domingo, 28 de junho de 2026

Manuel Amado (1938-2019)

Retrato de Teresa (1960, © Copyright 2026 Manuel Amado Catálogo Raisonné)
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A Porta da Estação (1986, © Copyright 2026 Manuel Amado Catálogo Raisonné)
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Cela II (1998, © Copyright 2026 Manuel Amado Catálogo Raisonné)
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O Jardim Encantado (1999, © Copyright 2026 Manuel Amado Catálogo Raisonné)
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A Perseguição (2015, © Copyright 2026 Manuel Amado Catálogo Raisonné)
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Manuel António Sotto-Mayor da Silva Amado nasceu em 13 de Junho de 1938, em Lisboa. Até à idade de 19 anos residiu numa grande casa do século XVIII, propriedade dos avós paternos e atual Museu da Cidade. Era filho do escritor e homem de teatro Fernando Alberto da Silva Amado (1899-1968). Fez os primeiros estudos no Colégio Moderno; em 1957, iniciou o Curso de Arquitetura. Colaborou como ator no Teatro Universitário de Lisboa, dirigido pelo seu pai, tendo executado o cenário para a peça Óleo de Eugene O’Neill (1888-1953). Em 1959, começou a trabalhar num gabinete de Arquitetura. Em 1961, casou com Maria Teresa Rosa Viegas. Fez o serviço militar em Angola, onde conheceu Cruzeiro Seixas (1920-2020). Regressado a Portugal, retomou o Curso de Arquitetura, que terminou em 1966. Entre 1975 e 1976, participou em exposições colectivas na Sociedade Nacional de Belas Artes. Participou também numa colectiva organizada por Mário Cesariny (1923-2006) e Cruzeiro Seixas, na Galeria Ottolini, em Lisboa. No ano de 1978, a convite de Cruzeiro Seixas, que então dirigia a Galeria da Junta de Turismo da Costa do Sol, no Estoril, fez a sua primeira exposição individual. Em 1979, projetou uma casa para a sua família no sopé da Serra de S. Luís, no Parque Natural da Arrábida. Em 1984, contracenou com a pintora Lourdes Castro (1930-2022) na peça de teatro de Almada Negreiros (1893-1970) Antes de Começar. Em 1987, fez uma exposição em Washington, para cujo catálogo Bruno Munari (1907-1998) escreveu um texto. Foi nesta altura que conheceu a obra de Edward Hopper (1882-1967) que lhe causou forte impressão, passando dedicar-se exclusivamente à pintura. Em 1995, realizou a primeira exposição antológica —Pintura • 1971-1994 — no Museu da Telefónica, em Madrid. Em Fevereiro de 1998 expôs na galeria Antiks Design, em Lisboa, que foi a primeira exposição individual desta Galeria; o texto do catálogo foi da autoria de José-Augusto França (1922-2021). Realizou no mesmo ano, no Palácio Galveias, uma grande exposição com temática de Lisboa. Em 2015-2016, participou na exposição A Luz de Lisboa – Museu de Lisboa – Torreão Poente do Terreiro do Paço. Faleceu em Lisboa no dia 14 de Outubro de 2019.
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Bibliografia; «Biografia», in Manuel Amado, Catálogo Raisonné - https://www.manuelamado.com/pt/biografia/
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Manuel António Sotto-Mayor da Silva Amado was born on June 13, 1938, in Lisbon. Until the age of 19, he lived in a large 18th-century house owned by his paternal grandparents, now the City Museum. He was the son of the writer Fernando Alberto da Silva Amado (1899-1968). He received his early education at the Colégio Moderno; in 1957, he began studying Architecture. He collaborated as an actor at the University Theatre of Lisbon, directed by his father, and designed the set for the play Oil by Eugene O’Neill (1888-1953). In 1959, he began working in an architecture office. In 1961, he married Maria Teresa Rosa Viegas. He served in the military in Angola, where he met the painter Cruzeiro Seixas (1920-2020). Returning to Portugal, he resumed his Architecture studies, which he completed in 1966. Between 1975 and 1976, he participated in group exhibitions at the National Society of Fine Arts. He also participated in a group exhibition organized by Mário Cesariny (1923-2006) and Cruzeiro Seixas at the Ottolini Gallery in Lisbon. In 1978, at the invitation of Cruzeiro Seixas, who then directed the Costa do Sol Tourism Board Gallery in Estoril, he held his first solo exhibition. In 1979, he designed a house for his family at the foot of the Serra de S. Luís, in the Arrábida Natural Park. In 1984, he acted alongside the painter Lourdes Castro (1930-2022) in Almada Negreiros' (1893-1970) play Antes de Começar (Before it Begins). In 1987, he held an exhibition in Washington, for which Bruno Munari (1907-1998) wrote a text for the catalog. It was during this time that he became acquainted with the work of Edward Hopper (1882-1967), which made a strong impression on him, leading him to dedicate himself exclusively to painting. In 1995, he held his first anthological exhibition —Painting • 1971-1994—at the Telefónica Museum in Madrid. In February 1998, he exhibited at the Antiks Design gallery in Lisbon, which was the gallery's first solo exhibition; the catalog text was written by José-Augusto França (1922-2021). In the same year, he held a large exhibition with Lisbon themes at the Palácio Galveias. In 2015-2016, he participated in the exhibition The Light of Lisbon – Lisbon Museum – West Tower of Terreiro do Paço. He died in Lisbon on October 14, 2019.

domingo, 26 de abril de 2026

António Alberto Nunes (1838-1912)

O filho pródigo (1873, Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado, Lisboa)
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Duque de Saldanha (1877, Assembleia da República, Lisboa)
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Génio da Independência (1886, Monumento aos Restauradores, Lisboa)
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Bernardim Reibeiro (1891, Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, Évora)
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Juventude (1898, Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, Évora, via Picryl)
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«Foi aluno da Academia de Belas-Artes a partir de 1850 no curso de Figura e frequentou o atelier de Anatole Calmels [1822.1906], em Lisboa. Obteve medalha de prata na sua primeira participação na exposição da Sociedade Promotora de Belas-Artes em Portugal com a escultura em gesso Amor pela Pátria (1868).Em 1870, partiu para Paris como bolseiro e permaneceu três anos nesta cidade dedicando-se ao estudo do classicismo com o mestre Eugène Guillaume [1922-1905]. São dessa época obras como o busto Bacante, a figura feminina Cornélia, dois estudos históricos, Afonso de Albuquerque protegendo a Índia e D. João Castro, destinados aos nichos das arcadas da Praça do Comércio em Lisboa.
Destacou-se em 1871 na Exposição de Belas-Artes de Madrid com a medalha de terceira classe e em 1874, já em Lisboa, foi nomeado académico de mérito e professor da Academia de Belas-Artes de Lisboa. Expõe na Sociedade Promotora das Belas-Artes (76), na Exposição Universal de Paris (78), no Rio de Janeiro (79), e realiza bustos de importantes personagens da intelectualidade portuguesa, como Almeida Garrett, Alexandre Herculano, João de Deus, Manuel Bento de Sousa e Eça de Queiroz. As suas peças escultóricas, por vezes convencionais e de gosto academizante no seu romantismo tardio, revelam algum sentimentalismo (Eucaristia, 72, e O Filho Pródigo, 73), embora o Génio da Independência, escultura integrada no monumento dos Restauradores, se apresente com vigor e dinamismo no seu esquema formal».
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Cristina Pieske, «António Alberto Nunes», in Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado [https://museuartecontemporanea.gov.pt/pt/artistas/ver/25/artists]
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«He was a student at the Academy of Fine Arts from 1850 in the Figure course and attended the studio of Anatole Calmels [1822-1906], [also} in Lisbon. He won a silver medal in his first participation in the exhibition of the Society for the Promotion of Fine Arts in Portugal with the plaster sculpture Love for the Fatherland (1868). In 1870, he left for Paris on a scholarship and remained in this city for three years, dedicating himself to the study of classicism with the master Eugène Guillaume [1922-1905]. From this period are works such as the bust Bacante, the female figure Cornelia, two historical studies, Afonso de Albuquerque protecting India and D. João Castro, intended for the niches of the arcades of Praça do Comércio in Lisbon."
He distinguished himself in 1871 at the Madrid Fine Arts Exhibition with the third-class medal, and in 1874, already in Lisbon, he was appointed academic of merit and professor at the Lisbon Academy of Fine Arts. He exhibited at the Society for the Promotion of Fine Arts (76), at the Universal Exhibition in Paris (78), in Rio de Janeiro (79), and created busts of important figures of Portuguese intellectual life, such as Almeida Garrett, Alexandre Herculano, João de Deus, Manuel Bento de Sousa, and Eça de Queiroz. His sculptural pieces, sometimes conventional and of an academic taste in his late romanticism, reveal some sentimentality (Eucharist, 72, and The Prodigal Son, 73), although the Genius of Independence, a sculpture integrated into the Restorers' monument, presents itself with vigor and dynamism in its formal scheme».

domingo, 22 de março de 2026

Eugénio dos Santos (1711-1760)

Plano de reconstrução de Lisboa (com Carlos Mardel, 1755)
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Paços do Concelho de Lisboa (1770-1774, destruídos por um incêndio em 1863)
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Eugénio dos Santos e Carvalho nasceu em Março de 1711 na casa dos Carvalhos, na Rua Direita da freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres, Aljubarrota, no seio de uma família de pedreiros de Mortágua. Foi aluno na “Aula de Fortificação e de Arquitectura Militar” onde entrou em 1735, mas no ano seguinte já estava a trabalhar nas fortificações de Estremoz, onde foi responsável pelas obras do Paiol de Santa Bárbara, Paço e Armazéns. Posteriormente foi responsável pelas fortificações da Marinha e trabalhou na construção do Hospital das Caldas da Rainha, dirigidas por Manuel da Maia (1677-1768). Casou com D. Francisca Teresa de Jesus da Costa Negreiros em 28 de Outubro de 1747, descendente de uma influente família de arquitetos da corte. Em 1750 foi nomeado inspetor das obras da Corte, entre as quais as obras dos paços da Ribeira e dos outros paços reais e arquitecto do Senado de Lisboa. Sobretudo depois do Terramoto de 1755, tornou-se o homem de confiança do engenheiro-mor do Reino Manuel da Maia, colaborando no projeto de reconstrução da cidade, com Carlos Mardel (1695-1763) e sendo autor da Praça do Comércio, em Lisboa. Foi ainda autor dos planos dos edifícios da Alfândega, do Arsenal, da Fábrica do Tabaco e da Ribeira das Naus. No Porto, projetou a Cadeia e Tribunal da Relação. Morreu em Lisboa, na Rua da Rosa das Partilhas, freguesia das Mercês, a 25 de Agosto de 1760. Foi pai de José Manuel Carvalho e Negreiros (1751?-1815).
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Bibl.: «Eugénio dos Santos», in Wikipédia [https://pt.wikipedia.org/wiki/Eugénio_dos_Santos]
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Eugénio dos Santos e Carvalho was born in March 1711 in the Carvalho family home on Rua Direita in the parish of Nossa Senhora dos Prazeres, Aljubarrota, into a family of stonemasons from Mortágua. He was a student at the "Aula de Fortificação e de Arquitetura Militar" (School of Fortification and Military Architecture), which he entered in 1735, but the following year he was already working on the fortifications of Estremoz, where he was responsible for the works of the Santa Bárbara Powder Magazine, the Palace, and the Warehouses. Later, he was responsible for the Navy's fortifications and worked on the construction of the Caldas da Rainha Hospital, directed by Manuel da Maia (1677-1768). He married D. Francisca Teresa de Jesus da Costa Negreiros on October 28, 1747, a descendant of an influential family of court architects. In 1750, he was appointed inspector of court works, including the works of the Ribeira Palace and other royal palaces, and architect of the Lisbon Senate. Especially after the 1755 earthquake, he became the trusted advisor of Manuel da Maia, the Kingdom's chief engineer, collaborating on the city's reconstruction project with Carlos Mardel (1695-1763) and designing the Praça do Comércio in Lisbon. He also designed the Customs House, the Arsenal, the Tobacco Factory, and the Ribeira das Naus. In Porto, he designed the Prison and the Court of Appeal. He died in Lisbon, on Rua da Rosa das Partilhas, in the parish of Mercês, on August 25, 1760. He was the father of the architect José Manuel Carvalho e Negreiros (1751?-1815).

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Eduardo Gageiro (1935-2025)

(imagem via Portugal Decoded)
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Sacavém (1951, imagem via Portugal Decoded)
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Retrato de Sophia de Mello Breyner (1964, via site Eduardo Gageiro)
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(imagem via Portugal Decoded)
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General Spínola (1974, via site Eduardo Gageiro)
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Nascido em 16 de Fevereiro de 1935, em Sacavém, Eduardo Antunes Gageiro foi um importante fotojornalista português. Com 12 anos tomou de empréstimo uma máquina fotográfica de um dos seus irmãos, e começou a receber aulas de arte e composição do escultor Armando Mesquita (1907-1982), trabalhador na fábrica de Louça de Sacavém. Fotografava os trabalhadores à saída da fábrica e uma das suas fotografias foi publicada na 1.ª página do Diário de Notícias em 1947. Em 1957, deu início ao trabalho como repórter fotográfico no Diário Ilustrado. Seguidamente, colaborou noutros jornais e revistas, entre eles O Século, bem como com a Associated Press (Portugal) e a Companhia Nacional de Bailado. Por se ter oposto ao regime do Estado Novo, esteve dois meses retido pela PIDE em Caxias. Foi o único fotógrafo do mundo a captar os terroristas que sequestraram os atletas israelitas da aldeia olímpica nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. Ao longo da sua carreira, foi distinguido com mais de 300 prémios, entre eles o 2.º prémio do World Press Photo (1975), com uma fotografia do General António Spinola (1910-1996). Faleceu a 4 de Junho de 2025, no Hospital dos Capuchos, em Lisboa.
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Fonte: Wikipédia.
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Born on February 16, 1935, in Sacavém, Eduardo Antunes Gageiro was an important Portuguese photojournalist. At the age of 12, he borrowed a camera from one of his brothers and began receiving art and composition lessons from the sculptor Armando Mesquita (1907-1982), a worker at the Sacavém pottery factory. He photographed the workers leaving the factory, and one of his photographs was published on the front page of the newspaper Diário de Notícias in 1947. In 1957, he began working as a photojournalist for the Diário Ilustrado. Subsequently, he collaborated with other newspapers and magazines, including O Século, as well as with the Associated Press (Portugal) and the National Ballet Company. Because of his opposition to the Estado Novo regime, he was detained for two months by the PIDE (Portuguese political police) in Caxias prison. He was the only photographer in the world to capture the terrorists who kidnapped Israeli athletes from the Olympic Village at the Munich Olympic Games in 1972. Throughout his career, he received more than 300 awards, including the 2nd prize at the World Press Photo (1974) for a photograph of General António Spinola (1910-1996). He died on June 4, 2025, at the Hospital dos Capuchos in Lisbon.