terça-feira, 26 de setembro de 2017

Raquel Roque Gameiro (1889-1970)

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Figurino para "Três Fadas" da Revista "Lua Cheia" (1934, Museu Nacional do Teatro e da Dança)
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Minho (1935, Museu José Malhoa)
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Raquel Roque Gameiro era a filha mais velha de Alfredo Roque Gameiro (1864-1935). Nasceu em 1889 e com catorze anos (1903) já fazia ilustrações para os Contos para Crianças de Ana de Castro Osório (1872-1935). Desse trabalho, onde se pode notar a influência da ilustração inglesa, recebeu o prémio internacional do Petit Journal Illustré de la Jéunesse
No ano de 1909, participou pela primeira vez nos Salões da Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), recebendo uma Menção Honrosa. Posteriormente, continuou a expor nesses salões e foi premiada com a primeira medalha (1929) e a medalha de honra. 
Em 1911 casou com Jorge Ottolini, mas o casamento não a afastou das actividades artísticas. Nesse mesmo ano realizou, com o pai e os irmãos, Helena (1895-1986) e Manuel (1892-1944), uma exposição de aguarela, no atelier da rua D. Pedro V, em Lisboa. Em 1914, também com o pai, fez caricaturas para o espectáculo «Damas e Varões Ilustres da Amadora», constituído por projecções, numa lanterna mágica, de caricaturas de figuras locais. A apresentação foi acompanhada por versos de Delfim Guimarães e o espectáculo ter-se-á realizado no Salão de Festas dos Recreios. 
Em 1923, participou com o pai na exposição de aguarelistas portugueses em Madrid; em 1925 obteve o primeiro e segundo prémio num concurso para o desenho do Ex-Libris da Imprensa Nacional. Igualmente com o pai e a irmã Helena, em 1933, organizou uma exposição no Porto. 
Expôs, em 1935, na Casa de Portugal, em Londres, sendo convidada a participar na Society of Women Artists Exhibition. Fez ilustrações para periódicos e outras publicações, destacando-se o Livro do Bebé, em colaboração com Delfim Guimarães (1917) e o primeiro Livro Único do Ministério da Educação Nacional. 
No ano de 1969, realizou-se uma exposição retrospectiva na SNBA, tendo falecido em 1970. 
Exímia aguarelista, dela disse Fernando de Pamplona (1950): «A arte de Raquel Gameiro ficará. É que a arte verdadeira não tem data.» O mesmo autor também escreveu (1988):
«Comprazia-se em representar, em tintas vivas e cantantes, figuras de pescadores e camponeses, surpreendidos na sua faina diária, e sobretudo tipos e costumes de saloios dos arredores de Lisboa, em cujos traços se vinca a sua ascendência moira. Também representava de maneira saborosa interiores rústicos, pobres mas airosos, com chitas de ramagens e loiças toscas de barro vidrado. Muito decorativas as suas composições de flores, de tonalidades fortes e álacres. Há nas aguarelas de Raquel Gameiro largo sentido ilustrativo.»
Uma exposição da obra da artista, com curadoria da historiadora Sandra Leandro, está patente na Casa Roque Gameiro da Amadora, até 25 de Fevereiro de 2018.
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Bibliografia: Fernando de Pamplona, 1988, Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses ou que Trabalharam em Portugal, vol. III, Barcelos, Livraria Civilização Editora, p. 17; Sandra Leandro, 2005, «Raquel Roque Gameiro Ottolini», in Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX), Lisboa, Livros Horizonte, pp. 826-827; AA VV, 2014, Alfredo Roque Gameiro. Retorno à Casa da Venteira, Amadora, Câmara Municipal da Amadora.
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Raquel Roque Gameiro, born in 1889, was the eldest daughter of Alfredo Roque Gameiro (1864-1935). When she was fourteen years old (1903), she made illustrations for the fairy tales for children, written by Ana de Castro Osório (1872-1935). This work received the international prize of the Petit Journal Illustré de la Jéunesse. In the year 1909, Raquel participated for the first time in the exhibitions of the Lisbon National Society of Fine Arts (SNBA), receiving an Honorable Mention. Later, she continued to expose in these salons and was awarded the first medal (1929) and the Medal of Honor. In 1911, she made an exhibition of watercolor, with her father and brothers, Helena (1895-1986) and Manuel (1892-1944), at the atelier of D. Pedro V Street, in Lisbon. In the year of 1923, she participated with her father in a watercolor exhibition in Madrid. She exposed, in 1935, at the Casa de Portugal, in London, being invited to participate in the Society of Women Artists Exhibition. She made illustrations for several publications. She died in 1970.

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