She also led a workshop at the Rua das Taipas, which later was relocated to Rua António Maria Cardoso (both in Lisbon). She displayed her work with the famous Grupo de Leão. In 1885, she assisted in the new décor of Cervejaria do Leão, embroidering the figure of a lion for one of the curtains. Two years later, she worked with her brothers, Rafael and Columbano, in the decoration of Beau Séjour Palace. She has participated in the 1888 Industrial Exhibition and also in several exhibitions of the "Grémio Artístico" (where she was awarded in 1896 and 1898). Her work could also be seen in the exhibitions of S.N.B.A.. In the 1901 exhibition, she won a honour medal for the Applied Arts Contest. She received many international awards for her lace work: a golden medal in 1889, at the Universal Paris Exhibition, as well as at the International Exhibition in Antwerp, in 1894, and the Grand Prix, in 1904, in the International Exhibition in Saint Louis. In July 1915, she participated in the Panamá- Pacífico International Exhibition, in San Francisco, California, where she was also awarded for her work. She died soon after, on October 22. Seven years after her death, in 1922, Princess Mary Alexandra Victoria (1897-1965) married with Henry Charles George, Viscount Lascelles (1882–1947). Teixeira Gomes, the Portuguese Republic's President, offered then to the English Royal Princess a sandalwood box with a lace handkerchief made by Maria Augusta Bordalo Pinheiro, over a drawing with fuchsia made by the Master Columbano.
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English version made with the help from Presepio com Vista para o Canal. Thank you Sandra!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Baltazar Gomes Figueira (1604-1674)

Natureza-morta (1640-1650, Museu Grão Vasco)
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 Círculo de Baltazar Gomes Figueira, Natureza-morta com peixes e camarões (Museu de Évora)
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Nature morte au poisson (Museu do Louvre, Paris)
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Calvário (1636, Igreja da Santa Casa da Misericórdia
Peniche)
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Descanso na fuga para o Egipto (Palácio nacional de Sintra)
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Baltazar Gomes Figueira, pai de Josefa de Óbidos, foi  famoso no seu tempo como pintor de naturezas-mortas (os chamados bodegones) e de paisagens (ao tempo denominados países). Beneficiou de uma educação artística em Sevilha, onde o convívio com Herrera el Viejo, Francisco de Zurbarán, Juan del Castillo, Francisco Pacheco e outras notoriedades do tempo lhe permitiram aprofundar conhecimentos e exercitar-se em géneros picturais onde cedo se tornaria um verdadeiro especialista. O seu nome surgiu no tratado de Félix da Costa Meesen, que o elogiou como «o sevilhano que nos paizes foi famozo».
Sabe-se que Baltazar foi funcionário da Casa de Bragança, instalando-se amiúde na corte de D. João IV e de D. Afonso VI, aí prestando serviços diversos e exercendo a sua arte. Ele serviu o rei como «funcionário do Estado de Bragança», ocupando-se, para além da pintura, com funções de vistoria nos Paços Reais e de inventariação dos seus recheios.
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Texto baseado na biografia que se encontra no site do Município de Óbidos.
Para saber mais, ver ainda o artigo: Vera Valentim, Baltasar Gomes Figueira volta à “sua” vila medieval.
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Baltazar Gomes Figueira, father of the painter Josefa de Óbidos, was a great painter of the seventeenth century. He studied in Sevilla with Herrera el Viejo, Francisco de Zurbarán, Juan del Castillo and Francisco Pacheco, becoming a specialist in the genre of still lifes and landscapes. When he returned to Portugal, he lived in Óbidos, but he also worked for the portuguese kings D. João IV and D. Afonso V.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Josefa de Ayala, dita Josefa de Óbidos (1630-1684)

O Menino Jesus Salvador do Mundo (c. 1660-1679, MNAA).
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Anunciação (1676, MNAA).
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Cordeiro Pascal (c. 1660-70, Museu Regional Évora).
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Josefa de Óbidos, nascida Josefa de Ayala Figueira (Sevilha, Fevereiro de 1630 - Óbidos, 22 de Julho de 1684), foi uma pintora nascida na Espanha que viveu e produziu em Portugal. Era filha de Baltazar Gomes Figueira, pintor português natural de Óbidos, com obra em Évora, que fora trabalhar em Sevilha, onde veio a desposar D. Catarina de Ayala Camacho Cabrera Romero, natural da Andaluzia. Josefa foi apadrinhada pelo pintor Francisco Herrera, El Viejo. Em 1634, quando tinha apenas quatro anos de idade, os pais de Josefa regressam a Portugal, onde se vieram a estabelecer na Quinta da Chapeleira, em Óbidos, quando ela já tinha seis anos de idade. Ali se educou, manifestando desde cedo, vocação para a pintura e para a gravura em metal, em lâminas de cobre e prata, num género denominado como pontinho. Em 1653, aos 19 anos de idade, fez a gravura da edição dos Estatutos de Coimbra. Trabalhou em seguida como pintora para diversos conventos e igrejas. Ficou sobretudo conhecida pelas pinturas religiosas, nomeadamente algumas que figuram o Menino Jesus, mas também pelas naturezas mortas, mostrando uma clara inspiração na pintura tenebrista do seu tempo.
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Josefa de Óbidos (1630–1684) was a Spanish-born, Portuguese painter from the seventeenth century. Her birth name was Josefa de Ayala Figueira, but she signed her work as, "Josefa em Óbidos" or, "Josefa de Ayalla". She was born in Seville, Spain. Her father, Baltazar Gomes Figueira, was a Portuguese painter from the village of Óbidos. He went to Seville in the 1620s to improve his painting technique and, while there, married Catarina de Ayala y Cabrera, a native Andalusian, who would become the mother of Josefa. The family returned to Portugal in 1634. They first settled in Peniche, where Baltazar continued his work as a painter. It is known that by 1644, at the age of fourteen, Josefa, was in Coimbra in the Convent of The Grace (Convento da Graça), where her father painted the main altarpiece of the church. Josefa's first known works are engravings, executed in 1646. Sometime before 1653, she and her family left Coimbra and settled in Óbidos. While in Óbidos, she drew an allegory of Wisdom for the Book of Rules of the University of Coimbra, which was being decorated by her father. Highly esteemed as a painter by that time, her father Baltazar is considered to be the main influence upon her. He possessed a great number of engravings among his collection that made Josefa familiar with the art of her time.
During the decades that followed, Josefa executed several religious altarpieces for churches and convents in central Portugal, as well as, paintings of portraits and still-life for private customers. Among her chief religious works are the five panels for the Saint Catherine altarpiece of the Church of the Holy Mary (Santa Maria) in Óbidos, in 1661. During 1672-1673 she painted the altarpiece of Saint Theresa of Ávila for the Carmelite Convent of Cascais. In 1679 she completed an altarpiece for the Church of the Mercy of Peniche. Her best known portrait is that of Faustino das Neves, dated c.1670, which is in the Municipal Museum of Óbidos. Many of her still-life paintings, considered her specialty, are among other works by her that are now in the National Museum of Ancient Art in (Lisbon). Her work appears in several other museums and as well as in private collections.
In Wikipedia

Para saber mais:
Vítor Serrão, «Josefa de Ayala ou o Elogio da Inocência».