quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Ernesto Canto da Maya (1890-1981)




Desespero da dúvida (1915, MNAC - Link).
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Bendito seja o fruto do teu ventre (c. 1920-1922, Museu Carlos Machado).
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La femme au serpent (1923, CAM)
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Adão e Eva (1929-1939, MNAC - Link).
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Baiser (MNSR - Link).
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Ernesto do Canto Faria e Maia nasceu em 1890, em Ponta Delgada (Ilha de São Miguel, Açores) numa família culta e abastada. Em 1907, após concluir o liceu, partiu para Lisboa e matriculou-se no Curso Geral de Desenho da Escola de Belas-Artes, tendo como professores Ernesto Condeixa, José Luís Monteiro e José Alexandre Soares. Depois de concluir esta formação em 1911, inscreveu-se no curso de Arquitectura Civil, que abandonou logo no primeiro ano. Em 1912, participou no I Salão dos Humoristas Portugueses, apresentando um conjunto de pequenas estatuetas humorísticas de modelação espontânea que evocavam com um olhar crítico a frivolidade do quotidiano urbano e das grandes metrópoles. Distante do gosto do público e das práticas académicas, nesse ano partiu para Paris, onde foi aluno de Antoni Mercier (na Escola de Belas-Artes de Paris) e de Antoine Bourdelle (na Academia da Grand Chaumiére). Interessado em estagiar com James Vibert, escultor simbolista, Canto da Maia começou a frequentar a Escola de Belas-Artes de Genebra em 1914. Aí desenvolveu um estilo escultórico que se aproxima progressivamente da Arte Nova, então muito divulgada na Europa. Com a I Guerra Mundial (1914-1918) o escultor regressou a São Miguel, onde participou na XII Exposição da SNBA, em Ponta Delgada com a obra Tristeza (1915). No ano seguinte, apresentou na XIII Exposição da SNBA a grande estátua Desespero da dúvida, obra marcada pelo intenso realismo da figura, porém tratada plasticamente com uma inequívoca modernidade. Ainda em 1916, Canto da Maia partiu para Madrid, onde trabalhou durante um ano no atelier do escultor castelhano Julio Antonio Rodríguez Hernandez. Nos anos seguintes regressou a Ponta Delgada – onde executou um conjunto de baixos-relevos para o Coliseu Micaelense (1917) e para o Palácio Jácome Correia (1918) – e a Lisboa, onde apresentou a sua primeira exposição individual no Salão Bobone (1919). Em 1920 foi para Paris, onde permaneceu até 1937, ano em que o eclodir da II Guerra Mundial o obrigou a regressar a Lisboa. Neste período participou em numerosos salões em Paris e integrou a Exposição de Arte Francesa e Contemporânea de Tóquio e Osaka (1926), produzindo obras de carácter decorativo, que denotam o gosto Art Déco e, simultaneamente, o interesse por uma vida íntima. Datam deste período Adão e Eva (c. 1929). O regresso a Portugal é marcado pelas encomendas oficiais, primeiro para o Pavilhão de Portugal na Exposição Internacional das Artes e das Técnicas da Vida Moderna (Paris, 1937), e depois para a Exposição do Mundo Português (Lisboa, 1940). Para estas exposições realizou retratos de grandes figuras da História de Portugal, como Infante D. Henrique (1937), Afonso de Albuquerque (1937) ou o grupo escultórico D. Manuel I, Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral (1940). Em 1943, o escultor foi reconhecido publicamente com uma exposição retrospectiva organizada pelo Secretariado de Propaganda Nacional e no ano seguinte recebeu o Prémio de Escultura Manuel Pereira. Em 1946, Canto da Maia regressou a Paris, onde permaneceu até 1953. Nesse ano, voltou definitivamente para os Açores e integrou a representação de Portugal na 2.ª Bienal de Arte Moderna de São Paulo. Nos anos seguintes projectou alguns monumentos públicos e participa em diversas exposições, das quais se destacam a exposição “Arte Portuguesa do Naturalismo aos nossos dias” (Bruxelas, Paris e Madrid, 1967-68) e a exposição retrospectiva no Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada (1976). Ernesto Canto da Maia morreu em Ponta Delgada a 5 de Abril de 1981.
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Resumo da biografia in Matriznet.
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Ernesto do Canto Faria e Maia was born in 1890 at Ponta Delgada (São Miguel island, Azores) in the midst of a wealthy family. In 1907, after graduating at high school, he leaves to Lisbon and enrols at the Drawing Class of the Fine Arts School, having Ernesto Condeixa, José Luís Monteiro and José Alexandre Soares as teachers. In 1912, he participates at the I Portuguese Caricature Exhibit with a set of small statuetes which criticize the frivolity of life at the cities. He leaves Portugal that year heading for Paris, where he will study under Antoni Mercier (Paris Fine Arts' School) and Antoine Bourdelle (at the Grand Chaumiére academy). Longing to study with sculptor James Vibert, begins to attend classes at Genéve's Fine-Arts School on 1914; here he will develop a crafting style gradually approaching Art-Nouveau, very popular in Europe in those days. With the cracking of the 1st World War (1914-1918) he returns to São Miguel, where he enrols (1915) at the XII Exhibit of the Fine Arts' National Society (Sociedade Nacional de Belas-Artes - SNBA), at Ponta Delgada, with the piece Tristeza (“Sadness”). In the following year, he presents at the XIII SNBA Exhibit the large statue Desespero da dúvida (“Dispair of the Doubt”), work marked by the intensity and realism of the character, nonetheless treated plastically with an undeniable modernity. Still in 1916, Canto da Maia leaves for Madrid, where he will work for one year at the studio of spanish sculptor Julio Antonio Rodríguez Hernandez. In the following years he returns to Ponta Delgada – where he performs a set of bas-reliefs to the Coliseu Micaelense (1917) and to the Jácome Correia Palace (1918) – and to Lisbon, where he will present his first individual exhibit at the Bobone Salon (1919). In 1920 he leaves for Paris, where he will work until 1937, when the international political tensions will force him back to Lisbon. In these years he participates in numerous exhibits in Paris and enrols in the Tokio and Osaka's French and Contemporary Art Exhibit (1926), making works of decorative style showing simultaneously the Art Déco's urban taste and an interest for an intimate way of life. From these years we point out Adão e Eva (c. 1929). The return to Portugal was marked by some official commissions, first for the Portuguese Pavillion of the Modern Life's Arts and Techniques International Exhibit (Paris, 1937), and then for the Portuguese World Exhibit (Lisbon, 1940). For these shows, he executes portraits, somewhat mystic, of great portuguese characters, like D. Henrique (1937), Afonso de Albuquerque (1937) or the sculptoric group of D. Manuel I, Vasco da Gama and Pedro Álvares Cabral (1940). In 1943, the sculptor is publicly recognized with a background exhibit organized by the Secretariado de Propaganda Nacional (National Propaganda Office) and in the following year he receives the Manuel Pereira Sculptor's Award. In 1946, Canto da Maia returns to Paris, where he will live until 1953, returning that year definitely to Azores; that year, he will integrate the portuguese representation at the 2nd São Paulo's Modern Art Bienal. In the following years he designs some public monuments and is involved in several exhibits, like the exhibit “Arte Portuguesa do Naturalismo aos nossos dias” - Portuguese Art from Naturalism to the present day“ (Bruxelas, Paris and Madrid, 1967-68) and the background exhibit at the Carlos Machado Museum, in Ponta Delgada (1976), city where he will pass away at April, 5th, 1981.

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